Commodities: até quando vai o impulso que sustenta o mercado brasileiro?

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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Crédito: Reprodução/Petrobras

A alta no preço das commodities foi impulsionada pela pandemia do novo coronavírus, que chegou ao Brasil em março de 2020, e acabou turbinando as exportações.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), com base em dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), informa que de janeiro a setembro deste ano as commodities alcançaram 69,7% do valor total exportado.

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Também aponta que em iguais meses de 2020 foram 67,5%, acrescentando que o nível deste ano está quase dez pontos percentuais acima do de 2019.

Saldo da balança comercial em US$ bilhões

Icomex

Reprodução/FGV

 

Commodities

O BTG Pactual destaca em seu relatório sobre commodities, encaminhado ao mercado dia 13 de outubro, que o segmento está sendo impulsionado pela crise de energia.

De acordo com o banco de investimentos, as últimas semanas foram acompanhadas de eventos marcantes para as commodities, que provocaram, inclusive, mudanças no direcional de preços de algumas que estão no universo de cobertura da instituição.

“O minério de ferro talvez seja o caso mais emblemático neste quesito, visto que voltou ao campo positivo na variação em 2021. Esta reversão de tendência de baixa é fundamentada por dados de atividade na China indicando expansão econômica”, destacou.

E acrescentou: “não obstante, as últimas semanas foram marcadas por fortes oscilações na cotação desta commodity, devido à incerteza no setor imobiliário chinês, risco este que não está completamente dissipado”.

Petróleo

Ainda de acordo com o BTG, as negociações do petróleo, ao contrário do minério de ferro, apresentaram aceleração e tendência de alta.

“A oferta restrita nos Estados Unidos (EUA) e a manutenção do guidance da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) entram na conta dos elementos altistas, mas a alta de 16% da cotação do tipo Brent é explicada principalmente pela crise de energia global, que é decorrente da junção entre o desarranjo produtivo causado pela pandemia, os problemas climáticos e as questões geopolíticas. Estes eventos têm provocado forte alta dos preços do carvão e do gás natural, que, por ‘efeito substituição’, impulsionam as cotações do petróleo”, frisou o banco.

E disse mais: “nesse sentido, os preços da gasolina no Brasil subiram por consequência desta dinâmica do petróleo, o que puxou as cotações do etanol, primordialmente pelo apelo do tipo Anidro, e do açúcar, que está com um quadro de oferta cada vez mais apertado.”

Opep

Em relação à Opep, a organização reduziu a previsão para a oferta brasileira da commodity este ano, de 3,74 milhões de barris por dia (bpd) a 3,72 milhões de bpd. Se confirmado, o resultado equivaleria a um aumento de 50 mil bpd em relação a 2020.

Também disse que o corte da previsão acontece após a queda da oferta em agosto, de 50 mil bpd, a 3 milhões de bpd, apesar do início da produção no campo Sepia, em Santos. O grupo explica que a paralisação em outros campos, para manutenção e regulações sanitárias, forçaram a diminuição da oferta. A Opep lembra ainda que a produção na plataforma P-80 FPSO, em Búzios, só será retomada em 2022.

Já para 2022, a previsão é de que a produção da commodity no Brasil suba a 3,95 milhões de bpd. A expectativa é de que a oferta se eleve devido a dois novos projetos, o campo Mero-1 (Guanabara), que estava inicialmente planejado para começar em 2021, e o Peregrino-Fase 2.

Boi gordo

Conforme o banco BTG, a paralisação das importações da China de carne bovina brasileira derrubaram as cotações da arroba do boi gordo. A demora pela retomada, atípica, deixa os produtores em compasso de espera.

“Este elemento foi baixista para o milho, mas a principal explicação é o quadro de estoques mais favorável exposto pelos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), realidade que também se repete para a soja, o que nos faz esperar oferta mais confortável à frente para as soft commodities”, concluiu.

Café

O mercado está de olho nesse importante indicador (commodity) porque ele ajuda a compor o Produto Interno Bruto (PIB). Estima-se uma correção no preço das commodities, mas ainda não é possível cravar uma data para o ajuste.

Outra notícia acerca de uma commodity brasileira estampou portais internacionais nesta quarta (13). Isso porque existe uma preocupação generalizada com a oferta global de café. Esse movimento fez disparar o preço do grão na bolsa de Nova York.

Cabe destacar que os contratos do arábica que vencem em dezembro, os mais negociados, avançaram 4,36%, a 2,1315 por libra-peso, e o contrato de segunda posição, para março de 2022, subiu 4,27%, a US$ 2,1605 por libra-peso.

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