BC estima que crédito concedido pelos bancos deve crescer 8% este ano

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O saldo do crédito concedido pelos bancos deve crescer 8% este ano, de acordo com o Relatório de Inflação. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (25), na publicação trimestral do Banco Central (BC).

A estimativa é maior do que a divulgada no relatório anterior, de 7,8%. “O aumento decorre da reavaliação na trajetória esperada para o crédito direcionado, enquanto a expectativa de evolução do crédito livre foi mantida”, diz o BC.

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Para o crédito livre, a projeção de expansão é 11,1%. Seriam aumentos de 12% e 10% para os saldos de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. A expectativa para o crédito direcionado é de aumento de 3,7% em 2021. É uma alta de 11% para as pessoas físicas e redução de 7% para as empresas.

O crédito livre é aquele em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo. Além disso, é destinado, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

Em 2020, o saldo do crédito cresceu 15,7%, alta de 11,2% para famílias e 21,9% para empresas. Para 2021, essa projeção de 8% vem do crescimento de 11,5% no crédito para famílias e de 3,4% para pessoas jurídicas.

“As projeções de crescimento do estoque total de crédito para 2021, assim como no Relatório de Inflação de dezembro de 2020, consideram um cenário de normalização das condições de oferta e demanda de crédito, com a retomada do financiamento não bancário pelas grandes empresas e a volta do protagonismo das famílias no Sistema Financeiro Nacional”, diz o relatório.

Análise do BC

De acordo com o BC, nos financiamentos às pessoas jurídicas com recursos livres, a projeção foi mantida em 10%. Isso considerando o cenário de recuperação da atividade econômica, concentrado no segundo semestre.

Também se espera o desendividamento esperado de parte dos tomadores de crédito e a retomada de emissões de dívidas corporativas fora do sistema financeiro pelas grandes empresas. Tais condições reforçariam o movimento de desaceleração do crédito bancário em comparação a 2020.

Em relação ao crédito direcionado para as empresas, houve reavaliação da perspectiva de evolução da carteira. O resultado é diante do resultado acima do esperado em 2020. Mas ainda está no contexto do encerramento dos programas emergenciais de crédito e do adiamento no pagamento dos financiamentos concedidos pelo BNDES.

“A projeção de variação desses créditos passou de -5,3% para -7%. O número não contempla extensão ou criação de novos programas de crédito”, informou o BC.

No caso das famílias, projeta-se o aumento de 12% para os empréstimos com recursos livres. A contribuição mais importante são as operações de cartão de crédito à vista e financiamento de veículos.

Mesmo com o agravamento da pandemia e de seu impacto sobre o consumo, o BC espera que o crédito às famílias seja menos afetado do que no ano passado. “Quando prevalecia elevada incerteza e o consumo foi reduzido abruptamente, com consequências sobre modalidades relevantes do mercado de crédito”. Essa perspectiva ganha mais força com a nova rodada do auxílio emergencial.

Por fim, no segmento de crédito direcionado a pessoas físicas, a projeção de crescimento foi revista de 9% para 11%. Esse segmento foi influenciado pela grande demanda por financiamentos imobiliários, no contexto de taxas de juros historicamente baixas.

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