A batalha de gigantes da saúde tem movimentado fortemente a bolsa brasileira. Desde 2019, o mercado de M&A (fusões e aquisições) tem ganhado mais representatividade no mercado de capital por aqui. Nesse sentido, ganham destaque a fusão entre Hapvida (HAPV3) e Intermédica (GNDI3) autorizada pela ANS em junho desse ano e o IPO da Rede D’Or (RDOR3) em dezembro de 2020, o terceiro maior IPO já feito no Brasil.
Com base nas informações de maio e junho do Equity Research do BTG Pactual, mostraremos a seguir um panorama sobre os três gigantes da saúde no Brasil. Os relatórios têm como base os números do primeiro trimestre de 2021 das empresas. Continue a leitura e confira!
Hapvida (HAPV3)
A Hapvida oferece planos de assistência médica e odontológica, e atua de forma verticalizada. Isso significa que os serviços são, prioritariamente, realizados em estruturas próprias de atendimento.
Um dos diferenciais da estrutura verticalizada na saúde é a padronização do atendimento. Isso porque todos os prestadores de serviços da rede recebem o mesmo treinamento, o que, em tese, contribui para a qualidade do serviço.
A integração desse tipo de estrutura também proporciona um maior controle de custos. Com isso, há chances de oferecer ao consumidor planos de saúde com preços mais baixos.
Efeitos da Covid-19 no 1T21
No primeiro trimestre do ano, a receita líquida cresceu 12%, impactada pela consolidação da Medical, Samedh, GSJ e Plamheg. No entanto, apesar do aumento da receita e do ganho de eficiência devido à redução de despesas operacionais, a maior sinistralidade decorrente da Covid-19 fez com que a Hapvida apresentasse resultados fracos.
O lucro líquido foi 7,7% inferior ao do mesmo período do ano passado. Porém, com o ajuste relativo às recentes fusões e aquisições (sem efeito caixa), o resultado passa para R$ 299,6 milhões. Esse valor é 14% superior ao do 1T20, e 30% melhor do que a estimativa dos analistas do BTG Pactual.
Ganho de eficiência com a redução de custos operacionais
Apesar do R$ 12 milhões gastos com consultorias (em especial, com a fusão do GNDI), as despesas gerais se mantiveram estáveis, em 10% da receita líquida. Por sua vez, a geração de caixa foi de R$ 343 milhões, o que refletiu o aumento do Capex em 81% ao ano.
Otimismo apesar do fraco resultado
Em que pese o fraco resultado do trimestre, o banco se mostra otimista em relação ao desempenho futuro do grupo. Basicamente, por causa das sinergias oriundas da fusão com o GDNI e pela perspectiva de mais fusões e aquisições na sequência do recente follow-on da HAPV.
Preço alvo da ação da HAPV3: R$ 19.
Notre Dame Intermédica (GNDI3)
O Grupo Notre Dame Intermédica (GNDI3) é um dos maiores operadores de saúde do Brasil, com cerca de 5,6 milhões de beneficiários. Sua estrutura conta com 75 centros clínicos, 21 hospitais, 20 unidades de prontos-socorros autônomos e 10 unidades de medicina preventiva. Quanto aos produtos oferecidos, o grupo opera planos de saúde e odontológicos e saúde ocupacional.
Efeitos da Covid-19 no 1T21
A exemplo da Hapvida, a Intermédica também sofreu com sinistralidade de caixa mais alta no 1T21. Para isso, contribuíram o aumento de internações pela Covid-19 e a normalização dos procedimentos eletivos.
Por causa da consolidação das várias fusões, a receita líquida da empresa cresceu 13% em relação ao mesmo período do ano passado. Por sua vez, o Ebitda ajustado de R$ 189 milhões (já contemplando ajustes de receitas financeiras, opções de ações e despesas de M&A) ficou 40% abaixo da expectativa do BTG Pactual. Basicamente, o motivo foi a sinistralidade de caixa acima do previsto.
Adições líquidas de beneficiários
No 1T21, foram 65 mil beneficiários de saúde a mais no grupo. Nesse sentido, 33 mil vidas vieram pela aquisição da Climepe e 32 mil foram adições líquidas orgânicas.
Em relação à receita líquida, o relatório destaca crescimento de 1,4% a/a após três trimestres de queda. Isso por causa da consolidação das recentes fusões e aquisições do grupo, que acresceram R$ 66 milhões ao faturamento. De forma orgânica, a receita líquida caiu 34%
Perspectivas
Apesar da perspectiva de que a sinistralidade da Covid continue a impactar no curto prazo, o banco se mostra otimista em relação ao desempenho da empresa. Como vimos, além das chances de novas aquisições, há sinergias no processo de fusão com a Hapvida que ainda não foram precificadas.
Preço alvo da ação da GNDI3: R$ 99.
Rede D’Or (RDOR3)
A Rede D’Or São Luiz é a maior rede integrada de saúde do país. Atualmente, está presente no Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Ceará, Sergipe, Paraná e Distrito Federal.
Ao todo, são 51 hospitais próprios, um hospital administrado e 39 clínicas oncológicas. Além disso, a rede possui ambulatórios de diversas especialidades e oferece serviços como diálise e banco de sangue. Desde 2010, o grupo também atua na pesquisa clínica por meio do IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino).
Projetos orgânicos e inorgânicos no horizonte
Recentemente, o grupo aumentou a lista de projetos orgânicos que havia contemplado no seu IPO. Nesse sentido, o novo plano passa a ter 6,6 mil leitos, e o investimento esperado é de cerca de R$ 2 bilhões.
Quanto ao crescimento inorgânico, o grupo deve aproveitar o momento favorável de M&A, ainda mais com a posição favorável de caixa de R$ 17,8 bilhões após follow-on.
Para o segundo semestre de 2021 e 2022, as perspectivas continuam boas. Nesse sentido, o novo acordo comercial com a Amil fortalece a consolidação da Rede D’Or, pois alguns hospitais ainda estão em fase de maturação.
Preço alvo da ação da RDOR3 para 2022: R$ 90.
Batalha de gigantes da saúde: confira os números de HAPV3, GNDI3 E RDOR3 do 1T21:
(R$ milhões) | HAPV3 | GNDI3 | RDOR3 |
Receita Líquida | 2.323,2 | 2.903,5 | 4.719,1 |
EBITDA | 463,7 | 137,0 | 1.134,2 |
Margem EBITDA | 20% | 4,7% | 24% |
Lucro Líquido | 151,8 | (27,9) | 402,3 |
Lucro Líquido Ajustado | 299,6 | 27,9 | – |
Caixa Líquido | 1.523,2 | 423,0 | (7.215,2) |
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