Bandeiras tarifárias podem impactar ações de empresas de energia

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica – definiu que a bandeira tarifária em julho segue vermelha no patamar 2. No mês de junho, a agência reguladora já havia optado por adotar o patamar 2 da bandeira vermelha. Em resumo, esta sinaliza o custo mais alto da energia para os consumidores. Assim, este cenário pode influir nas ações das empresas de energia.

Elena Landau, economista e sócia do escritório Sérgio Bermudes, aponta que a Aneel deve optar pela manutenção do patamar 2. Ela explicou que o momento é delicado por conta do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas – principal fonte energética do país.

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Por isso, ela aponta que o patamar 2 deve ser mantido no curto prazo. Outra opção para o governo tentar minimizar o impacto do cenário adverso seria oferecer um bônus aos consumidores que evitassem gastos excessivos de consumo. Porém, essa prática foi adotada quando não havia o sistema de bandeiras.

Bandeiras tarifárias: impacto nas ações

Com os preços elevados, o cenário energético adverso pode impactar ações de algumas empresas de energia. No fim da manhã desta sexta-feira (25), a Eletrobras (ELET6) registrava queda de 2,18%. Cada papel da empresa era negociado a R$ 45,27.

Nesta semana, o Índice de Energia Elétrica (IEE), da B3, chegou a cair 0,82% no dia 22, de acordo com matéria do site da revista Veja. O IEE é composto pelas ações de 23 companhias do setor de energia. Naquele dia, as maiores quedas foram a Equatorial Energia (EQTL3), que caiu 2,09%, e a Cemig, que recuou 1,98%.

Relatório do Banco Inter (BIDI11) também aponta que Equatorial teve uma queda de 2%. Outra empresa que registrou desvalorização das ações foi a Taesa (TAEE11), que caiu 1%. Apesar das quedas, o rating das duas companhias é de avaliação neutra.

No dia 22, o desempenho do índice só não foi pior por conta da Eletrobras. Foi quando a Câmara aprovou a Medida Provisória (MP) que vende a participação governamental da empresa.

Além disso, o relatório também mostra que o comportamento do IEE segue abaixo da média do Ibovespa. Desde junho do ano passado, o Ibovespa vem crescendo. Em junho, atingiu alta próxima a 30%.

Por outro lado, o IEE, a partir de dezembro, tem se descolado do Ibovespa. Desta forma, tem passado a operar em patamar menor. Em junho, este índice específico tem registrado elevação próxima a 20%.

Empresas beneficiadas

Como os reservatórios estão baixos, as energias renováveis – como eólicas e solares – devem ser mais demandadas. Além disso, o ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico – poderá vir acionar mais usinas termelétricas. Elas têm a produção de energia mais cara. Porém, ajudam a evitar o gasto de água dos reservatórios.

Matéria da Exame Invest aponta que ações de empresas ligadas a termelétricas ou renováveis podem ser beneficiadas. É o caso da Eneva (ENEV3), que detém térmicas a gás no Maranhão.

Outras empresas que possuem participação em renováveis também podem ser beneficiadas. Por exemplo, Omega (OMEG3), Renova (RNEW3) e Alupar (ALUP11), entre outras.

A Omega opera com energia eólica. A companhia possui 1.869 megawatts (MW) em capacidade instalada. Ou seja, as usinas operadas por ela tem esta capacidade de geração elétrica.

Já a Renova está presente na produção eólica, solar e em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Só em eólicas, há 400 MW de capacidade instalada na Bahia.

Por fim, a Alupar tem ativos em transmissão e geração. Na geração, ela atua na em hidrelétricas, PCHs e eólicas. Nesta última, a companhia possui as usinas do parque Agreste Popular, no Nordeste. No total, estas usinas possuem capacidade instalada de 58,8 MW.

Elias Wiggers, Assessor de Investimentos e sócio da EQI Investimentos, aponta que as bandeiras tarifárias em si não causam impacto direto nas ações. Assuntos mais sensíveis, como a privatização da Eletrobras podem influir mais diretamente.

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