Balanço da saúde: hospitais aumentam movimentação, planos de saúde têm mais gastos e farmácias lucram com inflação 

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.
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Foto: Fachada de hospital da Notre Dame Intermédica

O ano passado foi um ano atípico para a maioria das companhias. A pandemia da covid-19 interviu em praticamente todos os negócios e derrubou a maioria dos resultados. Talvez o setor da saúde, diretamente conectado à pandemia, tenha sido um dos mais impactados, mas agora, com o avanço da vacinação e a queda dos casos, a vida começa a voltar ao normal.

Hospitais e farmácias tiveram, em geral, um bom segundo trimestre. Os primeiros viram a movimentação voltar após as pessoas terem evitado cirurgias durante o período mais crítico da pandemia. Já as redes de drogarias foram beneficiadas pela inflação, lucrando ao vender produtos em estoque por maiores preços.

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O único setor de saúde que não foi bem foi o de planos e de seguradoras: agora, com a covid-19 ficando de lado, essas companhias estão vendo as pessoas voltarem a ir a médicos e a realizar cirurgias – e elas têm de pagar por isso. 

Rede D’Or (RDOR3) tem número de pacientes com covid reduzido e aumento de cirurgias

Segundo relatório do banco Inter, a Rede D’Or “divulgou resultados fortes, acima das expectativas”. 

Como já mencionado, a aceleração da vacinação reduziu o número de pacientes internados com covid-19 e aumentou o número de atendimentos e internações por outras patologias. 

“A receita bruta atingiu R$ 5,9 bi, maior faturamento trimestral na história da companhia. O ticket médio, calculado a partir da receita e do número de pacientes/dia, aumentou 20,6% no segundo trimestre”, afirmaram os analistas. 

A margem Ebitda ficou em 30%, ante 8% em 2020. O Ebitda de R$ 1,2 bilhões foi recorde, em linha com as expectativas do Inter. “O resultado foi reflexo do maior fluxo de pacientes nos hospitais, com manutenção de alta taxa de ocupação e retomada dos procedimentos e cirurgias eletivas, que têm margens elevadas”, explicaram.

O BTG foi na mesma linha, apontando que o segmento oncológico “brilhou”, crescendo 34% na base anual.

Além disso, as duas casas destacaram a redução do endividamento após o IPO.

Sinistros impactam Qualicorp (QUAL3) e NotreDame Intermédica (GNDI3) 

Ao mesmo tempo em que os hospitais voltaram a faturar mais, as companhias de plano de saúde viram suas margens serem comprimidas. Com as pessoas voltando a buscar atendimento, essas empresas acabam tendo mais gastos. 

A Qualicorp, por sua vez, teve um desempenho pior, impactada em duas frentes: além da sinistralidade, a companhia, segundo o BTG, frustrou em sua receita por conta da queda do número de clientes, motivada, em sua maior parte, pelos aumentos dos planos de saúde.

“O alto nível de cancelamentos reflete a sazonalidade incomum impulsionada pelo adiamento de aumentos de preços em 2020”, afirmaram os analistas do banco. 

A receita líquida, de R$ 517 milhões, ficou abaixo das projeções do banco, apesar da alta de 7% na base anual. O Ebitda ficou em R$ 201 milhões ao se excluir efeitos não recorrentes, queda de 14% no ano e 17% no trimestre.

Já a NotreDame Intermédica foi prejudicada, majoritariamente, pela sinistralidade histórica de 82,7%, uma vez que conseguiu aumentar sua base de assinantes em 18% no braço de saúde, chegando a 4,3 milhões, e em 13% nos planos odontológicos, chegando para 2,9 milhões. 

“Diferentemente dos outros segmentos de cadeia de saúde, as operadoras se beneficiaram no segundo trimestre de 2020 diante do cancelamento dos procedimentos eletivos e do pico do isolamento social”, afirma a Eleven.

A Odontropev (ODPV3), idem. Apesar de a receita líquida ter crescido 5% no ano, para R$ 454,6 milhões, o Ebitda ficou em 136,7 milhões ante R$ 170,9 milhões entre abril e junho de 2020.

“Dado o aumento da sinistralidade o custo dos serviços prestados chegou a 41,5% da receita líquida, alta de 40,7% em relação ao 2T20”, apontaram os analistas do Inter.

Redes de farmácias lucram com inflação

As redes de farmácia, por sua vez, viram seus faturamentos avançarem, impulsionados, principalmente, pela inflação. 

A receita líquida da Raia Drogasil (RADL3) avançou 32% na base anual, chegando a R$ 6,2 bilhões. O BTG destacou, neste caso, o desempenho do braço digital da companhia, com a receita proveniente deste chegando a 8,9% do total.

“A companhia que já investiu em estoque sem o reajuste no primeiro trimestre faz a venda com valores reajustados e consegue obter ganhos de margens, efeito conhecido como pré-lata”, afirmou a Eleven, sobre o balanço da Profarma (PFRM3)

Está ultima companhia teve um lucro recorde, de R$ 33,7 milhões, com a receita crescendo 25%, chegando a R$ 1,559 bilhão. 

Além da inflação a Profarma viu seu resultado melhorar também por conta do desempenho do seu braço de distribuição, que cresceu 25%. “Desempenho explicado pelo aumento do número de clientes atendidos e pelo aumento das vendas para clientes independentes, além dos benefícios do efeito da pré-alta dos medicamentos”, afirmou a Eleven. 

Fleury (FLRY3): Rede de laboratórios tem resultado misto

A Fleury, rede de laboratórios, teve para o Inter resultados mistos, com um aumento do faturamento acompanhado de custos mais elevados.

“Apesar do crescimento de vendas, a companhia reportou um aumento significativo dos custos, que foram responsáveis por uma diminuição da margem além das projeções”

A receita líquida de R$ 932 milhões foi 105% maior do que a expectativa do banco, com destaque para o testes da covid-19. 

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