B3 (B3SA3) dobra de valor e atinge quase quatro milhões de investidores

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução/B3

De 2017 para 2021 o mercado viu a B3 (B3SA3) crescer de forma significativa. Tanto em valor de mercado quanto em número de investidores.

Em quatro anos, o valor de mercado passou de R$ 40 bilhões para R$ 100 bilhões. Já o total de investidores na bolsa brasileira chegou a quase 4 milhões. Este é um valor seis vezes maior do que em 2017.

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Reportagem do Estado de S. Paulo mostra que, com o juro real (descontada a inflação) próximo de zero, investir em ações ficou mais fácil. E também mais acessível para boa parte da população.

Com a renda fixa menos atrativa nos últimos anos e a queda de juros, os investidores correram para a renda variável – e o número não para de crescer.

Agregado a isso, surgiu todo um movimento que facilitou a vida do investidor. Plataformas de investimentos aprimoradas, aplicativos, corretoras e casas de análises, influenciadores nas redes sociais – tudo contribuiu para o crescimento do mercado.

Para o sócio da Eleven Financial, Raphael Figueiredo, o fez a diferença foi o crescimento de plataformas e do mercado de assessores.

O crescimento de empresas listadas na Bolsa também serviu de incentivo.

Desde o começo de 2020, mais de 60 empresas fizeram IPO (Ofertas Iniciais de Ações) – e várias ainda estão na fila.

Mas, apesar do crescimento, a bolsa, que já esteve na quinta posição entre as Bolsas de Valores mundiais, viu sua posição cair por conta do real enfraquecido.

Concorrência pela frente?

Com o mercado aquecido, a B3 pode ter uma concorrente a caminho. A empresa ainda é a bolsa de valores do mercado local.

A possibilidade de uma eventual concorrente ganhou força nos últimos meses.

A CVM colocou o tema em audiência pública, encerrada há poucos meses. Mas os resultados ainda estão sendo analisados.

Especialistas consultados pelo Estadão acreditam que essa competição virá. Porém, não na forma de uma Bolsa tradicional como a B3, mas no formato de fintechs que vão focar em serviços específicos de negócio.

É o caso, por exemplo, da Mark 2 Market, focada em registro de Certificados de Recebíveis do Agronegócios (CRAs).

O professor de Direito Econômico da FGV-Direito, Caio Mario Pereira Neto, afirma que a própria regulação pode abrir espaço para a competição, como ocorreu no setor bancário. Hoje o setor é puxado pela atuação das fintechs.

Mas ainda há uma longa lista de rivais para a B3 que não prosperam. A ATS Brasil chegou a fazer um pedido para a abertura de uma Bolsa à CVM, em 2013. Mas não avançou. O mesmo destino teve o projeto da gestora Claritas, em parceria com a Bats Global Markets, operadora global do setor.

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