Azul (AZUL4) reverte lucro em prejuízo de R$ 2,9 bi no 2TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Azul/Divulgação

A Azul (AZUL4) registrou um prejuízo líquido de R$ 2,936 bilhões no segundo trimestre de 2020, revertendo um lucro líquido de R$ 351,6 milhões em igual período do ano passado.

De acordo com a Azul, o resultado foi impactado pela queda brusca da demanda de viagens aéreas causada pela pandemia e pelas depreciação do real perante o dólar.

Desconsiderando ajustes cambiais, a Azul teve um prejuízo líquido ajustado de R$ 1,488 bilhão no período, ante lucro líquido ajustado de R$ 110,1 milhões no mesmo período do ano passado.

O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 1,887 bilhões, um crescimento de 39,6 vezes das perdas financeiras.

De acordo com a empresa, o desempenho foi puxado pela depreciação média de 37,5% do real e do aumento na dívida total relacionada com a adição líquida de 16 aeronaves em nossa frota durante os últimos 12 meses.

Os custos e despesas operacionais somaram R$ 1,221 bilhões, uma diminuição de 46,1%.

Conforme a Azul, a redução foi devida principalmente à queda nas despesas que variam de acordo com a capacidade, e às iniciativas de redução de custo.

Ebitda

O lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) foi negativo em R$ 324,3 milhões, contra um Ebtida positivo de R$ 733,2 milhões um ano antes.

A margem Ebtida foi negativa em 80,8%, contra margem positiva de 28%.

Receita

A receita líquida atingiu R$ 401,6 milhões no período, uma redução de 84,7% na comparação anual.

De acordo com a Azul, o resultado foi devido ao impacto da pandemia de Covid-19 na demanda de passageiros.

Investimentos e frota

A empresa investiu R$ 42 milhões no segundo trimestre de 2020.

Os aportes foram destinados principalmente para à capitalização de eventos de manutenção de motores e aquisição de peças de reposição.

Em 30 de junho de 2020, a Azul possuía uma frota operacional de passageiros de 138 aeronaves e uma frota contratual de passageiros de 165 aeronaves, com idade média de 6 anos.

As 27 aeronaves não incluídas em nossa frota operacional consistem em 15 aeronaves subarrendadas para a TAP e 12 aeronaves Embraer E-Jets que estavam em processo de saída da frota.

Dívida da Azul

A dívida líquida encerrou o segundo trimestre em R$ 15,851 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida / Ebtida ajustado, ficou em 4,8 vezes no final do trimestre.

Um ano antes a alavancagem era de 2,7 vezes no mesmo período do ano passado.

Projeções

Conforme a Azul, a recuperação de ASK deve atingir aproximadamente 60% dos níveis pré-Covid em dezembro de 2020.

Já a queima média de caixa será de R$ 3 milhões por dia.