Alta da Selic em 2021: veja como ficam os investimentos até o fim do ano

Redação EuQueroInvestir
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

O Banco Central iniciou um movimento de alta na taxa Selic e, com isso, investidores comuns se perguntam como ficarão as aplicações. Diversos analistas encaram esse momento como uma sinalização ao mercado e um indício que é só o começo. Dessa forma, é possível que seja observado uma migração de recursos entre os mercados de renda fixa e de renda variável.

Este artigo falará sobre a expectativa para os investimentos com alta da taxa Selic. A projeção já aponta para uma taxa de mais de 7% ao ano no fim de 2021. Daqui para frente, com a inflação acelerando, essa expectativa também pode aumentar.

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Ao ler o texto, você saberá o que esperar dos principais papéis do mercado de renda fixa, já que eles são diretamente afetados pela elevação na taxa de juros básicos da economia.

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Renda Fixa

O movimento de alta no valor da taxa Selic pode ser encarada como uma aliada do investidor conservador. A razão disso é que os investimentos em renda fixa acabam sendo favorecidos quando a taxa se eleva. A maioria desses papéis são atrelados a algum tipo de índice correlacionados à Selic e, com isso, rendem mais toda vez que a taxa sobe.

Esse é o caso dos títulos atrelados ao CDI ou IPCA. Grande parte do mercado financeiro de papéis de renda fixa obedece essa lógica e ter esse tipo de investimento em carteira pode favorecer bastante os ganhos, sobretudo naqueles em que se pode ter previsibilidade, como é o caso dos títulos pré-fixados.

Renda Variável

Um fato que pode ser curioso nessa elevação da taxa Selic é que ela pode não ter tanto impacto sobre as aplicações de renda variável, sobretudo na bolsa. A explicação para isso é que mesmo uma taxa de 7% ao ano não é suficiente para retirar a atratividade do mercado de risco de forma que o capital migre para a renda fixa.

Outro fator que pesa muito nesse sentido é o fato de que a taxa de juros mais elevada do que a atual beneficia o fluxo de caixa das empresas e isso ajuda a reduzir o impacto dos riscos no curto prazo. O câmbio depreciado também ajuda em alguns tipos de vendas.

É o caso de empresas dolarizadas, também chamadas de exportadoras. Como sua receita é auferida em dólares, seu faturamento tende a aumentar. Isso é observado com mais intensidade entre as companhias que comercializam algum tipo de commodities e isso é uma das especialidades do Brasil. De olho então em organizações que têm em sua cadeia produtiva produtos ligados ao aço, petróleo ou mesmo a soja.

Alternativas de investimentos

Todo esse cenário costuma trazer movimentação de capital no mercado financeiro. Se esse é o seu caso, busque conhecer as alternativas existentes e o potencial de cada uma delas. A seguir explicitamos melhor algumas opções para investir com a alta na taxa Selic.

CDB

Uma boa opção de investimento nesse momento de alta da Selic volta a ser os títulos de instituições bancárias. Os chamados Certificados de Depósito Bancário têm seu rendimento expresso (e portanto atrelado) ao CDI. Esse índice reflete um retorno muito próximo à Selic, apenas levemente abaixo.

E o que pode tornar bastante atraente alguns CDBs bancários é justamente o movimento anterior da Selic que acabou pondo-a no nível mais baixo de sua história. Como seu valor ficou em 2% ao ano durante um período considerável, alguns bancos resolveram elevar o rendimento como forma de atrair novos investidores.

Assim, muitos títulos foram ofertados ao mercado com retornos de 150% ou 160% do CDI. Mas perceba um detalhe muito importante: com a Selic a 2% ao ano, um CDB que renda 150% do CDI resulta em uma rentabilidade de 3% após 12 meses de aplicação. Realmente pode não ser tão interessante, dado a alta recente da inflação.

No entanto, a grande sacada pode estar em buscar esses títulos no momento atual. O motivo maior é que ainda pode ser possível encontrar esses papéis remunerando da forma que foi citada. Dessa forma, o mesmo título passará a render bem mais porque ele continua atrelado ao CDI e, portanto, à taxa Selic.

Isso quer dizer que um CDB que retorne 150% do CDI renderá 10,5% ao ano para o caso em que a Selic seja fixada em 7%. É uma grande diferença, não é mesmo? E perceba que se trata do mesmo título, mas é preciso garimpar o mais rápido possível, pois a oferta não deve perdurar por muito mais tempo. Convém lembrar que CDBs bancários contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito ― FGC.

Títulos de inflação

Um dos principais motivos para o início do movimento recente de alta da Selic certamente foi a elevação dos níveis de inflação. A razão dessa crescente nos índices de preço se deu não somente no Brasil, mais no mundo todo. E isso se deve à pandemia que o mundo atravessou recentemente. 

Observar esse movimento no mercado é muito importante porque a inflação tem impacto direto nos investimentos em geral. Somente após descontado seu valor é que pode-se chegar ao chamado ganho real, que é o rendimento nominal de uma aplicação menos a inflação do período. Uma inflação elevada pode prejudicar os investimentos.

No entanto, existe uma forma de fazer com que um movimento ruim jogue favoravelmente ao seu dinheiro: são os títulos que são atrelados à inflação. Investir em um papel desses significa ter um rendimento real garantido, pois o retorno do título é expresso por um percentual acima da inflação, independente de qual seja seu valor.

Os chamados títulos IPCA são negociados na plataforma do Tesouro Direto e é o mecanismo por meio do qual se adquire os títulos de dívida pública. Existem várias datas de vencimento, com papéis vencendo a partir de 2026. Quanto maior o prazo de aplicação, maior o retorno conseguido.

Nos títulos mais breves, é possível encontrar retornos reais de 3,66% ao ano. Já os mais longos entregam rentabilidade real acima de 4% ao ano, com o papel de vencimento em 2055 entregando 4,33% de juros reais. Com a inflação em 8% ao ano, esse título pagaria um total de 12,33% ao ano, praticamente o dobro da taxa Selic se fixada em 6,5% ao ano.

Crédito privado

Também há boas oportunidade entre os papéis de crédito privado com a alta da Selic. Essa modalidade de investimento é representada pelos títulos de dívidas emitidos por empresas da iniciativa privada. Trata-se de um mecanismo para efetuar a captação de recursos junto ao mercado. Em contrapartida o investidor recebe uma remuneração.

Entre esse tipo de título, destacam-se as emissões de empresas do setor imobiliário e de agronegócio. São os Certificados de Recebíveis Imobiliários ― CRI ― e do Agronegócio ― CRA. Além desses, também pode-se contar com as debêntures, sobretudo as incentivadas que visam a aplicação obrigatória do recurso captado em projetos de infraestrutura.

Um dos fortes aspectos que deve guiar a tomada de decisão do investidor é a classificação de risco do título analisado. Duas modalidades merecem especial atenção: são os papéis high yield e os high grades. Enquanto os primeiros têm uma expectativa de retorno maior embutida em suas taxas, os segundos têm alta qualidade de crédito, porém menor retorno garantido já que o risco é menor.

Dessa forma, os papéis high yield podem proporcionar maiores retornos. É possível encontrar títulos que bonificam o investidor em até 1% a mais que os próprios títulos de inflação. No médio e longo prazo essa diferença pode aumentar consideravelmente o retorno dos investimentos. Por isso, vale a pena fazer um estudo mais cuidadoso no momento de escolher esses papéis.

Poupança

A poupança também se beneficia da alta da Selic. Como não poderia deixar de ser, o investimento preferido da nação (nesse momento) também merece alguma atenção. Com a projeção de 6,5% ao ano para a taxa Selic, o retorno do investimento continua baixo. Além disso, com os atuais níveis de inflação, o resultado é a perda de dinheiro.

Em resumo, sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a poupança renderá 70% do seu valor. Assim, se confirmada a projeção de 7% para a taxa básica de juros, a poupança renderá apenas 4,9% ao ano. Não é difícil perceber que o valor é bem abaixo da projeção da inflação na casa de 8%. Definitivamente, aplicar na poupança continua sendo uma das piores escolhas de investimento a se fazer.

Ajuste na carteira

Feitas todas as análises, chega o momento de ajustar a carteira. Essa tarefa é conhecida com rebalanceamento e consiste em alocar movimentar os recursos de forma a equilibrar novamente o dinheiro aplicado. Após algum tempo, é normal que algumas aplicações se destaquem frente a outras e fiquem com maior volume de recursos.

No entanto, alguns aspectos precisam ser considerados para o caso de fazer alguma mudança visando aplicações na renda fixa. Primeiramente, os objetivos traçados anteriormente precisam ser analisados. Dessa forma consegue-se que nenhum planejamento seja desfeito antes da hora.

Um segundo ponto muito importante também é não sacar recursos apenas de aplicações que ainda vencerão. Resgates antecipados costumam causar perdas na rentabilidade esperada. Ou seja, pode prejudicar bastante o desempenho da carteira.

Por fim, cheque as taxas incluídas na operação. Procure saber exatamente se haverá alguma cobrança adicional, como pedágios de entrada e saída de títulos. O pagamento de impostos também devem ser considerados. Assim, busque movimentar as aplicações mais antigas pois elas pagam menos tributos. Quanto maior for o tempo de aplicação, menor será a alíquota incidente.

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Com Ronaldo Araújo

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