Alta da Selic em 2021: veja como ficam os investimentos até o fim do ano

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

O Banco Central iniciou um movimento recente de alta na taxa Selic. Diversos analistas encaram esse momento como uma sinalização ao mercado e um indício que é só o começo. Dessa forma, é possível que seja observado uma migração de recursos entre os mercados de renda fixa e de renda variável.

Este artigo falará sobre a expectativa para os investimentos com alta da taxa Selic. A projeção já aponta para uma taxa de 6% ao ano no fim de 2021. Ao ler o texto, você saberá o que esperar dos principais papéis do mercado de renda fixa, já que eles são diretamente afetados pela elevação na taxa de juros básicos da economia.

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Renda Fixa

O movimento de alta no valor da taxa Selic pode ser encarada como uma aliada do investidor conservador. A razão disso é que os investimentos em renda fixa acabam sendo favorecidos quando a taxa se eleva. A maioria desses papéis são atrelados a algum tipo de índice correlacionados à Selic e, com isso, rendem mais toda vez que a taxa sobe.

Esse é o caso dos títulos atrelados ao CDI ou IPCA. Grande parte do mercado financeiro de papéis de renda fixa obedece essa lógica e ter esse tipo de investimento em carteira pode favorecer bastante os ganhos, sobretudo naqueles em que se pode ter previsibilidade, como é o caso dos títulos pré-fixados.

Renda Variável

Um fato que pode ser curioso nessa elevação da taxa Selic é que ela pode não ter tanto impacto sobre as aplicações de renda variável, sobretudo na bosa. A explicação para isso é que mesmo uma taxa de 6,5% ao ano não é suficiente para retirar a atratividade do mercado de risco de forma que o capital migre para a renda fixa.

Outro fator que pesa muito nesse sentido é o fato de que a taxa de juros mais elevada do que a atual beneficia o fluxo de caixa das empresas e isso ajuda a reduzir o impacto dos riscos no curto prazo. O câmbio depreciado também ajuda em alguns tipos de vendas.

É o caso de empresas dolarizadas, também chamadas de exportadoras. Como sua receita é auferida em dólares, seu faturamento tende a aumentar. Isso é observado com mais intensidade entre as companhias que comercializam algum tipo de commodities e isso é uma das especialidades do Brasil. De olho então em organizações que têm em sua cadeia produtiva produtos ligados ao aço, petróleo ou mesmo a soja.

Alternativas de investimentos

Todo esse cenário costuma trazer movimentação de capital no mercado financeiro. Se esse é o seu caso, busque conhecer as alternativas existentes e o potencial de cada uma delas. A seguir explicitamos melhor algumas opções para investir com a alta na taxa Selic.

CDB

Uma boa opção de investimento nesse momento de alta da Selic volta a ser os títulos de instituições bancárias. Os chamados Certificados de Depósito Bancário têm seu rendimento expresso (e portanto atrelado) ao CDI. Esse índice reflete um retorno muito próximo à Selic, apenas levemente abaixo.

E o que pode tornar bastante atraente alguns CDBs bancários é justamente o movimento anterior da Selic que acabou pondo-a no nível mais baixo de sua história. Como seu valor ficou em 2% ao ano durante um período considerável, alguns bancos resolveram elevar o rendimento como forma de atrair novos investidores.

Assim, muitos títulos foram ofertados ao mercado com retornos de 150% ou 160% do CDI. Mas perceba um detalhe muito importante: com a Selic a 2% ao ano, um CDB que renda 150% do CDI resulta em uma rentabilidade de 3% após 12 meses de aplicação. Realmente pode não ser tão interessante, dado a alta recente da inflação.

No entanto, a grande sacada pode estar em buscar esses títulos no momento atual. O motivo maior é que ainda pode ser possível encontrar esses papéis remunerando da forma que foi citada. Dessa forma, o mesmo título passará a render bem mais porque ele continua atrelado ao CDI e, portanto, à taxa Selic.

Isso quer dizer que um CDB que retorne 150% do CDI renderá 9,75% ao ano para o caso em que a Selic seja fixada em 6,5%. É uma grande diferença, não é mesmo? E perceba que se trata do mesmo título, mas é preciso garimpar o mais rápido possível, pois a oferta não deve perdurar por muito mais tempo. Convém lembrar que CDBs bancários contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito ― FGC.

 

Títulos de inflação

Um dos principais motivos para o início do movimento recente de alta da Selic certamente foi a elevação dos níveis de inflação. A razão dessa crescente nos índices de preço se deu não somente no Brasil, mais no mundo todo. E isso se deve à pandemia que o mundo atravessou recentemente. 

Observar esse movimento no mercado é muito importante porque a inflação tem impacto direto nos investimentos em geral. Somente após descontado seu valor é que pode-se chegar ao chamado ganho real, que é o rendimento nominal de uma aplicação menos a inflação do período. Uma inflação elevada pode prejudicar os investimentos.

No entanto, existe uma forma de fazer com que um movimento ruim jogue favoravelmente ao seu dinheiro: são os títulos que são atrelados à inflação. Investir em um papel desses significa ter um rendimento real garantido, pois o retorno do título é expresso por um percentual acima da inflação, independente de qual seja seu valor.

Os chamados títulos IPCA são negociados na plataforma do Tesouro Direto e é o mecanismo por meio do qual se adquire os títulos de dívida pública. Existem várias datas de vencimento, com papéis vencendo a partir de 2026. Quanto maior o prazo de aplicação, maior o retorno conseguido.

Nos títulos mais breves, é possível encontrar retornos reais de 3,66% ao ano. Já os mais longos entregam rentabilidade real acima de 4% ao ano, com o papel de vencimento em 2055 entregando 4,33% de juros reais. Com a inflação em 8% ao ano, esse título pagaria um total de 12,33% ao ano, praticamente o dobro da taxa Selic se fixada em 6,5% ao ano.

Crédito privado

Também há boas oportunidade entre os papéis de crédito privado com a alta da Selic. Essa modalidade de investimento é representada pelos títulos de dívidas emitidos por empresas da iniciativa privada. Trata-se de um mecanismo para efetuar a captação de recursos junto ao mercado. Em contrapartida o investidor recebe uma remuneração.

Entre esse tipo de título, destacam-se as emissões de empresas do setor imobiliário e de agronegócio. São os Certificados de Recebíveis Imobiliários ― CRI ― e do Agronegócio ― CRA. Além desses, também pode-se contar com as debêntures, sobretudo as incentivadas que visam a aplicação obrigatória do recurso captado em projetos de infraestrutura.

Um dos fortes aspectos que deve guiar a tomada de decisão do investidor é a classificação de risco do título analisado. Duas modalidades merecem especial atenção: são os papéis high yield e os high grades. Enquanto os primeiros têm uma expectativa de retorno maior embutida em suas taxas, os segundos têm alta qualidade de crédito, porém menor retorno garantido já que o risco é menor.

Dessa forma, os papéis high yield podem proporcionar maiores retornos. É possível encontrar títulos que bonificam o investidor em até 1% a mais que os próprios títulos de inflação. No médio e longo prazo essa diferença pode aumentar consideravelmente o retorno dos investimentos. Por isso, vale a pena fazer um estudo mais cuidadoso no momento de escolher esses papéis.

Poupança

A poupança também se beneficia da alta da Selic. Como não poderia deixar de ser, o investimento preferido da nação (nesse momento) também merece alguma atenção. Com a projeção de 6,5% ao ano para a taxa Selic, o retorno do investimento continua baixo. Além disso, com os atuais níveis de inflação, o resultado é a perda de dinheiro.

Em resumo, sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a poupança renderá 70% do seu valor. Assim, se confirmada a projeção de 6,5% para a taxa básica de juros, a poupança renderá apenas 4,55% ao ano. Não é difícil perceber que o valor é bem abaixo da projeção da inflação na casa de 8%. Definitivamente, aplicar na poupança continua sendo uma das piores escolhas de investimento a se fazer.

Ajuste na carteira

Feitas todas as análises, chega o momento de ajustar a carteira. Essa tarefa é conhecida com rebalanceamento e consiste em alocar movimentar os recursos de forma a equilibrar novamente o dinheiro aplicado. Após algum tempo, é normal que algumas aplicações se destaquem frente a outras e fiquem com maior volume de recursos.

No entanto, alguns aspectos precisam ser considerados para o caso de fazer alguma mudança visando aplicações na renda fixa. Primeiramente, os objetivos traçados anteriormente precisam ser analisados. Dessa forma consegue-se que nenhum planejamento seja desfeito antes da hora.

Um segundo ponto muito importante também é não sacar recursos apenas de aplicações que ainda vencerão. Resgates antecipados costumam causar perdas na rentabilidade esperada. Ou seja, pode prejudicar bastante o desempenho da carteira.

Por fim, cheque as taxas incluídas na operação. Procure saber exatamente se haverá alguma cobrança adicional, como pedágios de entrada e saída de títulos. O pagamento de impostos também devem ser considerados. Assim, busque movimentar as aplicações mais antigas pois elas pagam menos tributos. Quanto maior for o tempo de aplicação, menor será a alíquota incidente.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.