A valorização do dólar observada desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã pode se reverter caso os preços do petróleo recuem. A avaliação é da Fitch Ratings, que nesta terça-feira (29) publicou análise sobre os movimentos do mercado de câmbio global nas últimas semanas.
Segundo a agência, as oscilações das moedas ao redor do mundo têm seguido de perto o grau de exposição de cada país à disparada do preço do petróleo.
“Países menos expostos ao conflito EUA-Irã, medido pela participação das importações líquidas de petróleo no PIB, tenderam a registrar menor depreciação frente ao dólar”, afirma Alex Muscatelli, diretor da Fitch Ratings.
Entre os países do grupo Fitch-20, as maiores desvalorizações frente ao dólar entre 27 de fevereiro e 24 de abril foram registradas por África do Sul (3,8%), Índia (3,3%), Indonésia (2,7%) e Coreia do Sul (2,6%). O real brasileiro, no entanto, seguiu caminho oposto.
“Brasil e Rússia viram suas moedas se apreciarem de forma significativa no período”, destaca Muscatelli.
Fora do grupo Fitch-20, as maiores perdas foram do Egito (9,7%), Filipinas (5,1%) e Tailândia (4,2%). Do lado positivo, destacaram-se Cazaquistão (6,8%), Israel (4,8%) e Hungria (2,3%).
Apesar do desempenho recente favorável, a perspectiva para o real não é animadora.
“O won coreano deve se apreciar de forma significativa, enquanto o real brasileiro, o rublo russo e o peso mexicano devem cair“, projeta o diretor.
Para o dólar como um todo, a Fitch estima uma depreciação adicional de 0,5% no índice DXY até o fim de 2026, com estabilidade frente ao euro e ao yuan.
“Esperamos uma reversão parcial dos movimentos cambiais relacionados ao conflito nas próximas semanas”, conclui Muscatelli.






