4 maneiras de fazer seu dinheiro render nos investimentos

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Foto: Investimentos que fazem seu dinheiro rendes

Para render mais o dinheiro que sobra no fim do mês, investidores buscam o mercado financeiro. No artigo “Como montar uma carteira de investimentos”, comentamos sobre as variáveis que devemos analisar ao montar um portfólio. Mas vamos falar de novo sobre uma delas: objetivos e demandas.

Existem investidores conservadores, moderados e agressivos. Porém, para cada tipo de investidor existem diferentes demandas.

Um investidor pode querer fazer seu dinheiro render. Outros, a conservação e proteção do mesmo. Existem ainda um terceiro tipo: aqueles que procuram uma renda extra, um “faz me rir” periódico para complementar o salário ou aposentadoria.

E é exatamente essa última classe de investidores que o artigo de hoje será destinado. Afinal, quais são os produtos que fazem o dinheiro render periodicamente?

O que é renda?

Primeiramente, vamos definir o que seria renda. Em resumo, entra aqui todo o fluxo de caixa gerado por um ativo sem que precisemos nos desfazer ou reduzir nossa participação nesse ativo.

Assim, quando recebemos um aluguel, isso seria considerado uma renda. Em outras palavras: houve um fluxo positivo para o dono do imóvel e ele continua sendo o proprietário desse ativo.

Por outro lado, se temos uma posição de ações e todo mês vendemos um pouquinho da nossa posição (independente de lucro ou prejuízo) para complementar nossos ganhos, isso não seria considerado renda. No máximo, seria uma renda “fake, pois foi preciso se desfazer de parte do ativo, reduzindo nossa participação nele.

Uma vez definido o conceito de renda, vamos falar sobre cada um dos produtos que fazem seu dinheiro render.

Em ordem do mais conservador para os mais agressivos e complexos, temos:

Títulos públicos com pagamento de cupom semestral

Basicamente quando investimos em produtos de renda fixa, estamos emprestando dinheiro para alguém. Por outro lado, esse alguém nos devolve o dinheiro acrescido de um juro.

Por exemplo, quando investimos numa LC – Letra de Câmbio – financiamos as financeiras. Já quando investimos em uma debênture financiamos empresas privadas. Por fim, quando investimos em CDB’ financiamos instituições financeiras.

Nos títulos públicos, financiamos nosso governo.

Opções de títulos

Na grande maioria dos casos, o fluxo de caixa é único, há uma saída de caixa “x” e uma reentrada de caixa “x + juros”, no futuro. No entanto, existem dois casos específicos em que esses juros não são pagos apenas no vencimento e sim semestralmente de forma periódica, são eles:

  • NTN-B ou Tesouro IPCA: é composto por duas partes: a primeira parte é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Em outras palavras, a inflação. Dessa forma, esse título irá sempre “corrigir” o valor de acordo com a inflação do período, mantendo o poder de compra do investidor. A segunda parte é um juro prefixado que é pago semestralmente (lembrando que existe a NTN-B Principal, onde não há pagamentos de juros semestrais). Assim, esse título é capaz de suprir duas demandas, manter o poder de compra do investidor – conservação e manutenção do patrimônio – e garantir um fluxo de caixa periódico. Ou seja, protege o investimento da inflação e faz o seu dinheiro render com os juros.
  • NTN-F ou Tesouro prefixado com juros semestrais: Essa segunda opção, ainda nos títulos públicos, não é corrigida por nenhum índice de inflação. Ou seja, só há o pagamento de juros semestrais, que neste caso são bem mais “gordos” para fazer seu dinheiro render. Cabe ao investidor provisionar ou reinvestir a parcela necessária para manter o poder de compra do investimento. Ressalto aqui que existe a versão sem juros semestrais desse título, que é chamada de LTN ou Tesouro Prefixado.

Fundos Imobiliários

Imagine você dono de um shopping center ou um pavilhão de logística. Agora, imagine esses ativos com uma vacância muito baixa lhe rendendo um alto valor de aluguel.

Pareceria até um sonho se não fosse alguns pontos negativos impossíveis de não imaginarmos juntos. Afinal, quantos milhões de reais seriam necessários para nos tornarmos donos de um ativo como esse?

Quanta manutenção periódica deve ser feita? E os inquilinos, como gerenciar e negociar com eles?

Sem dúvidas, o ônus e o bônus desse exemplo caminham de mãos dadas. No entanto, no mercado financeiro há uma modalidade de investimento que vem ganhando muita relevância, principalmente nesse cenário de juros baixos: os fundos imobiliários

Como funciona

Basicamente o fundo reúne recursos de diversos investidores para aquisições de grandes ativos imobiliários. Assim, você não precisa se preocupar em não ter milhões, nem com as manutenções, nem mesmo a negociação com os inquilinos. O fundo possui uma equipe competente e experiente para cada um desses pontos.

Por outro lado, o aluguel gerado por esses ativos “pinga” todo o mês na sua conta isentos de imposto de renda. Claro, é proporcional a participação de cada cotista no fundo.

Assim, se o fundo tiver 100 cotas e você possuir 10, receberá 10% do aluguel. Em outras palavras, se o fundo gerar R$100 mil de aluguel, R$10 mil iriam para o seu bolso isentos de IR!

Existem hoje mais de 100 Fundos Imobiliários, cada um com configurações diferentes de carteira. Alguns exemplos: lajes corporativas, shoppings, pavilhões de logística, hotéis, etc. As cotas podem ser adquiridas na bolsa de valores, muito semelhante a uma ação.

As cotas têm seus preços negociados diariamente, logo, oscilam.

Os proventos mensais oriundos desses aluguéis são isentos de IR. Porém, eventuais ganhos de capital, ou seja, apreciação da cota, são cobrados 20% de IR.

Para quem tem um perfil moderado ou agressivo (pois a cotas oscilam diariamente e podem acarretar em perda do principal), os Fundos Imobiliários são uma excelente opção para quem procura fazer o dinheiro render periodicamente. Muitas vezes rende mais do que aluguéis convencionais com muito menos “dor de cabeça”.

Ações

O mercado acionário é mais uma opção para o seu dinheiro render. Ações são a mínima fração de uma empresa e determinam a participação do mesmo nos negócios. As ações estão para uma empresa da mesma forma que as cotas estão para um fundo imobiliário. Em resumo, existem duas maneiras de conseguir render o dinheiro.

A primeira maneira é recebendo proventos (dividendos ou juros sobre capital próprio). Assim, toda vez que esse ativo gerar lucro, uma parte desse lucro é reinvestido no próprio negócio. Já outra parte é dividido aos acionistas de acordo com a participação acionária de cada um.

Cabe lembrar duas definições bem importantes aqui:

  • Pay out: percentual do lucro líquido distribuído aos acionistas. Assim, se uma empresa lucrou R$100 milhões e distribuiu R$60 milhões na forma de dividendos, dizemos que o pay out foi de 60%.
  • Dividend yield: percentual de dividendos em relação ao capital investido. Assim, se um investidor pagou R$10 mil por “x” ações e recebeu R$1 mil em dividendos no ano, dizemos que o dividend yield foi de 10%.

A periodicidade dos proventos geralmente é semestral. Apesar disso, algumas empresas optam pelo pagamento mensal.

Aluguel

A segunda maneira de obter renda a partir de uma posição acionária é as alugando.

Existe um tipo de operação em bolsa chamada de short sell no qual o especulador espera a queda de determinada ação. Assim, ele aluga os papéis de alguém, vende e, se tudo correr bem, as recompra mais barato. Ou seja, o lucro vem da diferença da venda para a recompra (que foi mais barata).

Podemos colocar nossas ações a disposição desses traders e especuladores. Mas eles pagarão uma taxa de juros pelo tempo em que ficarem com as ações alugadas.

Vale ressaltar que todos os proventos serão do dono da ação, mesmo que eles sejam pagos enquanto os papéis estiverem alugados. Na verdade, o mais usual são aluguéis reversíveis que não travam os ativos caso os donos queiram negociá-los.

O operacional é bem fácil. Basta solicitar a aderência a custódia remunerada, que uma vez aceita irá disponibilizar suas ações no mercado.

A corretora é responsável por intermediar essas operações e também pela cobrança e pagamento dos juros.

Venda coberta de opções

A nossa última modalidade investimento que faz seu dinheiro render é um pouco mais complexa e se chama venda coberta de opções.

No entanto, a operação que mostrarei aqui é bem mais simples.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.

Fizemos um esquema simples, inicial, para ser entendido facilmente.img-grfico

Observações

  • Existem dois ativos: CALL e PUT. CALLs são as opções de compra, enquanto as PUTs são as opções de venda;
  •  Se existem dois ativos distintos, logo temos 4 players na jogada: comprador de CALL, vendedor de CALL, comprador de PUT e vendedor de PUT. Esse item ajuda bastante a desfazer os nós de conhecimento sobre esse mercado;
  • Todo o comprador seja de CALL ou PUT, tem o direito de exercer seu ativo, caso seja vantajoso. O prejuízo máximo é limitado ao prêmio pago e o lucro máximo é ilimitado;
  •  Todo vendedor seja de CALL ou PUT, tem a obrigação de fazer a contraparte do direito exercido, mesmo que não seja vantajoso para ele. Isso porque ele é vendedor do direito. O prejuízo máximo é ilimitado e o lucro máximo é limitado ao prêmio recebido;
  •  Até mesmo para traders mais experientes, a dica é: compras a seco, vendas cobertas! Jamais venda opções sem estar “coberto”, e é justamente isso que faremos para obter nossa última forma de renda no mercado financeiro, uma venda coberta!

Exemplo 1

Comecemos pela alternativa mais conhecida: a venda coberta de CALL. Digamos que você tenha comprado 1000 ações da PETR4 por R$25,65 e venda 1000 opções dela para vencimento no dia 18/06/2022 com preço de exercício em R$28 (PETRF28, sendo negociada a R$0,51). Assim, iremos embolsar R$510 (1000 x R$0,51) e teremos 4 cenários no vencimento:

  • PETR4 cai de valor, perderemos no ativo o valor que cair abaixo do nosso preço de compra de R$25,65. Mas embolsaremos todo o prêmio recebido na venda das opções. Os direitos não serão exercidos, pois não faria sentido o dono do direito exercer seu direito de compra a R$28,00 se ele poderá comprar o ativo abaixo de R$25,65;
  • PETR4 se mantém exatamente no mesmo preço. Não iremos perder nada no ativo e ainda embolsaremos todo o prêmio recebido. Os direitos não serão exercidos. Não faria sentido o dono do direito exercer seu direito de compra a R$28,00 se ele poderá comprar o mesmo ativo a exatos R$25,65;
  • PETR4 sobe para algo em torno de R$27,80. Teremos lucro com o ativo (de R$25,65 até R$27,80) e embolsaremos todo o prêmio. Mesmo nesse caso os direitos não serão exercidos. Não faria sentido o dono do direito exercer seu direito de compra a R$28,00 se ele poderá comprar o mesmo ativo a R$27,80;
  • PETR4 sobre para R$30,00. Teremos lucro no ativo até R$28,00 e embolsaremos todo o prêmio. Nesse cenário nosso lucro é limitado até o preço de exercício. Acima desse valor já fará sentido o dono do direito exercer seu direito de compra por R$28,00, afinal o ativo está sendo negociado mais caro por R$30,00.

Estratégia

Note que em todos os cenários o prêmio será embolsado pelo o vendedor. Existem maneiras de lidar com a venda coberta de CALL: proteção, exercício e renda. Como nosso foco é essa última opção, você pode vender CALLS acima do preço negociado pelo ativo objeto.

Quanto mais acima, mais difícil será o exercício e menor será o prêmio que receberemos e vice-versa.

A segunda alternativa é a venda coberta de PUT. Tente entender bem a primeira alternativa. Caso contrário, não recomendo ler sobre essa segunda alternativa, pois irá gerar muita confusão inicialmente.

Na venda coberta de PUT, você ainda não tem os papéis, mas gostaria de comprá-los. Em vez de ir a mercado simplesmente comprar a PETR4 por R$25,65, você investe todo o valor num título público como o Tesouro Selic  que geralmente serve 100% do valor dela como garantia para operações e vende uma PUT com o preço de exercício mais próximo do preço de mercado da PETR4, no nosso exemplo PETRR257 para vencimento 18/06/2022 e preço de exercício em R$25,75. O prêmio sendo negociado a R$1,04.

Exemplo 2

Seremos mais práticos dessa vez, explicando dois cenários:

  • PETR4 sendo negociada acima do preço de exercício de R$25,75. Embolsaremos o prêmio de R$1040 (1000 x R$1,04) e não seremos exercidos, pois o detentor do direito achará mais vantajoso VENDER seus ativos a mercado que estará acima do preço de exercício. ATENÇÃO: Se suas análises indicarem forte alta para o ativo, então sugiro comprar ação diretamente mesmo, pois nesse caso mesmo que tenhamos embolsado todo o prêmio, não conseguimos comprar os ativos. Assim podemos ficar de fora de um possível “rally” de alta.
  • PETR4 sendo negociada abaixo do preço de exercício de R$25,75. Embolsaremos o prêmio de R$1040 (1000 x R$1,04) e seremos exercidos, pois o detentor do direito achará mais vantajoso exercer seus direitos de venda a vender seus ativos a mercado que estará abaixo do preço de exercício. Nós como vendedores de PUT, teremos a obrigação de fazer a contraparte, logo seremos obrigados a comprar o ativo a R$25,75, mesmo que ele esteja abaixo desse valor. Porém cabe lembrar que já tínhamos planejado de comprar o ativo e estaríamos perdendo nele igual, caso tivéssemos comprado diretamente a PETR4 a mercado anteriormente.

Assim, encerramos as maneiras possíveis de fazer seu dinheiro render no mercado financeiro.

Nos esforçamos para deixar as vendas cobertas o mais simples possível, mas elas ainda podem gerar dúvidas.

Se quiser fazer mais perguntas, preencha o formulário abaixo para falar gratuitamente com um assessor de investimentos.