Como montar uma carteira de investimentos

Muitas pessoas me perguntam: Como montar uma carteira de investimentos? Sem dúvidas essa é uma pergunta recorrente principalmente para os menos experientes e os pontos que eu levanto aqui, são geralmente os pontos que eu analiso no início de uma assessoria de investimentos.

Arthur Severo
Arthur Severo Rodrigues é assessor de investimentos há mais de 11 anos. Possui as certificações ANCOR, CPA-20 e CEA. Foi trader de alta frequência do mercado de opções da BM&FBOVESPA por 3 anos, rentabilizando mais de 4000% seu investimento inicial. Também é entusiasta e investidor de criptomoedas, possui a certificação CBP (Certified Bitcoin Professional) emitido pela C4 - CryptoCurrency Certification Consortium. É formado em administração pela ESAG – UDESC.Celular: (48) 9 8824 1812 ramal: (48) 3031 3739 e-mail: arthur.severo@euqueroinvestir.com
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OBJETIVOS E DEMANDAS

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O primeiro ponto que você, investidor deve se perguntar ao iniciar sua jornada no mundo dos investimentos é qual seu objetivo ou demandas de vida, ou seja, você quer se preparar para aposentadoria, comprar um terreno ou casa própria, alguma viagem, garantir o estudo dos filhos?

[box type=”success” align=”” class=”” width=””]Cada investidor deve saber responder essa pergunta de forma clara e transparente, aliás você jamais deve mentir para si próprio, principalmente quando estiver traçando um plano para alcançar um sonho.[/box]

INVESTIMENTO INICIAL E POUPANÇA MENSAL

Uma vez traçado seu objetivo ou sonho, você deve quantificar financeiramente o quanto será preciso ter no futuro para comprar/alcançar o que você almeja. Por exemplo, eu quero me preparar para aposentadoria e viajar, preciso de R$2 milhões para minha aposentadoria mais R$15 mil reais por ano para uma viagem com a família.

Quantificado os valores para seus objetivos, é hora de planejar qual seria a poupança mensal, ou seja, quanto você consegue ou estaria disposto a guardar de dinheiro para seus investimentos. Veja bem, esse número deve ser realista. Se você ganha R$10 mil e gasta R$7 mil por mês, teria condições de guardar R$3 mil. Se você precisa guardar mais do que R$3 mil para alcançar seus objetivos, ou terá que aumentar suas entradas mensais ou diminuir a saídas. Isso seria possível? Se sim, ótimo; se não, talvez seja preciso replanejar algum outro ponto como a idade que pretende se aposentar ou realizar sua viagem com menos conforto.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Além da poupança mensal, se houver valores já poupados, os mesmos devem ser estabelecidos nessa parte.

[box type=”warning” align=”” class=”” width=””]Lembrando que quanto maiores os valores iniciais, mais fácil chegaremos no nosso objetivo, uma vez que a rentabilidade incidirá em cima de um montante maior e muitas vezes temos acesso a produtos financeiros diferenciados.[/box]

Uma vez definidos os pontos iniciais (demandas e objetivos; poupança inicial e mensal), o investidor deverá definir a melhor configuração do que eu chamo de tripé financeiro dos investimentos: risco, retorno (rentabilidade) e liquidez.

TRIPÉ FINANCEIRO DOS INVESTIMENTOS

Nessa parte deve ficar claro o seguinte: Existem duas maneiras de melhorar a rentabilidade dos seus

investimentos (afinal todos querem ganhar mais dinheiro), uma seria injetando risco. Você pode, por exemplo, trocar um fundo de renda fixa por um fundo multimercado com mais risco que vem entregando uma rentabilidade superior.

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Caso o investidor não queira injetar risco, ele pode injetar prazo. Um CDB com liquidez diária rende em torno de 100% do CDI, enquanto um CDB para 3 anos rende em torno de 115% do CDI.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Toda a carteira de investimentos, em algum momento, irá se deparar com esses trade-offs, e você investidor deve estar preparado e bem alinhado com seus objetivos e perfil para tomar a melhor decisão.[/box]

NECESSIDADE LIQUIDEZ E RESERVA DE EMERGÊNCIA

Por liquidez entenda a facilidade de ter o dinheiro disponível em sua conta. Assim, se seus gastos e receitas mensais costumam ser mais voláteis, talvez seja necessária mais liquidez para os meses ruins.

[box type=”warning” align=”” class=”” width=””]A reserva de emergência, também tratada como necessidade de liquidez, geralmente gira em torno de 20% do patrimônio financeiro.[/box]

Porém, essa reserva é muito pessoal, há pessoais que se sentem mais seguras com uma reserva maior, outras que confiam nos seus fluxos de caixa e resiliência do posto de trabalho, podem trabalhar com reservas de emergência menores.

AVERSÃO A RISCO

riscoO risco ou aversão a risco é algo muito subjetivo, você deve ser perguntar como suportaria perdas financeiras nos seus investimentos. Se você é daqueles que não suportam nenhum tipo de variação financeira, nem mesmo diária e temporária, opte por investimentos ultraconservadores.

Se você, por outro lado, entende que muitos investimentos podem variar de forma contrária ao que gostaríamos a fim de alcançar uma rentabilidade superior e fica tranquilo com esse cenário, mantendo a calma nos momentos de “loucura” do mercado, seria possível adicionar investimentos mais arriscado ao seu portfólio, logo seu perfil seria moderado ou até mesmo agressivo.

Existe hoje o formulário de perfil de investidor, presente na maioria das corretoras hoje em dia que através de simples perguntas é possível identificar que tipo de investidor é você ou pelo menos ter uma noção bem fidedigna.

RENTABILIDADE (RETORNO)

Todo o investidor gosta de ganhar dinheiro, quanto mais melhor. As finanças comportamentais, área que vem ganhando muita relevância nos últimos anos, traz que para um mesmo grau de risco, o investimento que render melhor será sempre preferido ao investimento que render menos.

No entanto, precisamos analisar se essa rentabilidade está de acordo com as necessidades de liquidez e a aversão a risco estipuladas nos passos acima. Por fim, uma vez alinhado todo o “tripé financeiro dos investimentos”, devemos verificar se a rentabilidade esperada com nosso portfólio supri nossa expectativa de retorno.

Esse retorno, lembrando, é o retorno que precisamos para atingir nossos objetivos e demandas estipulados inicialmente baseados na nossa capacidade de poupança mensal e o valor inicial investido.

CUIDADOS COM A INFLAÇÃO

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Basicamente a inflação é a alta contínua e generalizada de preços. No Brasil temos alguns índices de preços para medir esse fenômeno como o IPCA e o IGP-M. Cada índice é calculado de uma maneira, dando pesos diferentes para cada item da sesta de produtos do índice em questão.

No momento em que vários produtos e serviços de nossa economia aumentam de preço (inflação) nosso dinheiro passa a valer menos, ou seja, conseguimos comprar cada vez menos coisas com aquele mesmo dinheiro. Então temos a seguinte definição para ela:

“INFLAÇÃO É A ALTA CONTÍNUA E GENERALIZADA DE PREÇOS, ACARRETANDO NA PERDA DO PODER DE COMPRA DA MOEDA”

Ok, tudo isso é muito bonito na teoria, mas o que isso tem a ver com nossos investimentos?

Explico, de nada adianta termos o famoso 1% ao mês se a alta de preços for superior a isso. Imagine que no começo do ano nos investimos R$10 mil em um produto que renda 15% ao ano, logo, no final desse mesmo ano teremos R$11,5 mil.

Agora imagine uma sesta de produtos e serviços da nossa economia que valha R$1000 e a inflação acumulada no ano seja de 25%, logo essa sesta no final desse ano custará R$1250.

No começo do ano nosso dinheiro comprava 10 sestas (10000 / 1000 = 10), no final desse ano mesmo após nosso dinheiro ter rendido, teremos menos poder de compra uma vez que compraremos menos sestas (11500 / 1250 = 9,2).

Toda vez que escutarem RENDIMENTOS NOMINAIS, estamos falando única e exclusivamente do rendimento absoluto. Porém quando o termo utilizado for RENDIMENTOS REAIS, isso significa que estamos descontando a inflação desse rendimento absoluto.

É o rendimento real que importa, é ele que mensura se estamos mais ricos ou mais pobres. Um caso clássico foi em 2015, quando muitos investidores leigos estavam felizes com o rendimento da poupança que ultrapassava os 8% ao ano; no entanto, a inflação desse ano beirou os 10%, logo, todos os investidores de poupança ficaram mais pobres em 2015.

ACOMPANHAMENTOS PERIÓDICOS, MAS DÊ TEMPO PARA SEUS INVESTIMENTOS

Uma vez alinhado os investimentos com nosso perfil e objetivos, devemos definir acompanhamentos periódicos para saber se nossa estratégia está performando de acordo com o planejado. Em caso negativo, fazer as alterações necessárias. Porém, pontuo um erro recorrente dos investidores de uma forma geral: NÃO DAR TEMPO AOS INVESTIMENTOS.dinheiro-inflação

Devemos acompanhar, mas cuidado para esse acompanhamento não gerar movimentações desnecessárias por pura ansiedade. Apesar de achar esse “tempo” meio subjetivo, creio que nenhuma alteração no portfólio deva ser realizada com menos de seis meses, salvo casos específicos de notícias relevantes sobre algum ativo que estejamos posicionados.

PRODUTOS FINANCEIROS

Nessa parte, pretendo discorrer de forma simples e sucinta sobre os produtos financeiros que temos disponíveis hoje em dia para montar nosso portfólio, são eles:

RENDA FIXA (TÍTULOS PÚBLICOS PÓS):

Esse é o ativo mais conservador de todos, conhecido como LFT ou TESOURO SELIC. Sua rentabilidade está atrelada a taxa básica de juros ou SELIC, ou seja, se a taxa aumentar, o rendimento aumenta; se diminuir, o rendimento irá diminuir também.Checklist

Nenhum título público conta com o FGC, porém o risco é soberano, dificilmente haverá um calote da dívida interna, uma vez que o governo pode imprimir dinheiro e pagar todos seus credores (sim, o calote viria na forma de calote branco, ou seja, inflação).

O imposto de renda segue a tabela regressiva de imposto de renda que segue abaixo:

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RENDA FIXA (OUTROS PRODUTOS DE RENDA FIXA COM FGC):

Caso o investidor opte por um pouco mais de rentabilidade, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Depósito Bancário (CDB) e as Letras de Câmbio (LC) são boas opções. Esses produtos contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$1 milhão por CPF e R$250 mil por emissor.

O FGC garante os rendimentos e principal mesmo que a instituição emissora venha a falir, contanto que os limites sejam respeitados. Esses produtos rendem mais do que as LFT´s citadas acima e quanto mais prazo nesses produtos, mais rentabilidade. LCI´s e LCA´s são isentas de Imposto de Renda. CDB´s e LC´s seguem a tabela regressiva de Imposto de Renda.

RENDA FIXA (TÍTULOS PRÉ-FIXADOS):

Cito esses produtos como um pouco mais arriscados, pois a marcação a mercado desses títulos (o preço negociado hoje) varia de acordo com a curva de juros. Assim, caso o investidor deseje liquidar esses títulos antes do vencimento, o mesmo pode tirar até menos dinheiro do que investiu inicialmente.money

Meu conselho? A não ser que você seja um investidor muito experiente nesse tipo de trade, sugiro sempre levar esses títulos até o vencimento. Esses ativos também seguem a tabela regressiva de IR.

CERTIFICADO DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS (COE):

São produtos estruturados com títulos de renda fixa e opções (derivativos). Os COE´s tem diferentes tipos de configurações, porém a grande maioria deles possui capital protegido no cenário negativo e ganhos alavancados no cenário positivo, resultando numa das melhores matrizes de risco/retorno da atualidade.

Os Certificados de Operações Estruturadas também obedecem a tabela regressiva de Imposto de Renda.

FUNDOS IMOBILIÁRIOS:

São produtos que reúnem capital de diversos investidores para investimentos imobiliários. Os FII´s podem investir em shoppings, pavilhões de logística, prédios comerciais, papéis (dívida imobiliária), hotéis e até mesmo ser um fundo que investe em diversos outros fundos imobiliários. Independente do tipo, todos eles seguem um padrão de rendimentos mensais isentos de IR, o que faz deles um excelente produto para quem procura um fluxo mensal de rendimentos.

O ganho de capital da cota (quando vendemos ela mais caro do que compramos) incide tributação de 20% sobre o lucro.

AÇÕES:

São a mínima divisão do capital social de uma empresa. Ao se comprar ações de uma determinada empresa, o investidor se torna dono dela na proporção do total de ações compradas.

Existem duas maneiras de ganharmos dinheiro com ações: a primeira através de ganhos de capital (comprando uma ação para posterior venda a preços superiores); a segunda através de proventos como os dividendos que seria a divisão de parcela do lucro líquido da empresa proporcional a participação de cada investidor.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Os ganhos de capital incidem alíquota de 15% (vendas mensais inferiores a R$20 mil ao mês, estão isentos independente do lucro) e os dividendos são isentos de IR.[/box]

FUNDOS DE INVESTIMENTOS:

É a reunião de recursos de investidores para investimentos diversos, de acordo com o estatuto de cada fundo. Os gestores, pessoas que tomam as decisões de investimento do fundo, são pessoas extremamente capacitadas, experientes e bem informadas em seus mercados de atuação.ficar-rico

Existem fundos de renda fixa, ações, previdência e multimercados. Ações e renda fixa são fundos que mantém grande parte do seu PL em ativos do próprio nome de classificação. Os multimercados já possuem “carta branca” para investir em diferentes produtos e mercados, portanto, merece uma atenção extra para entender os riscos de cada fundo multimercado específico.

Os fundos de previdência também podem ser de renda fixa ou multimercado, mas devem respeitar algumas clausulas como por exemplo a não alavancagem.

Reforço que a explicação de cada produto acima foi bem sucinta, portanto, caso permaneçam dúvidas sobre eles, eu fico 100% a disposição para explica-los melhor. Meus contatos seguem no final da matéria.

ESTRATÉGIAS DE INVESTIMENTOS

Existem uma infinidade de estratégias de investimentos. Eu particularmente gosto de duas bem simples. Aliás, quando a estratégia é muito complexa e difícil de ser implementada, fuja delas.

BARBELL STRATEGY:

Sou um grande fã de Nassin Nicholas Taleb, já li todos os livros dele e todos sem exceção me acrescentaram muito. Não me recordo se essa estratégia foi criada pelo próprio Taleb, mas ele fala muito dela no seu livro Antifragilidade.

Essa estratégia consiste em manter de 90-95% dos seus investimentos em ativos conservadores como a renda fixa e de 5-10% dos investimentos em ativos ultra agressivos com assimetrias positivas como é o caso de opções fora do dinheiro.

REBALANCEAMENTO DE CARTEIRA RF/RV:

Essa é uma estratégia mais ativa e funciona da seguinte forma: você estipula um percentual de renda fixa e renda variável para seu portfólio. Para facilitar nosso exemplo, digamos que estipulemos R$50 mil para cada parte, totalizando uma carteira de R$100 mil.

No primeiro cenário, temos nossa parte variável subindo 45% (bolsa de valores subindo, ações subindo) enquanto nossa parte fixa valorizou 5% (títulos de renda fixa). Assim, no final desse período, temos R$72500 (RV) e R$52500 (RF) totalizando R$125 mil.

Se dividirmos esse novo valor em duas partes de 50% como inicialmente tinha sido estipulado, chegamos a um novo valor de R$62500. Nesse caso devemos vender a RV e comprar mais da RF para chegarmos a esse novo valor de R$62500 (50/50).

No segundo cenário, temos nossa parte variável caindo 50% enquanto nossa parte fixa valorizou 10%. Assim, no final desse período temos R$25000 (RV) e R$55000 (RF) totalizando R$80 mil.

Se dividirmos esse novo valor em duas partes de 50% como inicialmente havíamos estipulado, chegamos a um novo valor de R$40 mil. Nesse caso devemos vender RF e comprar mais da RV para chegarmos a esse novo valor de R$40 mil para cada lado.

Os rebalanceamentos podem ser periódicos, a cada seis meses ou a cada um ano por exemplo ou quando algum lado ficar muito mais “pesado” do que outro. Ambos são parâmetros subjetivos, ou seja, cada investidor irá trabalhar com um período ou peso diferente.

Apesar dessa parte subjetiva, notem que essa estratégia é uma maneira muito eficiente de praticarmos a máxima do mercado: COMPRAR BARATO E VENDER CARO, iremos comprar mais renda variável quando o mercado cair e vender quando o mercado subir.

Esforcei-me bastante para cobrir todos os detalhes na montagem de uma carteira de investimentos, tenho um único pedido para vocês: FEEDBACK, se a matéria deixou a desejar em qualquer frente, avisem o que poderia ser melhorado. Caso contrário, repassem esse conteúdo para o maior número de pessoas que possam se interessar pelo assunto.