Como montar uma carteira de investimentos

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
1

Foto: img-capa

Muitas pessoas perguntam: como montar uma carteira de investimentos? Sem dúvidas, esse é um questionamento recorrente, principalmente para os menos experientes.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Mas não se preocupe: depois desse artigo saberá quais os primeiros passos para montar uma carteira de investimentos. Claro, uma ajuda profissional sempre ajuda.

Aliás, os pontos levantados aqui são geralmente os tópicos analisados no início de uma assessoria de investimentos. No final te contamos como falar com um assessor!

Objetivos e demandas

filhos

O primeiro ponto que você deve se perguntar é qual seu objetivo ou demandas de vida. Ou seja, você quer se preparar para aposentadoria, comprar um terreno ou casa própria, alguma viagem ou garantir o estudo dos filhos? Defina isso!

Cada investidor deve saber responder essa pergunta de forma clara e transparente. Aliás, você jamais deve mentir para si próprio, principalmente quando estiver traçando um plano para alcançar um sonho.

Investimento inicial e aportes mensais

Uma vez traçado seu objetivo, você deve quantificar financeiramente o quanto será preciso ter no futuro para alcançar o que você almeja. Por exemplo, se quer se preparar para aposentadoria e viajar, precisa de R$ 2 milhões para a aposentadoria mais R$ 15 mil por ano para uma viagem com a família.

Quantificado os valores para seus objetivos, é hora de planejar qual seria o aporte mensal, ou seja, quanto você consegue guardar de dinheiro para seus investimentos. Veja bem, esse número deve ser realista. Se você ganha R$10 mil e gasta R$7 mil por mês, teria condições de aportar R$3 mil.

Se você precisa guardar mais do que R$3 mil para alcançar seus objetivos, terá que aumentar suas entradas mensais ou diminuir a saídas. Isso seria possível? Se sim, ótimo; se não, talvez seja preciso replanejar algum outro ponto como a idade que pretende se aposentar ou realizar sua viagem com menos conforto.

Lembrando que quanto maiores os valores iniciais, mais fácil chegará no seu objetivo, uma vez que a rentabilidade incidirá sobre um montante maior.

Uma vez definidos os pontos iniciais (demandas e objetivos; aporte inicial e mensal), o investidor definirá a melhor configuração do que se chama tripé financeiro dos investimentos: liquidez, risco e retorno. Vamos ao próximo passo para montar a carteira de investimentos.

Tripé financeiros dos investimentos

Nessa parte, deve ficar claro o seguinte: existem duas maneiras de melhorar a rentabilidade da carteira de investimentos. Uma seria injetando risco. Você pode, por exemplo, trocar um fundo de renda fixa por um fundo multimercado com mais risco que vem entregando uma rentabilidade superior.

Caso o investidor não queira injetar risco, ele pode injetar prazo. Um CDB com liquidez diária rende em torno de 100% do CDI, enquanto um CDB para 3 anos pode render em torno de 115% do CDI.

Toda a carteira de investimentos se deparará em algum momento com esses trade-offs, e você investidor precisa estar preparado e bem alinhado com seus objetivos para tomar a melhor decisão.

Liquidez

Por liquidez entende-se a velocidade com que se tem o dinheiro disponível em conta. Assim, se seus gastos e receitas mensais costumam ser mais voláteis, talvez seja necessária mais liquidez para os meses ruins.

A reserva de emergência, também tratada como necessidade de liquidez, geralmente gira em torno de 20% do patrimônio financeiro.

Porém, essa reserva é muito pessoal. Há pessoais que se sentem mais seguras com uma reserva maior. Já outras que confiam nos seus fluxos de caixa e resiliência do posto de trabalho, podem trabalhar com reservas de emergência menores.

Risco

riscoO risco é algo muito subjetivo, pois você deve ser perguntar como suportaria perdas financeiras nos seus investimentos. Se você é daqueles que não suportam nenhum tipo de variação, nem mesmo diária e temporária, opte por investimentos ultraconservadores.

Se, por outro lado, você entende que muitos investimentos podem variar de forma contrária ao que gostaríamos a fim de alcançar uma rentabilidade superior e fica tranquilo com esse cenário, seria possível adicionar investimentos mais arriscados ao seu portfólio. Logo, seu perfil seria moderado ou até mesmo sofisticado.

Você pode (e deve) saber qual é o seu perfil de investidor respondendo a um questionário disponibilizado pelas instituições financeiras que oferecem aplicações. Não deixe de fazê-lo para definir a carteira de investimentos.

Retorno

Todo o investidor gosta de ganhar dinheiro e quanto mais melhor. As finanças comportamentais (área que vem ganhando muita relevância nos últimos anos) diz que para um mesmo grau de risco, o investimento que render melhor será sempre preferido ao investimento que render menos.

No entanto, precisamos analisar se essa rentabilidade está de acordo com as necessidades de liquidez e quanto ao risco estipuladas nos passos anteriores. Por fim, uma vez alinhado todo o “tripé financeiro dos investimentos”, devemos verificar se a rentabilidade esperada com o portfólio supre a expectativa de retorno.

Esse retorno, lembrando, é a rentabilidade que se deve atingir para alcançar os objetivos e demandas estipulados inicialmente baseados na na capacidade de poupança mensal e o valor inicial investido.

Inflação

carteira de investimentos

Essa variável também deve ser considerada na carteira de investimentos. Basicamente a inflação é a alta contínua e generalizada de preços. No Brasil temos alguns índices para medir esse fenômeno, como o IPCA e o IGP-M. Cada um é calculado de uma maneira, dando pesos diferentes para cada item da cesta de produtos do índice em questão.

No momento em que vários produtos e serviços de nossa economia aumentam de preço, nosso dinheiro passa a valer menos. Ou seja, conseguimos comprar cada vez menos coisas com aquele mesmo dinheiro. Então, temos a seguinte definição para inflação.

“INFLAÇÃO É A ALTA CONTÍNUA E GENERALIZADA DE PREÇOS, ACARRETANDO NA PERDA DO PODER DE COMPRA DA MOEDA”

Relação com investimentos

De nada adianta termos o famoso 1% ao mês se a alta de preços for superior a isso. Imagine que no começo do ano investimos R$ 10 mil em um produto que renda 15% ao ano. Logo, no final desse mesmo ano teremos R$ 11,5 mil.

Agora imagine uma cesta de produtos e serviços da nossa economia que valha R$ 1000 e a inflação acumulada no ano seja de 25%, logo essa cesta no final desse ano custará R$1250.

No começo do ano nosso dinheiro comprava 10 cestas (10000 / 1000 = 10) e no final desse ano mesmo após nosso dinheiro ter rendido, teremos menos poder de compra uma vez que compraremos menos cestas (11500 / 1250 = 9,2).

Toda vez que escutarem rendimentos nominais, estamos falando única e exclusivamente do rendimento absoluto. Porém, quando o termo utilizado for rendimento real significa que estamos descontando a inflação desse rendimento absoluto.

É o rendimento real que importa, é ele que mensura se estamos mais ricos ou mais pobres. Um caso clássico foi em 2015, quando muitos investidores leigos estavam felizes com o rendimento da poupança que ultrapassava os 8% ao ano; no entanto, a inflação desse ano beirou os 10%. Logo, todos os investidores de poupança ficaram mais pobres em 2015.

Tempo

Uma vez alinhado os investimentos com o perfil e objetivos, devemos definir acompanhamentos periódicos para saber se a estratégia está performando de acordo com o planejado. Em caso negativo, fazer as alterações necessárias. carteira de investimentos

Devemos acompanhar, mas cuidado para esse acompanhamento não gerar movimentações desnecessárias por pura ansiedade. Apesar de achar esse “tempo” subjetivo, nenhuma alteração no portfólio deve ser realizada com menos de três meses, salvo casos específicos de notícias relevantes sobre algum ativo que estejamos posicionados.

Produtos financeiros

Nessa parte, será explicado de forma simples e sucinta os produtos financeiros disponíveis hoje em dia para montar a carteira de investimentos. A seguir, acompanhe as opções.

Títulos públicos pós-fixados

Esse é o ativo mais conservador de todos, conhecido como LFT ou Tesouro Selic. Sua rentabilidade está atrelada a taxa básica de juros ou Selic. Ou seja, se a taxa aumentar, o rendimento aumenta; se diminuir, o rendimento diminuirá também.Checklist

Nenhum título público conta com o FGC, porém o risco é soberano. Dificilmente haverá um calote da dívida interna, uma vez que o governo pode imprimir dinheiro e pagar todos seus credores (o calote viria na forma de calote branco, ou seja, inflação).

O imposto de renda segue a tabela regressiva abaixo.

grafico

Títulos pré-fixados

Esses produtos são um pouco mais arriscados, pois a marcação a mercado desses títulos (o preço negociado hoje) varia de acordo com a curva de juros. Assim, caso o investidor deseje liquidar esses títulos antes do vencimento, pode tirar até menos dinheiro do que investiu inicialmente.carteira de investimentos

Um conselho? A não ser que você seja um investidor muito experiente nesse tipo de operação, sugiro sempre levar esses títulos até o vencimento. Esses ativos também seguem a tabela regressiva de IR.

Produtos de renda fixa garantidos pelo FGC

Caso o investidor opte por um pouco mais de rentabilidade, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os CDBs e as Letras de Câmbio (LC) são boas opções. Esses produtos contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$1 milhão por CPF e R$250 mil por emissor.

O FGC garante os rendimentos e o principal mesmo que a instituição emissora venha a falir. Esses produtos rendem mais do que as LFTs citadas acima e quanto mais prazo nesses produtos, mais rentabilidade. LCIs e LCAs são isentas de imposto de renda. CDBs e LCs seguem a tabela regressiva de imposto de renda.

Certificado de Operações Estruturadas (COE)

São produtos estruturados com títulos de renda fixa e opções (derivativos). Os COEs tem diferentes tipos de configurações. Porém, a grande maioria deles possui capital protegido no cenário negativo e ganhos alavancados no cenário positivo. Com isso, possuem boas matrizes de risco/retorno da atualidade.

Os Certificados de Operações Estruturadas também obedecem a tabela regressiva de imposto de renda.

Fundos Imobiliários

São produtos que reúnem capital de diversos investidores para investimentos imobiliários. Os FIIs podem investir em shoppings, pavilhões de logística, prédios comerciais, papéis (dívida imobiliária) ou hotéis. Podem até mesmo ser um fundo que investe em diversos outros Fundos Imobiliários. Independente do tipo, todos eles seguem um padrão de rendimentos mensais isentos de IR. Isso faz deles um excelente produto para quem procura um fluxo mensal de rendimentos.

No ganho de capital da cota (quando vendemos ela mais caro do que compramos) incide a tributação de 20% sobre o lucro.

Ações

São a mínima divisão do capital social de uma empresa. Ao comprar ações de uma determinada empresa, o investidor se torna sócio dela na proporção do total de ações compradas.

Existem duas maneiras de ganhar dinheiro com ações: a primeira é por meio de ganhos de capital (comprando uma ação para posterior venda a preços superiores); a segunda é pelo recebimento de proventos, como os dividendos e juros sobre capital próprio que seria a divisão de parcela do lucro líquido da empresa proporcional a participação de cada investidor.

Os ganhos de capital incidem alíquota de 15%, sendo que as vendas mensais inferiores a R$20 mil ao mês são isentas independente do lucro. A carteira de investimentos de muitas pessoas hoje em dia tem um pedaço em ações.

Fundos de investimentos

É a reunião de recursos de investidores para investimentos diversos, de acordo com a política de investimentos de cada fundo. Os gestores são as pessoas que tomam as decisões de investimento do fundo. São profissionais extremamente capacitadas, experientes e bem informadas em seus mercados de atuação.carteira de investimentos

Existem fundos de renda fixa, ações, previdência e multimercados. Ações e renda fixa são fundos que mantém grande parte do seu PL em ativos do próprio nome de classificação. Já os multimercados já possuem “carta branca” para investir em diferentes produtos e mercados. Portanto, merecem uma atenção extra para entender os riscos de cada fundo em específico.

Os fundos de previdência também podem ser de renda fixa ou multimercado. Contudo, devem respeitar algumas clausulas, como por exemplo a não alavancagem.

Estratégias de investimentos

A seguir, são apresentadas duas estratégias passíveis de serem aplicadas na carteira de investimentos.

Barbell Strategy

Essa estratégia consiste em manter de 90-95% dos seus investimentos em ativos conservadores como a renda fixa. Outros 5-10% dos investimentos vão para ativos ultra agressivos com assimetrias positivas, caso de opções fora do dinheiro.

Rebalanceamento de carteira RF/RV

Essa é uma estratégia mais ativa. Em resumo, você estipula um percentual de renda fixa e renda variável para a carteira. Digamos que estipulemos R$50 mil para cada parte, totalizando uma carteira de R$100 mil. Ou seja, 50% para cada classe de ativo.

No primeiro cenário, temos nossa parte variável subindo 45% (bolsa de valores subindo, ações subindo) enquanto nossa parte fixa valorizou 5% (títulos de renda fixa). Assim, no final desse período, temos R$ 72.500,00 (RV) e R$ 52.500,00 (RF), totalizando R$125 mil.

Se dividirmos esse novo valor em duas partes de 50% (como inicialmente tinha sido estipulado), chegamos a um novo valor de R$ 62.500,00. Nesse caso devemos vender a RV e comprar mais da RF para chegarmos a esse novo valor de 50/50.

Os rebalanceamentos podem ser periódicos (a cada seis meses ou a cada ano, por exemplo). Mas também ocorrem quando algum lado ficar muito mais “pesado” do que outro. Ambos são parâmetros subjetivos, ou seja, cada investidor trabalhará com um período ou peso diferente.

Apesar da parte subjetiva, notem que essa estratégia é uma maneira muito eficiente de praticarmos a máxima do mercado: comprar barato e vender caro. Deve-se comprar mais renda variável quando o mercado cair e vender quando o mercado sobe.

Quer saber sobre onde investir os seus recursos? Então, preencha o formulário para que um assessor da EQI Investimentos entre em contato!