Zoom anuncia ex-diretor de segurança do Facebook após escândalo

Paulo Amaral
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Crédito: Nurphoto

Alex Stamos, ex-diretor de segurança do Facebook, é a aposta da diretoria do aplicativo Zoom para colocar um fim no escândalo de segurança em que a empresa se envolveu recentemente.

Depois de dar um salto e passar de 10 milhões para 200 milhões de usuários em três meses, por conta da pandemia de coronavírus, a companhia que desenvolveu o app para videoconferências também adotou um conselho consultivo para melhorar a privacidade de seus usuários.

Eric Yuan, diretor-executivo do app, emitiu um comunicado explicando a contratação de Stamos e os planos do Zoom para contornar a crise.

“Um dos importantes compromissos no nosso plano é conduzir uma revisão de segurança abrangente na nossa plataforma, e especialistas terceirizados são críticos neste esforço. Para este fim, Alex Stamos se uniu ao Zoom como consultor externo”, comentou, em nota publicada pela Época Negócios.

O conselho consultivo montado por Eric Yuan terá diretores de segurança de várias companhias, como HSBC, NTT Data, Procore e Ellie Mae. Também farão parte do conselho consultivo líderes de segurança de empresas como VMWare, Netflix, Uber e Electronic Arts.

Currículo

O convite do Zoom para Stamos surgiu depois que o ex-funcionário do Facebook postou um comentário no Twitter sobre os problemas envolvendo a segurança dos usuários do app.

“Tenho atração por problemas difíceis e este tem características únicas. Escalar com sucesso uma plataforma pesada de vídeo para este tamanho, sem tempo considerável fora do ar e no espaço de semanas, é literalmente sem precedentes na história da internet. Está claro para pessoas que trabalham com sistemas de escala de produção que algo especial está acontecendo no Zoom, e os desafios de segurança são fascinantes”, comentou.

Stamos foi diretor de segurança do Facebook entre 2015 e 2018, mas deixou a companhia após discussões sobre como lidar com os problemas de privacidade envolvendo a Cambridge Analytica e a campanha de desinformação na eleição americana de 2016.

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Os escândalos

Não foram poucos os escândalos de privacidade envolvendo o aplicativo Zoom. O primeiro deles foi a revelação de que o app enviava dados para o Facebook sem informar os usuários da plataforma.

Segundo a Época, uma segunda análise descobriu que o app mentia sobre criptografia ponta a ponta e que as chaves criptográficas eram geradas em servidores da China.

Usuários relataram que as sessões virtuais começaram a ser invadidas por não convidados e rotularam o fenômeno de Zoombombing.

A empresa foi notificada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor para dar sua versão sobre o compartilhamento de dados com o Facebook.

A resposta da direção do Zoom

Em entrevista para a CNN, Eric Yuan admitiu que o Zoom, por conta do crescimento exageradamente rápido, não se preparou adequadamente para a expansão.

“Cometemos alguns erros. Aprendemos nossa lição e, agora, vamos dar um passo atrás e concentrar nossos esforços em privacidade e segurança digital”, avisou.

O desafio do CEO, que admitiu o erro estratégico, é “reconquistar a confiança dos usuários”, segundo ele próprio comentou com a CNN.

Depois de ver as ações da companhia subirem 60% no ano, Eric Yuan terá, agora, que remar novamente para convencer os usuários a não trocar o Zoom por apps com funções similares, como Google Hangouts, Microsoft Teams, Cisco Webex e até o WhatsApp e o Messenger, do Facebook.

Zoom tem 10 dias para se explicar

Admitir o erro para veículos de imprensa foi somente o primeiro passo para a diretoria da Zoom sair da mira da Justiça.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, pasta comandada por Sergio Moro, deu 10 dias, a contar da última segunda-feira (6), para que a empresa se pronuncie sobre as denúncias sobre compartilhamento de dados e falta de privacidade aos usuários.

Segundo reportagem do Estadão Conteúdo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública quer saber se o Zoom notifica o Facebook quando o usuário abre o aplicativo e também se o aplicativo compartilha detalhes criados pelo dispositivo para direcionar anúncios para os usuários.

Por precaução, os funcionários da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já foram proibidos de utilizar o app. O argumento é de que a plataforma apresenta ‘falhas de segurança graves’ como roubo das credenciais de usuários e de informações trocadas nas reuniões.

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