Yduqs (YDUQ3): BBI eleva preço-alvo e mantém recomendação de compra

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação

O Banco do Brasil Investimentos (BBI) reiterou a recomendação de compra das ações da Yduqs (YDUQ3). E elevou o preço-alvo de R$ 40 para R$ 46 ao final de 2021. O potencial de valorização da ação é de 73,3% em relação ao preço atual: R$ 26,54.

Na avaliação do BBI, são previstas para o ano que vem pontos positivos, a saber: maiores sinergias com a aquisição da Adtalem; compra recente do Grupo Athenas; novas autorizações para cursos de medicina; e menor custo médio ponderado de capital.

“O desempenho da YDUQ3 está muito aquém do desempenho do IBOV em 2020. Após ter atingido a mínima em março, em função da pandemia, o principal índice da bolsa brasileira se recuperou e agora apresenta uma retração de apenas 11,9% no ano; enquanto isso, a Yduqs acumula uma perda de 43,7% em seu valor de mercado no mesmo período”, aponta Melina Constantino, analista que assina o relatório.

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Yduqs deve ter volatilidade no curto prazo

Para o curto prazo, porém, o preço da ação deve continuar pressionado e apresentando bastante volatilidade.

Isto porque o setor educacional continua reagindo de forma mais negativa em relação a outros setores da bolsa, por reflexo das incertezas com relação ao ritmo de recuperação da economia. A taxa de desemprego, que é um dos principais drivers do segmento, tende a seguir elevada, o gera incerteza no setor.

Para o segundo semestre, afirma o relatório, são esperados uma menor captação de alunos em cursos presenciais, aumento de inadimplentes e maiores custos das instituições com esforços para a retenção de alunos.

“Apesar disso, esperamos que a maior parte dos impactos negativos para a Yduqs tenham ocorrido no segundo trimestre, já que as concessões de descontos e bolsas de estudo não devem ser prorrogadas, e parte do aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) vieram de aditamentos do Fies de anos anteriores”.

Raio-x da Yduqs

Ao todo, a Yduqs conta com aproximadamente 5 mil alunos de medicina em nove unidades já em operação (1.021 vagas por ano) e duas unidades autorizadas, com previsão de início de captação no segundo semestre (100 vagas por ano). Há ainda outras cinco unidades habilitadas, aguardando autorização definitiva (250 vagas potenciais por ano).

A empresa tem por estratégia focar na ampliação de vagas em cursos de medicina. Isto é positivo, já que o valor médio da mensalidade é bastante superior à média dos demais cursos. E há ainda menor propensão à evasão de alunos.

Outra estratégia é focar na expansão em cidades menores, que muitas vezes ainda não tem cursos de ensino a distância. O número de alunos nesta modalidade cresceu 35,7% no segundo trimestre, em comparação com igual período do ano passado. No total, são 337 mil alunos.

Aquisições recentes

A Yduqs deve se beneficiar das sinergias da integração da Adtalem, dona das marcas Ibmec, Damásio Educacional e Wyden. Nos cálculos do BBI, podem ser gerados de R$ 170 milhões a R$ 200 milhões em sinergias. Isto com otimização de custo docente, ensalamento, matrizes curriculares e de estrutura administrativa. E também com estratégias comerciais de introdução de modelo de pricing e cobrança. Além de oportunidades de expansão de receita, com a ampliação do EAD. Até 80% dessas sinergias devem ser capturadas em 2021.

No final de julho, a Yduqs concluiu também a aquisição do Grupo Athenas. Este tem presença em cinco cidades nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. E mais de 9 mil alunos e um portfólio de mais de 60 cursos de graduação, técnico e pós-graduação.