XP: volatilidade do mercado torna o longo prazo mais atrativo

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.

Os fundos de investimento estão oscilando por conta da instabilidade que se abateu no mercado. A análise é da XP Investimentos e vai muito além do ocorrido na segunda-feira (9), quando as bolsas globais acionaram o circuit breaker.

Essa variação, segundo a gestora, é acompanhada desde a metade de 2018 por conta da greve dos caminhoneiros. A linha do tempo que a XP traça entre o derretimento do mercado, ontem, e o fato de dois anos atrás está ligada pelo volume de stress gerado ao mercado.

“Naquela ocasião, em um espaço inferior a dois meses, a bolsa passou por uma forte correção de quase 20%, o dólar disparou, os títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) despencaram e boa parte dos multimercados amargou perdas entre 3% e 5%”, diz em nota.

Porém, a XP lembrou que quem teve sangue frio e uma boa estratégia de investimento de longo prazo, conseguiu se beneficiar da forte recuperação dos ativos que se seguiu posteriormente e durou até poucos dias.

“Até sexta-feira antes do Carnaval [dia 21], quem manteve suas aplicações na bolsa conseguiu retornos superiores a 60%. Já o CDI, referência para aplicações mais conservadoras, rendeu pouco mais de 10% em igual período”, informou.

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Mais investidores

Segundo a gestora, dados da B3 mostram o quanto o mercado tem crescido. Isso porque a Bolsa passou de 800 mil investidores ao fim de 2018 para mais de 1,9 milhão registrados em fevereiro deste ano.

“Esse volume de novos investidores talvez estejam bem aflitos no momento, pois nunca haviam testemunhado quedas superiores a 10% no Ibovespa em suas jornadas de tomadores de risco”, frisa, acrescentando que com estratégia e paciência dá para reverter o quadro.

Porém, diz, o mar calmo que predominou em 2019 parece ter ficado para trás. Isso porque desde a quarta-feira de cinzas, dia 26, a bolsa amarga perdas de quase 15% e o dólar atingiu a maior cotação histórica, acima de R$ 4,60.

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Não se desespere

A análise da gestora, encaminhada aos seus clientes, traz um conselho: “não se desespere.” Duas medidas devem ser tomadas segundo a XP, sendo a manutenção da calma frente aos desafios, bem como a aplicação em investimentos de longo prazo, entre 3 e 5 anos.

Outra ação estratégica é manter uma carteira diversificada. Os gestores de fundos multimercados de estratégia Macro, na média, reduziram suas posições compradas na bolsa brasileira. Alguns deles, no entanto, consideram que o nível de preços atuais torna as ações bastante atrativas, após a queda expressiva do Ibovespa nos últimos dias.

Na ponta oposta da grande maioria que reduziu as posições em bolsa, destaque para o lendário Luis Stuhlberger, da Verde Asset, para quem os efeitos do coronavírus não mudam estruturalmente as condições de crescimento do Brasil para os próximos três anos, tornando o momento atual uma bela hora de se comprar ações.

Juros vão cair

Outra razão para aplicar em renda variável é uma nova queda dos juros por conta do coronavírus. “A aposta [a favor da nova baixa dos juros] tanto no Brasil quanto no resto do mundo ganhou relevância nos portfólios, que antes eram dominados por posições apostando na alta do Ibovespa”, informa.

De acordo com o documento, desde o fim de janeiro, muitos gestores já vinham diminuindo as posições compradas devido a valuations bastante esticados e os recursos das vendas estavam em liquidez. “As quedas acentuadas da última semana de fevereiro animaram alguns gestores a aumentar posições em empresas boas, que voltaram a uma faixa de preço mais atrativa.”

As compras têm se concentrado em empresas com maior exposição à economia doméstica e que, supostamente, seriam mais defensivas no cenário de aumento global de casos de coronavírus. Os setores de consumo, energia elétrica e financeiro são os mais presentes nas carteiras dos fundos.