Wuhan: lockdown termina na quarta; mundo acompanha atento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Facebook/Visit Wuhan

A partir de quarta-feira (8), o lockdown em Wuhan estará oficialmente finalizado. Pessoas poderão viajar e estradas e aeroportos serão reabertos, além de todo comércio e serviço. Mas será que a população está segura para esta reabertura?

De acordo com reportagem da Bloomberg, a vida normal em Wuhan ainda está longe de ser retomada. E acompanhar o desenrolar dos acontecimentos ali será um aprendizado para todos os países que têm imposto medidas restritivas à sua população devido à pandemia de coronavírus.

Medo ainda está no ar

A dois dias da reabertura, a cidade demonstra que o medo ainda está no ar e que a possibilidade de uma segunda onda de contaminações é real.

A cidade está isolada desde 23 de janeiro e seus 11 milhões de habitantes circulam com receio. Apesar da reabertura, a orientação das autoridades é que os habitantes sigam com os cuidados de higiene e distanciamento e só saiam para o trabalho e para casos de extrema necessidade.

Moradores seguem reclusos

“Nossa meta para 2020 é, primeiro, sobreviver fisicamente. Depois, recuperar nossos negócios”, afirmou à reportagem da Bloomberg Ma Renren, de 33 anos, que administra uma pequena agência de marketing na cidade.

O empresário Li Jing, que administra apartamentos da família para locação, já pode retomar os negócios. Mas questiona-se quem irá visitar Wuhan agora. Ele afirma que cada um de seus apartamentos será limpo e desinfetado por três horas entre uma reserva e outra. Mas, mesmo assim, não está otimista e teme que a crise perdure por meses.

“Espero que nossos compatriotas chineses confiem e retornem a Wuhan”, afirmou. “Mas entendo que este não será o primeiro lugar que as pessoas vão escolher para visitar”, admite.

Os shoppings da cidade já foram reabertos, mas também seguem vazios.

“O dano foi significativo”, diz Chen Bo, professor de economia da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong de Wuhan.

“Em fevereiro, a perda de receita fiscal foi de cerca de US$ 1 bilhão. E o PIB provavelmente contraiu em pelo menos 50%”, afirmou. “O impacto social e psicológico no investimento e no turismo da cidade pode durar bastante tempo”.

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“Ainda há desafios em logística, transporte e cadeia de suprimentos”, revelou Mei Yunfeng, gerente de uma fábrica de automóveis administrada por uma joint venture entre o Grupo PSA e o Dongfeng Motor Group Co. da China. Este mês, a montadora iniciou a fabricação de um novo modelo da Peugeot.

Fuga de investimentos estrangeiros

Se antes Wuhan tinha planos de se tornar cada vez mais integrada à cadeia global de suprimentos, agora os planos foram adiados. “O episódio teve um impacto devastador”, avaliou o professor Chen.

Como referência de retomada, o que os chineses têm é o exemplo da província de Guangdong. Lá teve início o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2003. E os Investimentos Estrangeiros Diretos (IDE) demoraram mais de dois anos para voltar aos parâmetros anteriores.

“O mesmo deve acontecer com Wuhan. Os investidores serão cautelosos, com medo de futuros surtos”, afirmou.

Total de casos em Wuhan é questionado

Na cidade onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez e onde mais mortes ocorreram na China, foram registrados mais de 2,5 mil óbitos.

Este número, atualmente, é questionado no exterior. Isto devido à proporção que a doença tem alcançado em países da Europa, especialmente Itália e Espanha, e nos Estados Unidos.

Teoricamente, o maior número de infectados e de óbitos deveria ter sido em Wuhan.

Atualmente, a contagem oficial chinesa contabiliza menos de 30 novos casos de infecção por dia.

Lockdown em Wuhan foi fundamental para conter surto

Um estudo publicado na revista Science indica que a medida de lockdown adotada pela China nos primeiros 50 dias de epidemia do coronavírus foi fundamental para conter a doença.

“Nossa análise sugere que, sem a restrição de viagens em Wuhan e a resposta de emergência nacional, teria havido mais de 700 mil casos confirmados da Covid-19 na China até 19 de fevereiro”, disse Christopher Dye, da Universidade de Oxford, um dos autores do estudo. Pelos dados oficiais, foram 30 mil infectados até esta data.