Wizard diz desconhecer gabinete paralelo e fica em silêncio na CPI

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Pablos Jacob/Agência O GLOBO

O empresário Carlos Wizard disse em pronunciamento à CPI da Covid no Senado nesta quarta-feira (30) que desconhece a existência de um gabinete paralelo de assessoramento do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia de Covid-19. Além disso, ele decidiu exercer seu direito de não responder perguntas dos senadores.

A declaração de Wizard ocorreu na abertura da audiência, quando a testemunha convocada tem direito a falar por 15 minutos. Após o discurso, ele comunicou aos senadores que ficaria em silêncio diante das perguntas formuladas. O direito foi garantido pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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“Afirmo aos senhores, com toda a veemência, que jamais tomei conhecimento de qualquer governo paralelo. Se, por ventura, esse suposto governo paralelo existiu –ou melhor, gabinete paralelo– eu jamais tomei conhecimento ou tenho qualquer informação a esse respeito”, afirmou o empresário.

De acordo com o empresário, ele conheceu o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante a Operação Acolhida. Durante esse período, ele prestou assistência social a refugiados venezuelanos em Roraima. Ainda mais, citou várias passagens bíblicas.

Carlos Wizard afirmou que a causa religiosa foi a justificativa para a colaboração com o Ministério da Saúde. Conforme o empresário, ele foi convidado Pazuello a “salvar vidas”. Desta forma, motivado pela fé e pelo compromisso social, teria aceitado desde que a sua atuação fosse voluntária e sem fins lucrativos.

“Me reservo ao direito de permanecer em silêncio”, repetiu o empresário diversas vezes diante das perguntas.

Entretanto, apesar da decisão de Wizard, os senadores decidiram que manterão os questionamentos ao empresário, mesmo que ele recorra ao direito de ficar calado.

Data do depoimento de Wizard

Inicialmente, o depoimento de Wizard foi agendado para o dia 17 de junho. Mas ele afirmou que estava nos Estados Unidos e não compareceu. Ele explicou que estava desde março em Utah (EUA) visitando o pai, com problemas de saúde. Depois, foi para a Flórida, para acompanhar a filha grávida.

Portanto, com a sua ausência, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), solicitou a retenção do passaporte do empresário bilionário. Ao chegar no Brasil, Wizard entregou o documento à Polícia Federal. Nos últimos dias, ele manteve conversas com os parlamentares para acertar a data do depoimento.

Depoimento de Ricardo Barros

O líder do governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), irá depor na CPI da Covid no Senado na quinta-feira da próxima semana. A comunicação ao presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), ocorreu durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito nesta quarta-feira.

Na semana passada, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) disse em seu depoimento que ouviu de Bolsonaro que Barros estava envolvido em supostas irregularidades em contrato de compra da vacina indiana contra Covid-19 indiana Covaxin. Miranda disse ter alertado Bolsonaro pessoalmente sobre as alegadas irregularidades.

Barros também teria participado, conforme relato atribuído a Miranda pela revista Crusoé, de uma reunião em que teria sido oferecida propina a Miranda para que ele não atrapalhasse o andamento do contrato.

Barros nega quaisquer irregularidades. Em publicação nas redes sociais nesta quarta, disse estar à disposição da CPI. Também afirmou que gostaria de depor à comissão o quanto antes.

“Gostaria de ir o quanto antes. Peço compreensão aos profissionais de imprensa, mas penso ser adequado esclarecer e reafirmar minhas posições na CPI”, escreveu o líder governista.

Agenda da CPI

Na sessão, o presidente da CPI, o senador Omar Aziz, também divulgou uma previsão de depoimentos para os próximos dias, que ainda será confirmada.

  • quinta-feira (1/7) – Francisco Maximiano, dono da Precisa.
  • sexta-feira (2/7) – Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply.
  • terça-feira (6/7) – Luis Miranda, deputado federal.
  • quarta-feira (7/7) – Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
  • quinta-feira (8/7) – Ricardo Barros, deputado federal.

Paulo Dominguetti Pereira é representante da Davati Medical Supply. A empresa afirma que tentou negociar com o governo de Jair Bolsonaro a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, ele acusou Ferreira Dias de cobrar propina de US$ 1 por dose em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

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