IPO: Wine (WNBR3) suspende voluntariamente abertura de capital

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A Wine (WNBR3) foi mais uma empresa que decidiu adiar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

A empresa pretendia captar até R$ 1 bilhão com o IPO (Oferta Pública Inicial). A Wine (WNBR3) é e-commerce e clube de assinatura de vinhos.

Entretanto, em comunicado, “considerando a atual conjuntura adversa de mercado”, informou “a suspensão voluntária” da oferta primária e secundária de ações.

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Conforme documento, em caso de retomada, novo cronograma será divulgado, junto com um novo prospecto.

Sócios

Entre os sócios, estão nomes de peso como o empresário Abílio Diniz e a família Sirotsky, dona da RBS. Com a oferta, a Wine quer se capitalizar para expandir os negócios, captar mais clientes para o clube de assinaturas e adquirir outras empresas.

A ideia do criador do negócio, Rogério Muniz Salume, a princípio não parecia tão promissora: vender vinhos em massa no país da cerveja? Mas doze anos depois, a Wine tornou-se o maior clube de assinaturas de vinhos do mundo, com mais de 170 mil assinantes.

A história da Wine

A W2W E-Commerce de Vinhos, mais conhecida como Wine, foi criada em 2008, em Vila Velha, Espírito Santo.

A ideia de criar um negócio online de vinhos partiu de Rogério Muniz Salume, empresário baiano que foi morar no Espírito Santo em 1989.

Formado em jornalismo, com MBA em administração na FGV, Rogério juntou sua paixão por vendas, expertise em tecnologia e trilhou um caminho árduo rumo ao negócio que tem hoje.

Logo que chegou no Espírito Santos, começou a vender vender sacos de balas em padarias e restaurantes. No início dos anos 2000, o seu primeiro empreendimento já começou com o pé esquerdo: Rogério decidiu usar todo seu dinheiro para comprar um depósito e fazer o negócio crescer. O problema é que, com a aquisição desse imóvel, não sobrou mais nada para o restante da operação.

O empresário passou dois anos vendendo de tudo para quitar as dívidas. Até mesmo vinhos! E foi aí que surgiu a ideia do que hoje se tornou a Wine.

Logo no início, com o primeiro site no ar, a operação era bem simples. O cliente via o produto no site, deixava seu contato, o próprio Rogério ligava e anotava os pedidos. Aos poucos, clientes de vários Estados começaram a surgir. E, com aporte de alguns investidores, em 2004, foi criada a Estação do Vinho.

Quatro anos depois, Rogério Salume e o sócio Anselmo Endlich deixaram a empresa. Eles queriam expandir o negócio de forma mais agressiva, mas os outros investidores não concordavam.

Em 2008, os dois sócios fundaram a Wine. Em um ano, a empresa atendeu 14 mil clientes e teve 250 mil garrafas entregues.

Expansão e novos sócios

Em 2010, com o lançamento do clube de assinaturas, a Wine mudou de patamar. Além de lucrar com a venda direta de vinhos, começava-se a criar uma outra fonte de renda, fidelizando os clientes.

Em 2014, Anselmo deixou a empresa, mas novos sócios surgiram logo depois.

Em 2016, a empresa ganhou sócios de peso. Abilio Diniz, um dos maiores empreendedores do país, tornou-se sócio do negócio por meio da Península. Outro parceiro relevante é a Orbeat, fundo da família Sirotsky, dona do grupo de mídia RBS.

Em 2019, Rogério deixou a presidência da empresa para ocupar a função de chairman o conselho de administração. Em seu lugar, assumiu Marcelo D’Arienzo, que já participava do comando da empresa.

Com 12 anos no mercado, a Wine tornou-se o maior e-commerce de vinhos da América Latina. Criou outros serviços, como a Wine2b, especializada em atender restaurantes, hotéis e grandes companhias, criou revista, aplicativo, e entrou para a lista das 50 empresas mais inovadoras do Brasil.

O modelo de negócios

O foco principal da Wine é o clube de assinaturas. Com o Clube Wine, a empresa diz obter vantagem competitiva em um mercado menos disputado comparado ao de vendas de garrafas avulsas no e-commerce.

No período de seis meses de 2020, as compras realizadas pelos sócios representam 78,6% da receita da Wine. Deste total, 41,7% se referem aos pedidos do Clube Wine e 36,9% a compras que os sócios fizeram no e-commerce.

Na visão da empresa, a expansão do clube de assinaturas é o motor de propulsão para o crescimento da Wine.

“Acreditamos estar bem posicionados para liderar o movimento de consolidação e transformação digital do mercado de vinhos e espumantes, que se caracteriza por ser um mercado de R$ 16 bilhões em 2019 (segundo a Ideal Consulting), com ainda amplo espaço para aumento do consumo per capita, e um ambiente competitivo de alta fragmentação”, defende a empresa no prospecto preliminar. Esse mercado fragmentado, segundo a empresa, compreende 294 empresas que importam vinhos no Brasil hoje.

Números da Wine

O lucro bruto da Wine atingiu R$ 70 milhões até junho de 2020 ante R$ 54,7 milhões no mesmo período do ano passado. Em todo 2019,o lucro foi de R$ 120,9 milhões.

A Wine registrou receita líquida de R$ 146,3 milhões no primeiro semestre de 2020, contra R$ 115,7 milhões do mesmo período de 2019. No consolidado dos anos, a receita saiu de R$ 262,8 milhões (2017) para R$ 274,4 milhões (2018) e para R$ 252,7 milhões (2019).

O Ebtida ajustado ficou em R$ 12,3 milhões no seis primeiros meses de 2020, contra um Ebtida negativo de R$ 5,2 milhões em igual período de 2019.

A margem Ebtida ajustada foi de 8,45% no primeiro semestre deste ano, ante margem negativa de 4,50%.

A dívida líquida encerrou junho de 2020 em R$ 9,7 milhões, contra R$ 14,9 milhões em igual período de 2019.

Sobre o IPO

O pedido inicial de IPO foi feito à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 3 de setembro.

A fixação dos preços por ação seria feita em 4 de novembro. E o início da negociação na Bolsa de Valores será no dia 6. A empresa quer ser listada no Novo Mercado.

No prospecto, a Wine estima que o preço por ação estará situado entre R$ 8,50 e R$ 10,50. Considerando a mediana da faixa indicativa (R$ 9,50), e o número total de papéis da oferta base, o IPO poderia movimentar R$ 700,150 milhões. Com os lotes suplementar e adicional, considerando a média por ação, o total captado poderia chegar a R$ 945,2 milhões.

Segundo o prospecto, a oferta será primária (emissão de novas ações) e secundária (venda de ações dos atuais acionistas).

Os principais acionistas vendedores – a gestora Península, de Abilio Diniz, e a Orbeat Som e Imagem, representada pela família Sirotsky e gerida pela EB Capital – detêm cada uma 40,96% das ações. Já Rogerio Salume, fundador da empresa e hoje dono de 9,02% das ações, ficará com 1,80%.

A coordenação do IPO será de Itaú BBA, Bank of America, BTG Pactual, XP e ABC.

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