WEG (WEGE3) e Romi (ROMI3) surpreendem no início da temporada de balanços

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação / WEG

A safra de balanços do segundo trimestre teve início na semana passada, com a divulgação de resultados de quatro companhias. Foram elas: Neoenergia (NEOE3), Romi (ROMI3), WEG (WEGE3) e Hypera (HYPE3).

Alguns resultados animaram tanto o mercado que alguns papéis saltaram mais de 10% após a divulgação do balanço. Este foi o caso da WEG, que registrou um aumento expressivo do lucro em meio à pandemia do coronavírus.

Os analistas do Itaú BBA previam um impacto limitado da pandemia na WEG, que provavelmente seria mitigado por um mix de produtos resilientes de ciclo mais longo no Brasil e no exterior, cenário cambial favorável e exposição geográfica e setorial diversificada.

Outra surpresa positiva foi o balanço da Romi que reverteu o prejuízo de R$ 4,3 milhões em lucro de R$ 11,3 milhões. O resultado também na contramão da crise  do novo coronavírus.

Já a Neoenergia (NEOE3) apresentou números fracos em consequência do impacto da pandemia. Houve queda da demanda e aumento temporário na inadimplência, como havia projetado o Credit Suisse.

Neoenergia (NEOE3)

A Neoenergia (NEOE3) reportou seus resultados do segundo trimestre de 2020 na terça-feira (21).

O lucro líquido foi de R$ 423 milhões, um desempenho 18% inferior ao registrado em igual período de 2019.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 1,106 bilhão, queda de 19%.

De acordo com a Neoenergia, o Ebtida foi impactado pelos efeitos do Covid-19 na atividade econômica.

A receita líquida da Neoenergia manteve-se praticamente estável, totalizando R$ 6,580 bilhões no segundo trimestre deste ano.

Enquanto a margem bruta atingiu R$ 2,037 bilhões, baixa de 8%.

Neoenergia (NEOE3)

Romi (ROMI3)

Na contramão da crise, a Indústrias Romi (ROMI3) apresentou um lucro líquido positivo no segundo trimestre de 2020.

O lucro líquido de R$ 11,3 milhões registrado no período reverte o prejuízo de R$ 4,3 milhões de abril, maio e junho de 2019.

Este ano, a Romi acumula R$ 52 milhões de lucros no primeiro semestre. Nos três primeiros meses do ano o lucro havia sido de R$ 40,8 milhões.

A margem líquida da empresa ficou em 5,8% no segundo trimestre de 2020.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 19,2 milhões. Ou seja, um aumento de 187,4% em relação aos R$ 6,6 milhões do mesmo período de 2019.

A margem Ebitda é de 9,8% no segundo trimestre de 2020. Este indicador era de 4% no mesmo período do ano passado.

A Romi sentiu o impacto no volume de negócios em meados de março com a crise do coronavírus.

Mas houve uma rápida recuperação na entrada de pedidos de máquinas, segundo a empresa.

“Embora o ambiente ainda esteja com alto grau de incertezas, a redução dos juros e a desvalorização do real, aliados a uma inflação prevista dentro da meta oficial, têm estimulado a indústria e o país em geral a alocar uma maior parcela do capital na economia produtiva” diz a empresa no balanço.

Romi

WEG (WEGE3)

A Weg reportou seus resultados e surpreendeu o mercado ao atingir o lucro líquido de R$ 526,5 milhões, um desempenho 33,2% superior ao mesmo período de 2019.

Já lucro líquido de R$ 514,4 milhões, alta de 17% no segundo trimestre de 2020 frente ao primeiro trimestre.

De acordo com a WEG, a receita líquida também avançou. Os R$ 4,063 bilhões registrados de abril a junho foram 9,4% e 23,7% maiores que as receitas do primeiro trimestre de 2020 e do segundo trimestre de 2019, respectivamente.

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Já o Ebitda da WEG foi de R$ 732,2 milhões, ou 36% maior que o de um ano atrás.

A margem de Ebitda, por sua vez, avançou 1,7 p.p. na mesma comparação, para 18%.

Conforme a WEG, o desempenho reflete a racionalização de custos e despesas, bem como a melhora da margem nas operações de ciclo longo e da desvalorização cambial no período.

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Hypera (HYPE3)

A Hypera (HYPE3) teve lucro líquido de R$ 396,4 milhões, desempenho 17,6% superior ao registrado no mesmo período de 2019.

De acordo com a empresa, o resultado foi beneficiado principalmente pelo crescimento do EBIT das Operações Continuadas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) das operações continuadas somou R$ 449,2 milhões, alta de 58,9%.

Já a margem Ebtida atingiu 58,9%, um aumento de 29,8 pontos percentuais.

A receita líquida da Hypera cresceu 7,9%, totalizando R$ 1,050 bilhão, acima do projetado da Eleven.

A analista da Eleven, Mariana Ferraz, estima uma alta de 5% da receita líquida para a Hypera em seu balanço a ser apresentado no fim de julho.

Embora pareça um crescimento modesto, levando em consideração o cenário truncado por conta do novo coronavírus, o crescimento de 5% se faz muito importante à companhia.

A Eleven projeta um segundo trimestre positivo para Hypera graças à resiliência do setor de saúde.

Para a Eleven, apesar dos efeitos negativos da pandemia, a empresa deverá apresentar crescimento da receita líquida, Ebitda e lucro líquido.

“Isso em um trimestre que será bastante complicado para a maioria das empresas listadas”, estacou a Eleven.

O otimismo da corretora leva em consideração também a alta exposição do dólar no custo da Hypera.

Recentemente a Hypera obteve autorização para adquirir medicamentos da família Buscopan, além de ativos da Takeda e essa movimentação traz consigo perspectivas de alta.

 

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