WEG (WEGE3): Ação está cara, mas empresa segue agradando

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Crédito: WEG

A WEG (WEGE3) chama atenção por ser uma das poucas empresas da B3 a acumular uma forte valorização neste ano. O papel avança 90% no acumulado de 2020, enquanto o Ibovespa cai 10%.

Hoje, os papéis sobem ainda mais, ajudados pelos resultados trimestrais divulgados pela empresa. A alta é tão forte que os analistas avaliam que o papel está supervalorizado – e não é de hoje. Mesmo assim, a WEG continua brilhando na bolsa.

Confira como isso é possível e qual é a visão dos especialistas sobre o papel.

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Ação está cara em relação ao lucro

Quando se considera a relação entre o preço atual da ação e o lucro, a WEG é considerada cara. Em relatório, o BTG Pactual avaliou a ação da empresa como ‘neutra’ devido à sua forte valorização.

O índice Preço Lucro (P/E ratio ou P/L) da companhia é de 63 vezes, o que torna a empresa não atrativa, de acordo como banco. No final de 2018, o P/L da WEG era de 27,5 vezes. Já no final de 2019, chegou a 45,3 vezes.

O BTG prevê que o indicador atinja 75,6 vezes no final deste ano, e depois comece a recuar, chegando a 59,9 vezes no final de 2022.

A XP Investimentos divulgou hoje visão parecida com a do BTG. Para a XP, a valuation das ações da WEG já embute os fatores positivos da companhia.

“Apesar de vermos a companhia bem posicionada para navegar pelo cenário desafiador, com um balanço sólido e um posicionamento de mercado forte, acreditamos que o valuation atual das ações mais que reflitam esses fatores”, informou a casa.

Por isso, os analistas também mantiveram rating neutro para o papel. Para 2022, a XP prevê P/L de 54 vezes para a WEG.

Ação de investimento

Apesar do P/L muito alto há bastante tempo, a companhia segue agradando os investidores.

“Muitos acham a empresa cara, mas ela segue crescendo, o setor é firme e a empresa tem boa gestão”, resume Flávio Franco, da mesa de operações da EQI. Para ele, a empresa segue sendo uma boa opção para um portfólio de ações de longo prazo.

Provavelmente o que os investidores de Weg estão seguindo é outra forma de avaliação, aquela que a coloca no rol das empresas de crescimento, ou ações de crescimento.

São companhias com múltiplos muito elevados mas com resultados consistentes e que darão lucros futuros igualmente consistentes.

Ou seja, o papel está caro mas irá remunerar bem o acionista no futuro, destaca a equipe de análise da Wisir Research. Assim, há compradores para qualquer patamar de preço.

Todas as casas destacam a capacidade competitiva da empresa e a operação verticalizada que possibilita a customização para atender clientes. Outra qualidade é a gestão eficiente e disciplinada, apesar de familiar, além da capacidade de inovação.

O misto da atuação no mercado interno e externo, de onde vem 60% da receita, é um ponto favorável.

Da mesma forma, sua presença em setores estratégicos como de geração, transmissão e distribuição (GTD) de energia renovável, a torna mais atrativa.

Para o analista Ilan Arbetman, da Ativa, uma das grandes vantagens da WEG é sua constância nos resultados, mesmo em períodos de maior stress.

“É uma empresa sólida que tem um know how (conhecimento) fenomenal e uma governança bacana. Mesmo nas crises ela passa sem maiores problemas no fluxo de caixa.”

Resultados acima do esperado

O lucro líquido da WEG no segundo trimestre somou R$ 526,5 milhões, um desempenho 33,2% superior ao mesmo período de 2019.

De acordo com os analistas, os resultados vieram acima das expectativas do mercado.

O principal destaque positivo foi o desempenho no mercado doméstico, tanto na parte industrial quanto no segmento de energia, que por sua vez foram impulsionados pela entrega de projetos que já estavam contratados.

Além disso, a empresa foi beneficiada pela valorização de 37% do dólar em relação ao real e por aquisições feitas no trimestre passado.

Para o BTG, os resultados da WEG no segundo trimestre foram fortes, com a demanda acima do esperado. “A receita líquida subiu para R$ 4,1 bilhões, principalmente impulsionada por receitas domésticas surpreendentemente altas.”

A Eleven gostou tanto do resultado que reiterou a recomendação de compra para a ação da empresa.

Dividendos da WEG

Pesa a favor da companhia também, do ponto de vista do acionista, a política de pagamento de proventos.

Além disso, os investidores vêem a WEG como uma empresa quase única. Isso porque reúne um conjunto de características que a protege de solavancos muito profundos com as oscilações de câmbio ou uma redução da atividade econômica, por exemplo.

Tanto que os anos recentes de quase paralisia da economia brasileira não tiveram impacto significativo em seus negócios. E mesmo na pandemia, a empresa conseguiu surpreender.

A Weg nasceu em 1961, em Jaraguá do Sul (SC), como fabricante de motores elétricos. A partir da década de 1970 começou a exportar e de 1980 passou a diversificar sua produção. Está em 12 países com plantas industriais e tem presença comercial em 135 países. Possui mais de 30 mil funcionários.

(Colaborou Márcia Furlan)

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