Warren Buffett tem US$ 130 bilhões em caixa para investir em novos negócios

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Flickr

Warren Buffett pretende fazer uma grande aquisição. Para isso, o oráculo de Omaha, como é conhecido Buffet, tem em caixa quase US$ 130 bilhões.

Mas o que Buffett consideraria digno de comprar em um momento em que as ações permanecem perto de recordes?

Como se sabe, Buffett prefere ter uma visão de longo prazo e esperar pechinchas. Por esse motivo, se mantém à margem de investimentos desde sua última grande aquisição, em 2015. 

Em sua carta anual aos acionistas em fevereiro de 2019, Buffett escreveu que ele e o vice-presidente Charlie Munger, que completaram 96 anos na semana passada continuam “esperando uma aquisição do tamanho de um elefante”. E mesmo na idade deles, “essa perspectiva é o que faz meu coração e o de Charlie baterem mais rápido”.

Agora já faz mais de quatro anos desde a última grande compra da Berkshire – a última foi a aquisição da fabricante de componentes aeroespaciais Precision Castparts pelo valor de US$ 32 bilhões. 

O burburinho que veio à tona na última terça-feira afirma que a Berkshire poderia estar interessada em comprar uma participação na gigante de aeronaves Boeing. Apesar disso a aquisição não seria definitiva. 

Dessa forma, a Boeing poderia fazer sentido como um pequeno investimento, uma vez que a Berkshire já possui participações em quatro grandes companhias aéreas: United, Sudoeste, American e Delta. Além disso, é proprietária de toda a empresa de aviões privados NetJets, observa Meyer Shields, analista da KBW.

Segundo Shields, Buffett provavelmente não pagará a mais por nada – não importa o quanto ele queira fechar um acordo.

“O mercado parece meio caro. Então, se tudo é caro, a coisa certa a fazer é não comprar nada”, disse Shields.

Shields acrescentou que, se houver uma retração, a Berkshire poderá comprar as ações restantes de uma de suas companhias aéreas. 

Além disso, Buffett ama o setor de transportes e a Berkshire já é proprietária da ferrovia Burlington Northern Santa Fe.

Setor de tecnologia

A afinidade de Buffett pela Apple sugere que a Berkshire poderia adquirir uma empresa de tecnologia, de acordo com Nancy Tengler, diretora de investimentos da Tengler Wealth Management.

Afinal, a Berkshire supostamente fez uma oferta de aquisição da distribuidora de software e hardware Tech Data no ano passado, mas perdeu uma guerra de lances com a empresa de private equity Apollo Global Management).

A Apollo acabou comprando a Tech Data por cerca de US$ 6 bilhões. A Apollo disse em um comunicado que a Tech Data recebeu uma “proposta superior” de uma concorrente não identificada – que seria a Berkshire Hathaway – levando a Apollo a fazer sua oferta. A Berkshire não comentou os relatos de que era a outra concorrente da Tech Data.

Tengler disse que as empresas de cibersegurança podem ser uma boa opção para os grandes negócios de seguros da Berkshire, observando que CrowdStrike ou CyberArk podem ser alvos tentadores – embora ela tenha admitido que a tecnologia ainda não é o ponto forte de Buffett.

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Mas ela acrescentou que os investidores mais jovens da Berkshire, Ted Weschler e Todd Combs, aumentaram sua influência na empresa. Combs foi nomeado recentemente o novo chefe da seguradora de automóveis Geico, de propriedade da Berkshire – o que poderia torná-lo um candidato a assumir o cargo de Buffett.

No mínimo, o aumento das responsabilidades pela Combs poderia sinalizar que a nova guarda de Berkshire poderia estar mais disposta a fazer investimentos antes considerados impensáveis para a empresa.

Outro caminho seria a Companhia de Buffett pagar dividendos a seus acionistas. É o que sugere Tengler ao constatar que as ações da Berkshire estão atrasadas no mercado ultimamente. A empresa fez isso apenas uma vez em sua história – em 1967.

Afinal, a Berkshire adora ações que ostentam rendimentos de dividendos saudáveis, como Apple, Coca-Cola e Bank of America.

“Não se perde a ironia de que Buffett investe frequentemente em empresas que pagam dividendos, mas ele não está disposto a oferecer um”, disse Tengler.

Fonte:CNN