Warren Buffett: Entenda a nova estratégia do mega investidor

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Flickr

00O famoso investidor Warrenn Buffett, considerado o mais bem-sucedido do mundo, tem adotado uma postura totalmente diferente em relação a seus investimentos nos últimos meses.

Pelo seu histórico de sucesso, pode ser uma boa ideia olhar a sua estratégia de perto.

Em artigo publicado no portal Medium, o autor Tim Denning destaca duas frases de Warren que chamaram a sua atenção. “A dívida dos EUA não vai ser paga; vai ser renegociada” e “é melhor você ter algo que não seja dívida”.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

De acordo com o artigo, Buffett  explica que, quando o governo pode continuar imprimindo dinheiro para pagar sua própria dívida, não tem como ficar inadimplente. Para ele, o segredo para os países é continuar emprestando na sua própria moeda.

Contudo, a grande questão é saber até que ponto a impressão sem controle de dinheiro pode se sustentar.

Além de Buffett, outro bilionário icônico, George Soros, também está alerta aos novos sinais da economia. Segundo ele, “os investidores estão em uma bolha alimentada pela liquidez do Fed”. Isso porque, apesar do desemprego recorde e da crise global de saúde, as ações não param de subir.

Veja qual a opinião de Warren Buffett, o maior investidor de todos os tempos, sobre o atual momento da economia, e saiba também quais os seus alertas para o mercado.

Inflação à vista

Buffett observa que, além da impressão de moeda, os estímulos econômicos também têm aumentado a quantia de dinheiro disponível no mundo. Entretanto, a velocidade de circulação da moeda está diminuindo.

Segundo o investidor, é perigoso quando grandes quantias de dinheiro são criadas do nada e não circulam na mesma velocidade de sua emissão. O motivo é que, quando esse dinheiro represado começar a circular, isso poderá levar a uma inflação maior do que o normal.

Isso inclui o inflacionamento da própria divida. Para Buffett, a maior quantidade de dinheiro acaba tendo o efeito de um imposto oculto, que consome o poder de compra do cidadão.  Afinal, antes de chegar às mãos das pessoas, o dinheiro passa, primeiro, pelos bancos.

Dessa forma, a inflação cresce e se espalha pelo mundo. No Brasil, apesar do IPCA abaixo da meta, o consumidor já sofre com sucessivos aumentos de alimentos e serviços.

Economia estagnada e taxas de juros negativas

O influente blog de finanças Zero Hedge escreveu recentemente que Warren “parece agora apostar discretamente contra os EUA”. Isso porque o famoso investidor “anti-ouro” abandonou os bancos, “a espinha dorsal da economia americana baseada no crédito” – segundo o blog – em favor de um minerador de ouro.

Nesse sentido, dois fatores influenciam fortemente a mudança de estratégia de Buffet em relação ao setor bancário. Um deles é a estagnação da economia. Além de não movimentar recursos, a retração da atividade ocasiona perdas relativas à inadimplência, o que atinge em cheio o setor bancário.

O outro são as taxas de juros negativas. Para Buffett, “é como se o investidor, além de não ganhar nada, tivesse que pagar para armazenar seu dinheiro. Além disso, o banco pode vir a enfrentar sérios problemas financeiros, que poderão comprometer inclusive a sua solvência.”

Sobre o assunto, o autor do artigo ressalta ainda que os bancos têm seguro no caso de tais acontecimentos.

Entretanto, dependendo da extensão do problema, poderá não haver garantias suficientes para todos. “As pessoas precisam entender isso. Estamos em um território desconhecido e eu não contaria com ninguém para vir salvar você e seu dinheiro”, conclui Warren.

A recente diversificação dos investimentos de Buffett

Para surpresa de muitos, em meados de julho o megainvestidor adquiriu US$ 560 milhões em ações da Barrick Gold Corp, líder mundial em mineração de ouro. Em contrapartida, sua holding Bershire diminuiu em mais de US$ 3 bilhões sua participação no Wells Fargo e J.P. Morgan Chase e zerou no Goldman Sachs.

Buffett já havia investido em metais no passado. Todavia, há alguns anos, sua a filosofia de investimentos era totalmente voltada a producing assets, ou seja, ativos que geram riqueza. Logo, o ouro era um dos itens que estava fora de seu portfólio.

Logo depois, veio a noticia de que a Berkshire, investiu mais de US$ 6 bilhões nas cinco maiores corretoras do Japão.  Segundo a Reuters, os investimentos ajudarão a reduzir a dependência da Berkshire da economia dos EUA. A partir do início da pandemia, essa é a maior contração do mercado americano desde, pelo menos, 1947.”

Alertas de Buffett para o atual cenário

Segundo Warren, é fundamental que as pessoas entendam como o dinheiro funciona hoje. A nova realidade, de retração econômica, juros em queda e países endividados, exige cautela e também revisão de estratégias.

Ao mesmo tempo em que nomes como Buffet e Soros deixam as ações em busca de segurança, fórmulas mágicas e rápidas para ganhar dinheiro atraem a atenção de muitos.

Corretoras polêmicas como a Robinhood, por exemplo, surgiram com a promessa de aumentar a presença dos pequenos investidores no mercado de capitais, de acordo com o artigo da Medium.  Entretanto, a facilidade exagerada de acesso a operações sofisticadas já tem alertado o mercado.

Além disso, problemas operacionais e falta de suporte aos clientes também colocam em dúvida a eficácia desse modelo. Por isso, além de cautela, o momento pede profissionalismo. Nesse sentido, contar com uma assessoria especializada é a melhor forma de reavaliar seus investimentos.

Por isso, não deixe de conversar com um profissional na hora de tomar decisões de investimentos. Se Buffett está reavaliando sua estratégia, pode ser uma boa pedida para você também.

Entre em contato com um assessor de investimentos da EQI, que vai te ajudar a navegar no novo cenário mundial.