VVAR3, PETR4, VALE3 puxam recomendações para setembro

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação

As preocupações crescentes com a situação fiscal do país acabaram pressionando o Ibovespa, que fechou no vermelho em agosto. Foi o primeiro mês negativo do índice desde a aguda crise relacionada ao coronavírus em março.

Para setembro, o BB Investimentos acredita que a volatilidade deva se fazer mais presente, mesmo passado o ponto mais crítico da crise do Covid-19.

“O mercado vai acompanhar de perto a real retomada das economias, até então muito incerta em função do desconhecimento do grau de impacto da pandemia”, diz o BB.

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Contudo, segundo a Toro, o clima não deve mudar muito em setembro. O grande risco no radar segue sendo a permanência ou não do ministro da Economia, Paulo Guedes, no cargo.

Por outro lado, “se o governo e o Congresso avançarem com a agenda de reformas e indicarem que estão dispostos a trabalhar na área fiscal, o Ibovespa pode subir novamente”, diz o BTG.

As recomendações de ações das instituições para setembro são puxadas pelas as gigantes Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e Via Varejo (VVAR3).

As companhias apareceram em carteiras recomendadas de Mirae, BTG Pactual, Elite, BB Investimentos, entre outras grandes casas.

Outros papéis que também tiveram menções relevantes foram B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), JBS (JBSS3) e Gerdau (GGBR4).

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo (VVAR3) foi o maior destaque nas recomendações de investimento para o mês de setembro, aparecendo mais vezes que qualquer outra ação.

A Terra Investimentos reforçou a percepção de que a Via Varejo está no caminho certo, e acredita que o segundo semestre será tempo de recuperar o terreno perdido para os concorrentes.

“Acreditamos que o setor de bens de consumo deve continuar mostrando bom resultado, principalmente as empresas que possuem uma maior penetração nas vendas via e-commerce”, diz a Toro

“Nesse quesito, acreditamos que a VVAR3 pode continuar na trajetória de valorização no preço de suas ações, pois a empresa, além de reportar um crescimento nas vendas no resultado do segundo trimestre, vem focada em aumentar seu market share nas vendas online”, conclui a Toro

“A empresa conseguiu surpreender graças ao forte resultado das vendas pela internet”, acrescenta a Terra.

Isso fez com que o mercado retomasse a confiança na companhia, que realizou uma oferta de ações e reforçou o caixa para dar sequência ao plano de reestruturação.

Vale (VALE3)

De acordo com o BTG, tipicamente é uma má ideia comprar ações de commodities durante uma recessão.

Mas, na visão do banco, o minério de ferro é uma das poucas situações específicas da crise, o que explica a relativa estabilidade dos ganhos da Vale em 2020.

A demanda de minério de ferro da China, que responde por cerca de 70% do mercado marítimo, permanece tão forte como sempre, enquanto interrupções agudas do lado da oferta impuseram um déficit até agora no ano – os preços spot permanecem em cerca de US$ 100/t.

Assim, o BTG projeta que a Vale poderá entregar US$ 17 bilhões em Ebtida em 2020, alta de 15%.

Embora as ações sejam inegavelmente baratas sob qualquer métrica, o BTG acredita que o retorno do valor patrimonial será gradual. Para isso, o banco se baseia em três pilares:

  • retorno da política de dividendos deve impulsionar entradas adicionais;
  • recuperação acentuada dos volumes e custos em declínio;
  • e melhora marginalmente da percepção do ESG, dado o maior foco da gestão no tema desde Brumadinho (longo prazo).

Petrobras (PETR4)

Desde o início da pandemia, o BTG reitera a recomendação de compra, devido a resiliência da companhia mesmo sob um “novo normal” para os preços do petróleo.

“O foco da Petrobras em projetos de alto retorno na área do pré-sal significa que ela deve ser capaz de reduzir a perda com o petróleo, mesmo abaixo de US$ 30/bbl, abrindo caminho para lucros sustentáveis”, diz o relatório.

Como o pior momento para os mercados de petróleo parece estar no passado, o BTG acredita que os investidores devem gradualmente começar a prestar mais atenção ao processo de desalavancagem da empresa.

Conforme o banco, o desinvestimento de 50% de suas refinarias desempenhará um papel importante à frente.

De acordo com o Santander, a Petrobras está se fortalecendo. Seja através do maior crescimento da produção do que os pares globais, além de ser mais lucrativa (devido ao pré-sal); pela aderência consistente à sua política de preços de combustível; pela sólida liquidez; e ainda níveis estáveis de dívida, com gestão contínua de passivos.