Via Varejo (VVAR3) congela aberturas de lojas e foca no digital

Osni Alves
Jornalista
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Crédito: Divulgação

A Via Varejo (VVAR3) anunciou o congelamento de abertura de lojas este ano, em meio ao fechamento forçado temporário por conta da crise do coronavírus.

Para compensar, a empresa destacou hoje em teleconferência com analistas que pretende fortalecer o ambiente de negócios digital.

No quarto trimestre, a empresa, controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, comunicou que as fraudes contábeis que investigava geraram um rombo de R$ 1,19 bilhão nos resultados do quarto trimestre.

Dessa forma, o resultado contábil apontou para um prejuízo de R$ 875 milhões.

Tirando este e outros ajustes não recorrentes, a empresa obteve um lucro operacional de R$ 78 milhões. Um ano antes, no quarto trimestre, registrou um prejuízo de R$ 282 milhões.

Segundo o presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, o plano inicial de abertura de 70 a 90 novos pontos de venda foi congelado.

“Inclusive, já temos os pontos mapeados, mas pode ocorrer de aparecer salas ainda melhores após a crise”, disse Fulcherberguer.

Online

Para contar as dificuldades, a companhia aposta no ambiente online. A intenção é colocar 20 mil vendedores atuando de casa.

Segundo o executivo, a empresa iniciou com 80 vendedores quando o governo recomendou a paralisação, há uma semana. Ontem, cerca de mil vendedores entraram na operação.

“Estamos com 90% de nosso backoffice em home office e nos tornamos muito mais funcionais e mais objetivos do que já éramos”, disse Fulcherberguer em referência à equipe administrativa.

E acrescentou: “as vendas estão sendo possíveis porque o CRM está funcional. Temos 80 milhões de clientes e a ferramenta dispara ofertas adequadas às necessidades de cada um deles”, disse.

Conforme o executivo, são 1,200 profissionais de TI (Tecnologia da Informação) trabalhando para manter a Via Varejo ativa nesse período de portas fechadas.

Rede social

Segundo ele, a venda se utiliza inclusive do whatsapp. “Com essas ações, temos o vendedor feliz, porque continua ganhando sua comissão, e o cliente feliz, porque está consumindo.”

A Via Varejo tem, atualmente, 1,050 gerentes. “Eles também estão atendendo nossos clientes de maneira online. Por conta dessa nova forma de fazer negócios, o conselho optou em não tirar um centavo dos investimentos em tecnologia”, disse.

48% Online

Para se ter ideia da força do ambiente online nas vendas da Via Varejo, o segmento representou 48% dos negócios da companhia na Black Friday de 2019. “Em 24h de operação, faturamos mais de R$ 1 bilhão. O ambiente off-line ficou com 52% da fatia.”

No comparativo anual, as operações online cresceram 68% em dezembro do ano passado ante igual período de 2018. Já no comparativo trimestral, o crescimento foi de 29% em 2019 frente o trimestre do ano anterior.

O app (aplicativo) da empresa saltou de 1,4 milhão de usuários em junho do ano passado para 5,3 milhões no mês seguinte.

“Tivemos forte recuperação na experiência de vendas, com ajuda do ambiente online. Vemos grande estabilidade nessa plataforma, inclusive, melhoramos o fluxo de conversão”, disse.

E acrescentou: “tivemos 175% de crescimento em visitas no app, convertendo 27%. Também foi o aplicativo mais baixado naquela Black Friday”, frisou.

Segundo Fulcherberguer, a Via Varejo está mudando completamente o eixo de atratividade da empresa. “No centro de tudo isso está o cliente, tudo é por ele.”

A companhia também está reformulando o PDV e o marketplace. “Uma grande melhoria está a caminho. Vamos aliar cultura e inteligência aplicada ao negócio”, ressaltou.

Capacidade de adaptação

Vice-Presidente da Via Varejo, Orivaldo Padilha disse que esse é um dos períodos mais difíceis que a empresa já enfrentou.

Tanto Padilha quanto Fulcherberguer elencaram a principal característica que a companhia deve ter nesta fase: capacidade de adaptação e preparação para a largada.

“Neste momento, estamos de fato vendo quem são nossos parceiros estratégicos de longo prazo. Nossos principais bancos nos ligaram e disseram que o que vem pela frente não será fácil e nem trivial, nossas linhas de credito estão mantidas”, disse.

Significa dizer que a Via Varejo continua com linhas de crédito abertas se necessitar de recursos para manter as operações de pé.

“Além disso, nossos fornecedores ajustarão o fluxo de recebimentos e prazos. Estamos com excelente estoque e continuamos a receber mercadorias”, frisou.

Como ação direcionada ao público-alvo, a empresa pretende postergar a prestação de abril para ajudar o cliente a ter fôlego durante o ano.

Caixa

A empresa encerrou o trimestre com uma posição de caixa total de R$ 4,4 bilhões e caixa líquido ajustado de R$ 2,2 bilhões, incluindo a carteira de recebíveis não descontados no valor de R$ 3,0 bilhões.

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Já a redução de 2,2 bilhões frente ao quarto trimestre de 2018, apesar da redução de estoques, está relacionada com a menor geração de caixa operacional e redução do prazo médio de pagamentos.

Ta, e aí?

Para a XP Investimentos, os resultados da Via Varejo mostram um progresso importante do processo de restruturação da companhia.

A gestora destaca a forte aceleração da operação de e-commerce, com crescimento de 34,9% das vendas online, e melhora substancial da rentabilidade, com expansão de 3,7 p.p da margem bruta na comparação anual.

Segundo a XP, essa reviravolta reflete a capacidade da nova gestão que assumiu o comando da companhia em Junho do ano passado.

De qualquer maneira, diz a XP, a atenção dos investidores continuará voltada aos desdobramentos da crise desencadeada pelo Covid-19.

No curto prazo, todas as varejistas de bens duráveis serão negativamente impactadas pelos efeitos das medidas preventivas para conter o avanço do vírus.

Além do fechamento temporário das lojas e restrição de circulação, a gestora diz esperar um ambiente geral de consumo mais restrito, dada a queda na confiança, instabilidade do mercado de trabalho e priorização de consumo básico.

A XP elenca três avanços da Via Varejo: o canal online está sendo importante atualmente para preservação das vendas durante o fechamento das lojas; a melhora na rentabilidade e relacionamento com fornecedores; a capacidade de execução da nova gestão.


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