VTEX, Zenvia e outras brasileiras optam por fazer IPO em Nova York. Saiba quais e a razão

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Nyse/Divulgação

É cada vez maior o número de companhias brasileiras que optam por abrir seu capital via IPO em bolsas norte-americanas, dada a perspectiva de maior  valorização de seus papéis.

Nesse contexto, na última quarta-feira (21) a VTEX, plataforma brasileira de comércio eletrônico, realizou seu IPO na Bolsa de Nova York (Nyse).

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Em sua estreia a companhia captou US$ 361 milhões e passou a ser avaliada em USS 3,75 bilhões. No fechamento do pregão, os papéis valiam US$ 22,18 representando uma alta de 16,7%.

Um dia depois, na quinta-feira (22), foi a vez da Zenvia fazer o seu lançamento lá fora. A empresa de soluções de tecnologia levantou cerca de US$ 200 milhões em sua oferta inicial. A ação da companhia abriu o pregão em forte queda e fechou o dia com recuo de 21,54%, sendo cotada a US$ 10,20.

Além das companhias referidas acima, o segundo semestre deste ano promete ser promissor em lançamentos nos Estados Unidos.

Dentre eles, é grande a expectativa para o IPO do banco digital Nubank. De acordo com a agência Reuters, a oferta inicial poderia levar o Nubank a ser avaliado em mais de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 200 bilhões).

Quem mais fará IPO em NY?

Outras brasileira que vêm se preparando para lançar ações nos Estados Unidos nos próximos meses são:

  • Hotmart : plataforma de criadores de conteúdo
  • Ebanx : empresa de pagamentos
  • Elo Cartões : empresa de pagamentos
  • Thinkseg : empresa que disponibiliza seguro auto por assinatura

O Banco Inter (BIDI11) segue o mesmo caminho. Em 25 de maio a companhia anunciou que que tem interesse em migrar para a Nasdaq, bolsa de valores americana, onde estão listadas as grandes empresas de tecnologia.

Em fato relevante, o banco diz que sua atual base acionária será transferida para uma nova empresa (Inter Platform Inc.), constituída nas Ilhas Cayman. Após a listagem, a nova empresa oferecerá Brazilian Depositary Receipts (BDRs) negociados na B3. A justificativa do Inter é o fortalecimento da marca como companhia global de tecnologia no setor financeiro e o aumento de sua base de investidores.

Mercado atrativo no exterior

Parte desse movimento é justificada pela maior capilaridade do mercado financeiro lá fora. Sendo que esse movimento não é dado somente pelo número de investidores. Mas também pela expectativa de aumento de clientes e fornecedores.

Em outras palavras, o mercado norte-americano possui um nível de maturidade maior, mais investidores e um maior volume negociado. Por isso atrai empresas interessadas em fazer IPO.

Com regras diferentes do Brasil, a listagem em bolsas americanas também permite a emissão de ações preferenciais. E nisto difere do mercado brasileiro. Por aqui, o segmento do Novo Mercado da B3 permite apenas o lançamento de ações ordinárias.

E isso acaba sendo um fator relevante para companhias que não abrem mão do controle acionário da empresa.

Especialistas afirmam ainda que as burocracias excessivas da B3 costumam ser motivos que pesam na hora de decidir onde fazer o IPO.

Além disso, as bolsas americanas oferecem dispositivos mais avançados de governança corporativa. Isso porque os requisitos exigidos pela SEC (órgão regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos) são mais rigorosos.

Brasileiras que fizeram IPO nos EUA

Entre as brasileiras que realizaram realizaram o IPO em bolsas americanas nos últimos anos, os principais destaques ficaram para:

PagSeguro: entre os maiores IPOs de tecnologia

A PagSeguro (PAGS), companhia que pertence ao grupo UOL, levantou cerca de US$ 2,27 bilhões em sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Nova York, em 2018.

Na época foi considerado o quarto maior IPO de tecnologia da história.

Líder no mercado brasileiro de meios de pagamentos online, a companhia consolidou-se como a maior plataforma de pagamento online do Brasil.

É possível investir na PagSeguro através dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), disponíveis na B3. O código de negociação é PAGS34.

Stone

A Stone (STNE) é uma fintech de meios de pagamentos multibandeira, que atua por intermédio de máquinas de cartões, processadoras de transações realizadas por cartões de crédito, débito e voucher.

Em 2018, as ações da companhia dispararam mais de 30% em sua estreia na Nasdaq, em um IPO que captou US$ 1,22 bilhão.

O IPO teve a participação de grandes investidores internacionais como Warren Buffett, por meio da holding de investimentos Berkshire Hathaway, e a Ant Financial da chinesa Alibaba.

A empresa já anunciou investimento de R$ 2,5 bilhões no Banco Inter, por meio de follow-on.

Afya Educacional

A Afya Educacional (AFYA) abriu seu capital na Nasdaq em 2019 com ações subindo 20% na estreia.

O grupo brasileiro de educação, especializado em cursos de medicina, levantou US$ 300 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) com o IPO.

A Afya foi criada pela união da NRE Educacional, maior grupo de faculdade de medicina do Brasil, e da Medcel, marca de cursos digitais preparatórios para provas de residência médica.

Azul: IPO no Brasil e nos EUA

Há situações ainda em que a empresa opta por abrir seu capital em mais de uma bolsa.

A Azul, por exemplo, abriu seu capital em 2017 na B3 (AZUL4) e na Nyse (AZUL) e, ao todo, a companhia captou R$ 2,02 bilhões.

Companhias que fizeram IPO nos EUA este ano

Vinci Partners

Em janeiro de 2021, a gestora de private equity Vinci Partners lançou sua oferta pública inicial de ações nos EUA.

A gestora, listada na Nasdaq com o ticker VINP, levantou ao menos US$ 250 milhões.

Pátria

Outra gestora brasileira de private equity que lançou IPO nos EUA em janeiro de 2021 é a Pátria Investimentos.

O total levantado foi de US$ 625 milhões. A gestora será listada na Nasdaq, com o ticker PAX.

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