Volume de serviços avança 0,5% na passagem de julho para agosto, em linha com projeção

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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O volume de serviços cresceu 0,5% na passagem de julho para agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da quinta taxa positiva seguida, acumulando no período ganho de 6,5%, mostra a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

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Com esse movimento, o setor está 4,6% acima do patamar pré-pandemia e alcança o nível mais elevado desde novembro de 2015.

Entretanto, segundo o IBGE, o setor ainda está 7,1% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014.

O dado de hoje complementa a série de indicadores do IBGE, sendo que, em agosto, a produção industrial recuou 0,7% e o volume do varejo caiu 3,1%.

Pesquisa Mensal de Serviços: variação mensal

IBGE: Serviços

Ainda de acordo com a pesquisa, na comparação com agosto de 2020, o volume de serviços cresceu 16,7%, sexta taxa positiva consecutiva.

Já no acumulado do ano, o setor avançou 11,5% frente a igual período do ano anterior. Em 12 meses, ao passar de 2,9% em julho para 5,1% em agosto, manteve a trajetória ascendente iniciada em fevereiro deste ano (-8,6%) e alcançou a taxa mais intensa da série histórica, iniciada em dezembro de 2012.

Gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo destacou que o setor de serviços mantém sua trajetória de recuperação em agosto, sobretudo nos serviços considerados não presenciais, mas também nos presenciais, com o avanço da vacinação e o aumento da mobilidade das pessoas.

“Desde junho do ano passado, o setor acumula 14 taxas positivas e somente uma negativa, registrada em março, quando algumas atividades consideradas não essenciais foram fechadas por determinação de governos locais em meio ao avanço da segunda onda do coronavírus”, frisou.

Setores

Conforme a pesquisa, o avanço dos serviços em agosto foi impulsionado por quatro das cinco atividades, com destaque para serviços de informação e comunicação (1,2%) e transportes (1,1%), após resultados negativos em julho.

Segundo Lobo, o primeiro foi impulsionado pelos serviços de desenvolvimento e licenciamento de softwares, portais e provedores de conteúdo e ferramentas de buscas na internet, além de edição integrada e impressão de livro.

“O segundo pelo transporte aéreo de passageiros e operação de aeroportos, na medida em que houve maior fluxo de passageiros se deslocando e aumentando a receita das companhias aéreas e das concessionárias de aeroportos. Destaco ainda a parte de logística de cargas”, detalhou.

Famílias

Seguindo a PMS, os serviços prestados às famílias avançaram 4,1% em agosto, quinta taxa positiva desde abril, acumulando crescimento de 50,5%.

Esse avanço vem, novamente, do segmento de alojamento e alimentação, como os hotéis e restaurantes. Mesmo com o avanço em agosto, serviços prestados às famílias operam 17,4% abaixo do patamar de fevereiro de 2020.

Também mostra que com o menor impacto no índice, outros serviços (1,5%) eliminaram o recuo do mês anterior (-0,2%). “Essa atividade foi impulsionada pelos serviços financeiros auxiliares e, em menor medida, pelos serviços de pós-colheita correlacionados à agropecuária, como contratação de mão de obra para colheita da safra ou plantação de algum produto agrícola e locação de maquinário. Uma vez que é feita a colheita, há um conjunto de serviços que são utilizados nesse processo agrícola”, explicou Lobo.

Serviços profissionais, administrativos e complementares

De acordo com o gerente, os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,4% em agosto, depois de três taxas positivas consecutivas, quando acumularam ganho de 4,1%. Com esse resultado negativo, o setor voltou a ficar 0,2% abaixo do patamar pré-pandemia, se juntando aos serviços prestados às famílias.

“Esse recuo de 0,4% é uma acomodação do ritmo de crescimento. A pressão negativa veio das atividades jurídicas, atividades técnicas relacionadas à arquitetura e engenharia e soluções de pagamentos eletrônicos. Com isso, temos agora dois setores que estão operando abaixo de fevereiro de 2020: serviços profissionais, administrativos e complementares e serviços prestados às famílias”, observou.

E disse mais: “em agosto, 16 das 27 unidades da federação tiveram crescimento no volume de serviços, na comparação com o mês anterior. Entre os locais com taxas positivas, o impacto mais importante veio de São Paulo (0,5%), seguido por Rio Grande do Sul (4,2%), Paraná (1,0%) e Bahia (1,7%). Já Mato Grosso (-3,6%), Distrito Federal (-2,0%) e Rio de Janeiro (-0,4%) registraram as principais retrações no período.”

Índice de atividades turísticas

Já o índice de atividades turísticas avançou 4,6% em agosto na comparação com julho. É a quarta taxa positiva seguida, período em que acumulou crescimento de 49,1%. Cabe salientar que o indicador de turismo ainda se encontra 20,8% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

Oito das 12 unidades da federação observadas nesse indicador apresentaram taxas positivas, com destaque para São Paulo (4,9%), Minas Gerais (4,7%), Goiás (8,8%) e Paraná (5,4%). No campo negativo, o Rio de Janeiro (-1,1%) teve o resultado negativo mais importante do mês.

PMS

Conforme o IBGE, a PMS produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no país, investigando a receita bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com 20 ou mais pessoas ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não financeiro, excluídas as áreas de saúde e educação. Há resultados para o Brasil e todas as unidades da federação. Os resultados podem ser consultados no Sidra.

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