Volume de debêntures negociados no mercado secundário quase dobrou, diz ANBIMA

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Photo by Jason Briscoe on Unsplash

O número de transações envolvendo debêntures no mercado secundário cresceu 174% em dois anos. O volume negociado passou de R$ 36,1 bilhões para R$ 99 bilhões, conforme dados da ANBIMA.

O aumento foi motivado pela taxa de juros baixa e pela elevação da demanda por crédito privado. Sendo assim, o movimento contribuiu para fomentar o mercado secundário de debêntures. Ou seja, os títulos não encarteirados pelos bancos, subiu para R$ 319 bilhões, ante R$ 180 bilhões, crescimento de 77%. A oferta de papéis subiu 33% no período, de 742 para 1005 ativos.

Ademais, “de 2017 para cá, as debêntures ganharam fôlego por uma série de motivos, como os sucessivos cortes na Selic desde o fim de 2016, que incentivaram os investidores a buscar mais rentabilidade em outros produtos. Também vale destacar a menor atuação do BNDES no financiamento de empresas, o que aumentou a demanda das companhias de se financiarem via mercado de capitais. Além disto, foi ampliada a base de investidores com a maior oferta de debêntures incentivadas emitidas pela Lei 12.431”, explica José Eduardo Laloni, vice-presidente da ANBIMA.

BOOM das debêntures

Com o boom das debêntures, os fundos de investimento passaram a ter maior participação na distribuição das ofertas públicas destes produtos, uma vez que começaram a focar em estratégias dedicadas aos ativos de crédito privado. Até agora, os fundos absorveram 52% do total das ofertas e 37% ficaram com instituições ligadas aos emissores. Em 2017 (ano completo), essa relação era similar, de 55% contra 35%, e em 2015 (ano completo) o cenário era o oposto: a maior parte das ofertas (63%) foi direcionada às instituições coordenadoras e a menor (23%) para os fundos de investimentos.

“No passado, os investidores queriam comprar, mas não tinha papel no mercado. E quando tinha, havia a preocupação de não conseguir vendê-lo no secundário. A queda na participação dos intermediários nas ofertas propicia mais ativos elegíveis à negociação, aumenta a liquidez”, afirma Laloni.

O giro é a relação de volume negociado sobre o estoque em mercado, também mostrou elevação, especialmente nas debêntures incentivadas. Estes papéis registraram giro de 48% em 2019 (novembro) contra 33%, entre janeiro e novembro de 2017; seguidos das debêntures remuneradas pelo DI (27%) e das indexadas ao IPCA e sem isenção (24%).

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Iniciativas da ANBIMA

A ANBIMA tem uma série de iniciativas com objetivo de fomentar o mercado secundário de crédito privado. Umas delas é a divulgação diária de preços de CRIs e CRAs iniciada em setembro de 2019. “Essa divulgação auxilia na formação de preços e impacta a liquidez deste mercado, a exemplo do que aconteceu com as debêntures”, explica Laloni.

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