Você não é tão esperto quanto pensa: conhecendo as armadilhas do cérebro

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Divulgação

Será que somos mesmo tão únicos e racionais quanto pensamos? Ou todo esse conhecimento que julgamos ter não passa de uma simples ilusão? É exatamente essa a reflexão que propõe o best seller Você Não é Tão Esperto Quanto Pensa, de David Mcraney.

A seguir, confira a resenha do livro, uma aula de psicologia realista e bem humorada.

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Você não é tão esperto quanto pensa

Nas palavras do autor, existem, no mínimo, “48 maneiras diferentes de nos iludirmos”. É justamente sobre cada uma dessas maneiras que tratam os 48 capítulos do livro.

Basicamente, a obra aborda pensamentos equivocados que aplicamos em nosso dia a dia, para legitimarmos crenças e atitudes. Essa tendência induz a padrões de comportamento que levam a conclusões distorcidas sobre a realidade.

Tendências cognitivas

Um exemplo dessas armadilhas aplicadas pelo cérebro é o viés de confirmação. Em outras palavras, trata-se da tendência que temos de lembrar, interpretar e aceitar fatos que, simplesmente, confirmem as nossas crenças. Ou seja, é muito mais fácil valorizarmos ideias que já conhecemos e com as quais concordamos, do que aceitarmos opiniões que contrariem nosso ponto de vista.

Porém, o ser humano não faz isso de forma consciente. Ao contrário, até mesmo cientistas estão sujeitos a essa armadilha da mente. Por isso, é muito importante estarmos alertas a essa tendência, para conseguirmos ser suficientemente críticos.

Falácias lógicas

Outra armadilha na qual comumente caímos são as falácias lógicas.

A princípio, uma falácia lógica pode até soar como uma verdade. Isso porque ela se baseia em argumentos parciais para a tomada de decisão. Ou seja, argumentos persuasivos podem parecer convincentes para grande parte do público, mas nem por isso deixam de ser falsos.

Nesse sentido, existem diferentes tipos de falácias. Por exemplo, a falácia da autoridade é quando se considera regra tudo o que vem de uma fonte especializada, normalmente renomada. Existem também as induções falsas, que é quando se infere uma relação causal sem evidências. Por exemplo, algo que aconteceu antes de um fato não está, necessariamente, ligado ao acontecimento subsequente.

Autoengano

O “mentir para si mesmo” é detalhadamente abordado no segundo capítulo do livro.

Para Mcraney, frequentemente ignoramos as nossas motivações e criamos narrativas não verdadeiras sem percebermos. Tudo isso para conseguirmos explicar a nós mesmos as nossas emoções e decisões.

Em Você Não é Tão Esperto Quanto Pensa, Mcraney afirma que “o homem é uma criatura confabulatória por natureza. Está sempre explicando a si mesmo as motivações de suas ações e as causas para os efeitos em sua vida e as cria sem perceber, quando não sabe as repostas. Com o tempo, essas explicações se tornam a sua ideia de quem é e qual é seu lugar no mundo. Elas são o seu Eu.”

Heurística da disponibilidade

Heurísticas são atalhos mentais que o nosso cérebro utiliza para tomar decisões de forma mais rápida e fácil.

Nesse caso, em vez de utilizarmos dados precisos, recorremos a lembranças de situações semelhantes para suportar nossas respostas e escolhas.

Em relação à heurística da disponibilidade, cabe a análise do “efeito manada”, que ocorre com frequência no mundo financeiro, por exemplo.

Muitas vezes, a alta inexplicável de um ativo financeiro leva diversos investidores a adquirirem o título simplesmente por causa da valorização. Ou seja, não há uma preocupação em analisar por que o ativo subiu. Em vez disso, o que se vê é uma corrida de muitos investidores para aproveitar o momento de alta.

Outra peça pregada pelo cérebro é o fato de, diante de uma “onda de crescimento”, os fracassos serem mais facilmente apagados da memória. Em outras palavras, quando todos estão eufóricos e acreditando no sucesso, mesmo quem já teve experiências ruins acaba se deixando influenciar.

Esses foram apenas alguns dos aspectos abordados pelo livro. Com linguagem acessível e argumentos muito bem embasados, David Mcraney consegue comprovar o que o título sugere. Tudo isso sem perder o bom humor.

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