Você deveria comprar Dólares

Carlos Henrique de S. e Silva
Carlos Henrique é especialista de investimentos certificado pelo CEA® e PQO®. Em sua trajetória esteve em grande instituições como o Banco Volkswagen, XP Investimentos e Banco Itaú. Hoje atuo como redator de conteúdo na EuQueroInvestir! e como assessor de investimentos.
1

Crédito: Foto por freepik - br.freepik.com

Agora, que a Selic foi cortada novamente e há expectativa de novos cortes, você deveria comprar dólares.

A expectativa de alta do Dólar no curto e médio prazo é algo que já conseguimos ver um dia após a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 19/09 desse ano.

Após a reunião de ajuste dos juros, o dólar futuro fechou com alta de 1,24% no pregão à R$ 4,152.

Em suma, o aumento do preço do dólar em relação ao real tendem a aumentar nos próximos meses e isso é um consenso do próprio Banco Central.

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central do Brasil, a expectativa do dólar em relação ao real ficará maior no tempo e isso tem um principal fator decisivo: a redução da Selic.

Porque a taxa de juros afeta o câmbio

Primeiramente, uma aula rápida sobre economia.

Os juros representam o custo do dinheiro no tempo. Quanto maiores os juros mais o seu dinheiro irá se valorizar, estando tomado, como em uma aplicação.

No entanto, caso esteja pagando um empréstimo, será o quanto o dinheiro se ajustará até que finalize seus pagamentos.

Existem país com juros negativos. O que parece ser um cenário completamente fora da realidade brasileira.

O Brasil, historicamente, teve juros altos. Porém, esse cenário não voltará a acontecer tão cedo e isso afeta nossa estruturalmente o nosso país.

Os juros no mundo

Conforme dito acima, há países com diferentes taxas de juros, ou seja, distintas maneiras de remunerar o dinheiro no tempo.

Os juros americano são, respectivamente, 1,75% – 2,00% ao ano, sendo que há flutuação entre os dois percentuais.

Já os juros da Alemanha equivalem à 0,00% ao ano. E, ultimamente, caso o investidor empreste o dinheiro por lá, é possível que esse receba menos que o investido!

Risk Free Rate – Taxa Livre de Risco

Risk free

Foto por snowing – br.freepik.com

Os juros de um país é um balizador de remuneração de ativos de Renda Fixa.

No caso do Brasil, a Selic é a base de cálculo para as rentabilidade dos Títulos Públicos Federais.

Para os EUA, por exemplo, a taxa de juros alinhada pelo Fed (Federal Reserve), é base de rentabilidade para os Treasuries americanas.

A taxa de juros também é chamada de Risk Free Rate, ou Taxa Livre de Risco.

Basicamente, a TLR indica quanto você deve esperar de retorno investindo em uma aplicação livre de risco.

A diferença cambial é atrativa

Podemos concordar que o risco de investir em um título público do Brasil é o mesmo de investir em um título pública nos Estados Unidos, certo? Errado.

Cada um dos países têm sua própria avaliação de risco ao investidor, na teoria os EUA são melhores pagadores que o Brasil por poderem honrar melhor com suas dívidas.

Então, comprar um título de dívida do governo brasileiro deve, necessariamente pela lei de risco x retorno, pagar mais a um investidor que um título americano.

Façamos um breve exercício:

Imagine ser um investidor americano querendo investir em ativos de países em desenvolvimento. Há um risco nesse investimento, pois países em desenvolvimento podem ter problemas sérios com suas contas.

Você observa o país mais promissor da America Latina pagando taxas de 12% ao ano para títulos públicos.

Desse modo, como os juros americanos estão, no momento, pagando 1% ao ano, você opta por investir no Tesouro Selic brasileiro. Esse é o cenário do ano de 2014.

O investidor externo vê uma “gordura” imensa como prêmio de risco na aplicação do Tesouro brasileiro em relação ao americano. Fazendo uma conta rápida, serão quase 11% a mais para um risco-país de um emergente.

Contudo, a diferença do câmbio do dólar em comparação ao real já da um ganho a mais na operação.

Porém, chegamos em 2019 e o cenário muda completamente.

O Brasil passou por uma recessão sem precedentes e, agora, ensaia uma retomada.

Essa retomada vem junto à sucessivos cortes na taxa básica de juros brasileira para estimular o crédito. E chegamos ao patamar de 5,5% ao ano de taxa livre de risco.

Contudo, os Estados Unidos já estão em crescimento acelerado e começam a aumentar os juros para desestimular o crédito. Chegando ao patamar de 1,75% – 2,00% sem muita certeza para onde irá a economia.

Prêmio de risco – A fonte secou

A fonte secou

Foto por welcomia – br.freepik.com

Em síntese, agora temos um prêmio de risco entre os juros americano e brasileira próximo a 3,75%. Algo muito diferente que o cenário de 2014 onde a Selic batia 12% ao ano.

Em suma, investir no Brasil, sendo investidor externo já não paga tão bem para o risco. Em outras palavras, a fonte de rentabilidade com risco-brasil secou.

A Selic, o dólar e o risco

Como a vantagem de investir no Brasil em ativo livre de risco já não tem o mesmo prêmio para o investidor externo, esse tende a retirar capital do país.

Visto que o risco já não vale tão a pena, o investidor vai optar por alternativas que podem dar um melhor retorno comparado ao risco.

Dessa maneira, a expectativa é que com os possíveis cortes da Selic pelo COPOM, sem que haja uma expressiva melhora na economia brasileira, culminará em uma evasão de dólares.

A oferta e a demanda do dólar na economia

Com a saída de capital estrangeiro do país, teremos uma menor oferta de dólares na economia brasileira, o que culmina no aumento da diferença cambial US Dólar X Real.

O fluxo de saída de capital estrangeira soma -1,752 bilhões de acordo o Banco Central do Brasil.

 

O novo Brasil e as novas regras

Por mais que haja saída de capital estrangeiro, ainda sim vemos a Bolsa Brasileira subir assim como o preço do dólar.

Em síntese, a baixa correlação do dólar com o Ibovespa existe, porém estamos vendo um capital interno migrando de ativos conservadores para multimercados, fundos de ações e ativos em bolsa puxando o índice para cima.

Assim como, mesmo nas altas históricas da Bolsa, ainda vemos o dólar subindo com a saída dos estrangeiros.

Por ora, ainda não será possível mensurar o patamar do valor do dólar, a “reconquista” dos investidores de fora virá com a retomada expressiva do crescimento brasileiro.

Em conclusão, comprar dólares será um boa estratégia até que entre mais capital externo no país.

Quando, onde e quanto investir

O teste de perfil de investidor criado pela equipe da Euqueroinvestir.com pode ser usado como base para você identificar seu perfil como investidor: conservador, moderado ou agressivo.

Conhecer o próprio perfil como investidor e ter claro o objetivo com os investimentos, é a base para identificar os melhores investimentos, afinal, não existe o melhor investimento, o que existe é o melhor investimento para o perfil e objetivo do investidor.

No entanto, o teste de perfil é só o começo, o primeiro passo em sua caminhada enquanto investidor. Entender mais profundamente seu perfil e ter claro os objetivos quanto a prazos de investimentos, é uma tarefa um pouco mais sofisticada e exige uma análise mais criteriosa.

Se considera um investidor conservador? Então você está em risco de extinção!

O cenário econômico virou do avesso e o país já não é mais o mesmo.

As taxas de juros caíram à níveis jamais vistos no Brasil desde o final do governo Militar (imagem abaixo) e levaram os rendimentos de Renda Fixa para próximo de Zero (ou negativos no caso da poupança).

Italian Trulli

A nova equipe econômica está incentivando novos investimentos no país, e com isso já não é mais possível ganhar dinheiro confortavelmente na poupança e em CDBs comuns. Por isso, estamos declarando a Extinção do Investidor Conservador.

Se você faz parte dessa espécie de investidor que está em risco de extinção, confirme seus dados no formulário abaixo e fale com nossa equipe. Vamos te ajudar, sem dor e sem custo.