Vivara (VIVA3), Omega (OMGE3) e Cesp (CESP6) ingressam no top 10 da XP

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: Divulgação / Trademap

A XP Investimentos alterou sua carteira Top 10 de maio. Esse pacote abrange as dez melhores ações para investir que possam performar acima do Ibovespa no horizonte de médio prazo.

Nesse mês, a gestora promoveu três mudanças. Ingressaram na carteira a Vivara (VIVA3), a Omega Energia (OMGE3) e a Companhia Energética de São Paulo (CESP6).

Em caminho oposto, deixaram a carteira a Ambev (ABEV3), a Engie (EGIE3) e a Copel (CPLE6).

A XP também mantém o preço-alvo para o Ibovespa em 94 mil pontos ao final de 2020 inalterado.

Conforme a gestora, a carteira traz as melhores ações para investir com atribuição igual de pesos, em 10%, permitindo ao longo do tempo trazer estratégias adicionais ou de nicho para os clientes.

Banco do Brasil (BBAS3)

Apesar de a ação ter se mantido estável em abril, a XP reitera a recomendação de compra no Banco do Brasil, com base em três pilares principais: i) carteira de crédito mais defendida, com mais de 40% da carteira nos segmentos de agronegócio e consignado; ii) deve ser beneficiada em 2020 por fatores não dependentes da economia, como redução de provisões operacionais e custo de captação mais barato via depóstios judiciais; e iii) valuation descontado, com o banco sendo negociado hoje a 0.8x seu valor patrimonial e menos de 5x seu lucro em 2019. Por fim, acreditamos que o banco possua liquidez e esteja solvente, especialmente importante no atual momento de cenário.

CESP (CESP6)

Temos recomendação de Compra e preço-alvo R$ 34 por ação nas ações da Cesp. Acreditamos que as ações oferecem um risco-retorno atrativo a investidores, considerando (1) as melhorias de custo desde a privatização da empresa em outubro de 2018, com uma redução de –52% em no número de funcionários e -18% nos custos gerenciáveis (pessoal, materiais e serviços) desde então, (2) contratação de capacidade de 113% em 2020-2021, o que consideramos atrativo diante da queda dos preços da energia no curto prazo (spot), (3) a redução contínua do valor dos contingentes passivos após a revisão da estratégia jurídica da empresa desde sua privatização (com uma redução de R$ 1,5 bilhão alcançada em 2019), que acabará por destravar maior distribuição de dividendos no futuro e (4) o risco-retorno implícito no preço atual das ações, que acreditamos não levar em conta em conta nenhuma entrada de recursos referentes ao valor incontroverso da indenização da Usina Hidrelétrica de Três Irmãos.

JBS (JBSS3)

Em Abril, as ações das empresas de proteínas foram impulsionadas pelo caráter resiliente do setor em meio à crise do coronavírus, somado às expectativas positivas em relação aos resultados das empresas, que devem ser divulgados ainda na primeira quinzena de Maio. Entendemos que os frigoríficos passam por um momento particularmente positivo, em função de uma combinação de fatores, que inclui: (i) exportações brasileiras seguem muito fortes e beneficiadas pelo câmbio; (ii) mercado doméstico com volumes favorecidos pela quarentena, apesar da volatilidade; (iii) impactos no canal de restaurantes e bares (foodservice) pouco representativos para as empresas da nossa cobertura.

Marfrig (MRFG3)

Especificamente, entendemos que a Marfrig deve ser o destaque deste trimestre, com margens muito fortes e baixo impacto do coronavírus, o que junto com a resiliência das operações quanto às notícias de fechamento de plantas, pode ajudar a explicar porque a performance das ações da Marfrig foi superior a das da JBS neste mês. Para saber mais detalhes, confira o nosso relatório com os 10 principais assuntos do setor de proteínas.

Omega (OMGE3)

Temos recomendação de Compra em Omega e preço-alvo de R$ 42 por ação. Em um momento de altas incertezas no setor de elétrico, vemos como atrativa a exposição da Omega ao mercado regulado (ACR) de 67% até 2022 e 75% de 2023 em diante. Além disso, acreditamos que a companhia consolidou uma reputação no mercado ao adquirir ativos com elevadas taxas de retorno desde seu IPO em julho de 2017, tanto com a empresa parceira Omega Desenvolvimento como com terceiros. Por fim, não temos quaisquer preocupações com o aparentemente elevado endividamento da Omega, dado que os vencimentos de dívida estão completamente alinhados com a geração de caixa dos ativos da companhia.

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GPA (PCAR3)

No mês de abril, as ações do GPA tiveram um desempenho abaixo daquele apresentado pelo índice e pela nossa cobertura de varejo. Isso aconteceu em função do aumento da visibilidade em relação à retomada das atividades do setor ao longo do mês. Com isso, investidores aumentaram a exposição a empresas de consumo discricionário (cíclicas). Entretanto, ainda acreditamos que as ações do GPA hoje ofereçam uma combinação de (i) maior resiliência no curto prazo, dado que a evolução da pandemia ainda pode continuar trazendo volatilidade e (ii) risco-retorno atrativo. Dentre os sub-setores de varejo, como destacado em nosso relatório “Varejo: Esperando o melhor, mas nos preparando para o pior; Magalu COMPRA”, aqueles relacionados ao consumo básico (alimentação e saúde) tem sido menos impactados pela crise desencadeada pelo COVID-19.

Localiza (RENT3)

Acreditamos que a performance forte no mês em parte reflita (i) uma correção após a forte queda de quase 50% no mês anterior e (ii) um movimento de preferência por ativos de qualidade na bolsa.

Suzano (SUZB3)

A alta correlação com o dólar e o aumento dos preços da celulose no período – acima de US$465/t – elevaram os preços das ações da Suzano. No entanto, é importante destacar que o lucro líquido deve ser impactado negativamente pelo dólar mais alto dada a exposição à moeda em sua dívida. A empresa possui cerca de 70% de sua dívida bruta em dólares. Seguimos otimistas com a tese de investimentos, principalmente pela expectativa de continuidade na demanda por tissue (papeis sanitários em geral).

Vivara (VIVA3)

Reconhecemos que a empresa será impactada pela crise desencadeada pelo coronavírus, com parte das suas lojas temporariamente fechadas. Entretanto, a Vivara possui um histórico sólido e consistente de execução combinado com um dos balanços mais sólidos da nossa cobertura (R$ 165 milhões de caixa líquido e liquidez corrente de 2,6x), com fôlego não só para atravessar o período mais crítico da pandemia, mas também para acelerar o seu ganho de participação de mercado ao longo da retomada das atividades. Além disso, a companhia possui sólidas vantagens competitivas, como (i) uma posição de liderança na indústria nacional de joias (10% de participação de mercado vs. 6% para a participação combinada das outras quatro maiores companhias) e (ii) processo produtivo verticalizado e robusto estoque de ouro, o que permite à empresa aumentar a sua competitividade de preços em um cenário de alta do preço do metal.

Vale (VALE3)

Apesar da redução de seu guidance de produção (para ~ 320 milhões de toneladas em 2020), os preços do minério de ferro foram negociados praticamente estáveis no mês. Porém, ao final de abril, a BHP divulgou um comunicado com a intenção de avaliar um potencial aumento de produção (acima de 290 milhões de toneladas por ano) e a commodity foi impactada negativamente. Em nossa opinião, a mensagem da BHP teve como principal alvo os produtores de menores (alto custo), após: (1) níveis saudáveis de minério de ferro – acima de US$80/t – com baixa volatilidade e (2) redução da produção da Vale em 2020. Nosso cenário base considera os principais produtores (Vale, Rio, BHP e FMG) mantendo inalterada sua participação de mercado, acima de 80% no mundo.

Wisir Research

A Wisir Research teve desempenho superior ao Ibovespa ao encerrar abril em 15,26% contra os 10,25% da Bolsa brasileira.