Visa (VISA34): vale a pena investir nesse BDR?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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A Visa é a maior bandeira de cartões de crédito e débito do mundo e detém 60% do market share. Ela tem uma base de 3,5 bilhões de consumidores e 60 milhões de estabelecimentos cadastrados. E está presente em 210 países.

Listada na bolsa de Nova York (Nyse), a empresa de tecnologia de pagamentos tem valor de mercado de US$ 470,4 bilhões.

No Brasil, é possível investir na Visa por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que são ativos que representam ações de empresas estrangeiras.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões dos Investimentos.

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Na B3, o código dos BDRs da Visa é VISA34.

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Valorização dos BDRs

Os BDRs da Visa vêm apresentando boa valorização no ano. Partiram de R$ 765,79 em janeiro para R$ 1.103 em 19 de novembro. A alta é de 44%.

Comparativamente, as ações da Visa na Nyse tiveram avanço de 8,6%, indo de US$ 191,12 em janeiro para US$ 207,56 na cotação de 19 de novembro.

Confira nos gráficos o desempenho no ano.

Visa BDR

Reprodução/Google

Visa BDR

Reprodução/Google

 

Números da empresa

A companhia registrou lucro líquido de US$ 2,14 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2020, com lucro por ação ajustado de US$ 0,97, acima das projeções de US$ 0,85.

No mesmo período de 2019, a empresa teve lucro líquido de US$ 1,93 bilhão. E lucro por ação de US$ 0,79.

A empresa se disse prejudicada pela pandemia de coronavírus, mas destacou o forte crescimento do comércio online como positivo no período.

Assim como para as demais operadoras de cartão, como a Mastercard, segunda maior depois da Visa, a redução drástica das viagens internacionais e, consequentemente, dos gastos feitos no exterior tiveram queda representativa, caindo mais de 30%. Esses gastos representam justamente a maior fonte de receita dessas empresas.

No entanto, a Visa destaca que nunca realizou tantas transações online como no período de pandemia, o que de certa forma compensou as perdas.

No ano, foram mais de 185 bilhões de transações de pagamento e quase US$ 9 trilhões de volume de pagamento feitos com credenciais Visa.

Visa adquire YellowPepper

A estratégia da Visa é não apenas se manter como principal bandeira de cartões, mas se tornar “a rede das redes” de pagamentos eletrônicos. Para tanto, ela vem investindo fortemente em fintechs da área.

A última aquisição foi a YellowPepper, que atua em nove países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil.

A fintech opera uma plataforma com uma ampla gama de interfaces de programação de aplicativos para permitir que a empresa trabalhe com diversos arranjos de negócios com parceiros e até concorrentes.

Ameaça do PIX

No Brasil, especificamente, a Visa busca adequar seus serviços ao início das operações do PIX, modalidade de pagamento instantâneo idealizada pelo Banco Central e que é gratuita aos usuários.

A concorrência com a Visa é direta no caso dos cartões de débito, mas promete chegar também aos cartões de crédito.  O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já adiantou que o BC estuda o lançamento do PIX Garantido, que seria a compra parcelada e que tiraria parte dos usuários do cartão de crédito. A ideia é ter o PIX Garantido já no ano que vem.

“Enxergamos o PIX como uma oportunidade”, disse Fernando Teles, presidente da Visa no Brasil, em entrevistas recentes. “Ele não é uma ameaça. Na economia, hoje todo mundo é parceiro e concorrente ao mesmo tempo”, salienta.

Na prática, com o PIX, a empresa perde clientes e precisa se readequar, oferecendo produtos ainda mais atraentes. Uma das estratégias é oferecer cartões Premium, com algumas vantagens, como ingressos para espetáculos, reservas em restaurantes, seguro viagem etc.

Inovações no Brasil

Entre as inovações da Visa no Brasil, está um acordo com secretarias municipais de transporte para a implantação de pagamento com cartão de débito por aproximação em ônibus públicos. A tecnologia já está sendo testada no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Outra iniciativa é o cartão por aproximação também em pedágios. A empresa está em negociação com concessionárias de rodovias para viabilizar o projeto.

Compras no exterior

A Visa também é parceira dos Correios na plataforma Compra Fora. Ela permite a compra de produtos dos Estados Unidos a quem está no Brasil.

A plataforma disponibiliza endereço nos Estados Unidos a qualquer residente no Brasil para receber encomendas compradas via internet. A solução permite o envio de produtos adquiridos online em lojas americanas que não vendem ou não enviam seus produtos ao Brasil.

História da Visa

A fundação da Visa data de 1958, quando o Bank of America lançou seu primeiro cartão de crédito, o BankAmericard, para consumidores de classe média e estabelecimentos comerciais de pequeno e médio porte da Califórnia, nos Estados Unidos. Em pouco tempo, eram mais de 2 milhões de usuários, o que atraiu mais instituições financeiras. Da união de alguns desses bancos surgiria a marca Visa.

A expansão internacional ocorreu em 1974 e, um ano depois, vieram os cartões de débito. Em 1979, a Visa já era líder do segmento de pagamentos eletrônicos.

No Brasil, a Visa chegou em 1971. E o começo foi em parceria com o Bradesco.

Em 2008, a companhia fez sua estreia na bolsa de valores, levantando US$ 17,9 bilhões.

Como investir nos BDRs da Visa?

Os investidores brasileiros podem ter acesso aos chamados BDRs – Brazilian Depositary Receipts – da Visa.

Eles são ativos que representam ações de empresas estrangeiras.

Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior. E terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Funciona mais ou menos como um fundo de investimento. O investidor não vira o dono da ação, portanto não é sócio da empresa em questão.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora do papel adquire várias ações de empresas estrangeiras. Depois monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas.

O que é preciso fazer para investir na Visa?

Para adquirir BDRs da Visa, o investidor precisa procurar um banco ou uma corretora de valores autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Quer saber mais sobre como investir em BDRs ou outros ativos correlacionados ao mercado exterior? Preencha o formulário abaixo que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato.