Vídeo de reunião: Bolsonaro reafirma que não houve interferência na PF

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após o Supremo Tribunal Federal liberar a gravação da reunião ministerial realizada há um mês, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro fez uma publicação no Facebook para reafirmar que não há, no vídeo, indício de interferência na Polícia Federal.

Bolsobaro escreveu no Facebook:
“Reunião Ministerial de 22 de abril
– Mais uma farsa desmontada;
– Nenhum indício de interferência na Polícia Federal;
– João 8, 32 – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Efeito do vídeo no mercado financeiro

A possibilidade da divulgação do vídeo nesta sexta impactou o pregão do Ibovespa desta sexta-feira (22). Com a tensão política em Brasília, a sessão fechou com recuo de 1,03%, a 82.173 pontos.

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O dólar fechou o dia em leve queda de 0,16%, para R$ 5,57.

O mercado pareceu entender que o vídeo não vai causar abalos no governo. Os índices futuros mostraram essa avaliação: o Ibovespa, que fechou em 82.173, avançou 2300 pontos no after market, para 84.335, alta de 1,35%.

O dólar futuro indicava queda de 0,33%, a R$ 5,54.

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Segundo o serviço Bom Dia Mercado, do Telegram, o EWZ, ” principal ETF do Brasil em Nova York, subiu 2,11% no after hours após vídeo ‘sem novidades’”.

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Bolsonaro postou este trecho da reunião:

Reunião Ministerial de 22 de abril- Mais uma farsa desmontada;- Nenhum indício de interferência na Polícia Federal;- João 8, 32 – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Friday, May 22, 2020

Sigilo parcial

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu hoje (22) retirar o sigilo parcial da gravação audiovisual da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril.

O ministro é relator do inquérito sobre a suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

A reunião foi citada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro durante depoimento prestado à PF, no início do mês, como suposta prova da interferência.

O ex-ministro Sergio Moro também comentou a divulgação do vídeo da reunião ministerial:

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Apreensão de celulares de Bolsonaro

O ministro Celso de Mello também decidiu enviar à Procuradoria Geral da República (PGR) três notícias-crimes apresentadas por partidos e parlamentares sobre desdobramentos na investigação da suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

Os pedidos de investigação foram feitos por ocasião da saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça.

Mello solicitou também que a PGR analise os pedidos de busca e apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e de seu filho, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), para perícia, além do depoimento do presidente.

Bolsonaro disse que não entregará seu celular à Justiça. O presidente declarou em entrevista à rádio Jovem Pan, de São Paulo, que o ministro do STF “pecou” ao fazer a solicitação. E reclamou: “Acham que eu sou rato para entregar meu celular? Como vou fazer isso se falo com líderes mundiais? Farei valer minha posição de presidente. Isso é uma afronta!”

E acrescentou: “Por que um ministro do STF ia querer o telefone do presidente por causa de fake news? Iria criar uma crise institucional. O próximo passo é dizer que não sou mais presidente? Tá de brincadeira.”

No Twitter, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, tinha postado nota afirmando ser contra apreensão do celular de Bolsonaro. Heleno disse que o pedido é inconcebível e que o pedido do STF “comprometia a harmonia entre os poderes”:

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Resposta de Celso de Mello

O ministro Celso de Mello respondeu às manifestações do general Heleno e de Bolsonaro. Em nota, o ministro afirmou que o Supremo Tribunal Federal não determinou nem ordenou a apreensão do aparelho celular do Presidente da República:

“A propósito de manifestações criticando, precipitadamente, uma suposta decisão judicial emanada do Supremo Tribunal Federal, que teria ordenado, em sede de produção antecipada de prova, diligência policial de busca e apreensão dos celulares do Presidente da República (…) não determinou referida medida cautelar, pois limitou-se a meramente encaminhar ao Senhor Procurador-Geral da República, que é o órgão da acusação, a “notitia criminis”. (…)”

“O Ministro CELSO DE MELLO, nos termos da decisão, tendo em vista o que dispõe o art. 5º, § 3º, do CPP (que confere legitimidade a “Qualquer pessoa do povo” para efetuar comunicação de crime perseguível mediante ação penal pública), determinou o encaminhamento desse pedido ao Chefe do Ministério Público da União.” (…)

Vê-se, portanto, que o Ministro CELSO DE MELLO nada deliberou a respeito nem sequer proferiu qualquer decisão ordenando a pretendida busca e apreensão dos celulares das pessoas acima mencionadas, restringindo-se, unicamente, a cumprir os ritos da legislação processual penal. Nada mais além disso.”

*Com Agência Brasil
** Com STF