Via Varejo (VVAR3) acumula alta de 66%: pode subir mais?

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Crédito: Via Varejo - Small Caps

Dona das marcas Casas Bahia, Ponto Frio e Bartira, a Via Varejo (VVAR3) está entre as dez empresas que mais se valorizaram na bolsa brasileira no primeiro semestre. No ano, acumula alta de 66% (considerando o fechamento do dia 15 de setembro).

A empresa foi também uma das que mais sofreu no início da pandemia, o que também explica a rápida recuperação. Além disso, o crescimento do e-commerce e a  reestruturação da companhia iniciada no ano passado contribuiram para a melhora de seu posicionamento no setor.

Quer conhecer melhor essa gigante do varejo? A seguir, você confere um pouco sobre a história da empresa, evolução e perspectivas.

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Origem e evolução da Via Varejo

A Via Varejo possui mais de mil lojas e cerca de 60 milhões de clientes em todo o Brasil.

A companhia surgiu em 2009, em São Paulo, quando o grupo Pão de Açúcar, controlado pelo francês Casino, comprou a Casas Bahia, que pertencia a família Klein. Depois, foi a vez da Ponto Frio ser adquirida pelo Pão de Açúcar.

Ainda em 2010, a reunião do e-commerce das Casas Bahia, Ponto Frio e Extra deu origem à Nova Pontocom.

No ano de 2013, a Via Varejo adquiriu a Bartira, empresa fundada em 1962 e fornecedora exclusiva de móveis para a Ponto Frio e Casas Bahia.

Entretanto, em 2019, ocorreu uma grande mudança na estrutura societária da Via Varejo. Em junho do ano passado, o Pão de Açúcar vendeu todas as suas ações para a família Klein, ex-dona das Casas Bahia.

Com isso, iniciou-se um processo de reestruturação na empresa, cujas ações e respectivos efeitos veremos a seguir.

Investimentos em tecnologia

Um dos principais objetivos da nova gestão foi o fortalecimento do e-commerce. Nesse sentido, ocorreu um incremento nos investimentos em tecnologia, E, com a pandemia, diversas ações foram antecipadas.

Uma das mais importantes foi a criação da plataforma “Me Chama no Zap”. Através desse aplicativo, os seus 20 mil vendedores puderam atender a todos os clientes, mesmo com as lojas fechadas devido ao isolamento.

Dessa forma, a empresa viu um expressivo crescimento de usuários do e-commerce. Quando a nova gestão assumiu, esse número era de 1,5 milhão. Porém, hoje, o número de clientes online já supera 15 milhões.

Por consequência dessas ações, as vendas online cresceram 280% no segundo trimestre de 2020 comparado ao primeiro.

Além disso, o marketplace saiu de 4,7 milhões de cadastrados no segundo trimestre de 2019 para 6 milhões neste ano. E, segundo a companhia, ainda há muito espaço para crescer.

Em junho, a Via Varejo levantou R$ 4,45 bilhões em sua oferta de ações (follow on). Segundo a empresa, os recursos serão destinados em partes iguais à tecnologia, logística, melhora da estrutura de capital e eficiência de caixa.

Logística

Segundo o CEO Roberto Fulcherberguer, a logística é um diferencial importante da empresa. Todavia, antes da nova gestão, havia vários pilares mal utilizados.

Nesse sentido, a Via Varejo pretende expandir os atuais 380 mini-hubs (pequenos centos de distribuição) para cerca de 500. Com isso, a ideia é reduzir consideravelmente o tempo de entrega de uma mercadoria. Só no segundo trimestre de 2020 foram mais de 5 milhões de entregas do e-commerce, e a expectativa é aumentar esse número com mais mini-hubs.

Além disso, as melhorias realizadas pela companhia já permitem oferecer todo o suporte para as empresas cadastradas no marketplace. Isso significa igualdade de condições de preço, custo de frete e prazo de entrega.

Resultados da Via Varejo

No segundo trimestre desse ano, 70% do faturamento da empresa veio do e-commerce. Nesse aspecto, as vendas do canal cresceram 280% no período em relação a 2019.

No início da pandemia, a rede fechou 100% das lojas e migrou toda a empresa para o online. À medida que as lojas foram reabrindo, as duas atividades voltaram a ser concomitantes.

Durante o segundo trimestre, o GMV (volume total de vendas) foi de R$ 7,3 bilhões. Desse valor, R$ 5,1 bilhões representam as vendas online. Segundo a empresa, o GMV do e-commerce compensou todo o volume de vendas perdido com o fechamento das lojas.

A Via Varejo encerrou o segundo trimestre desse ano com lucro de R$ 65 milhões, contra um prejuízo de R$ 162 milhões no mesmo período de 2019. Porém o resultado positivo foi fruto de receita não recorrente, oriunda de créditos tributários de R$ 364 milhões.

Ou seja, seu resultado operacional ainda é negativo. Entretanto, a empresa aponta o fechamento das lojas na pandemia como o principal motivo do prejuízo operacional de 2020. Isso porque, a exemplo de outros varejistas, a Via Varejo incorreu em custos operacionais sem a contrapartida de receitas durante o fechamento.

Quanto às ações para reversão dos prejuízos, a empresa destaca o follow-on de R$ 4,45 bilhões. A operação dará fôlego ao caixa no curto prazo. Por fim, informa estar trabalhando na melhora da estrutura de capitais através da renegociação de dívidas.

Perspectivas

Mesmo com a forte valorização de suas ações nos últimos meses, o mercado acredita que ainda exista espaço para valorização da Via Varejo. A prova disso é que seus papéis constam em 5 carteiras recomendadas para setembro.

De acordo com a Necton Corretora, a expectativa é de melhora dos resultados da empresa nos próximos meses. Isso por causa da reabertura das lojas, o que traz aumento da venda de itens mais caros, como geladeiras, fogões e eletrodomésticos.

Da mesma forma, a Santander Corretora destaca os resultados sólidos no segundo trimestre. Para os analistas, o aumento da margem bruta da empresa, que subiu 3,4 pontos percentuais em um ano, para 30,7%, é um ponto importante.

Por todos esses motivos, o mercado acredita que as ações da Via Varejo ainda estejam descontadas, se comparadas às dos seus concorrentes.