Vender ativo por vender é o mesmo que rasgar dinheiro, diz gestor da Arx

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: paulo bokel da arx

Em cenário de crise, recessão batendo à porta e incerteza futura, vender ativo por vender é o mesmo que rasgar dinheiro.

A afirmação é do economista Vitor Trova, da Arx Income, gestora de fundos com 18 anos de atuação e adquirida em 2008 pela líder global de serviços financeiros, BNY Mellon.

Head de distribuição da Arx, Paulo Bokel vai mais além: “olhando pra frente, o rendimento do fundo tende a aumentar, mas tudo depende do horizonte que se tem e em qual ativo aplicar.”

A fala dos especialistas é referente à venda de ativos por parte dos investidores, principalmente os menos experientes, em momentos nebulosos como o atual.

Isso porque, dizem, por mais crítica que seja a situação, ela não será eterna e em algum momento o mercado se recupera e os papeis voltam a performar.

“Se o investidor correr o risco de forma consciente, só vai vender se tiver necessidade de liquidez”, disse.

Ou seja, a melhor estratégia, segundo eles, é aguardar a turbulência passar, olhar o horizonte com mais clareza e, assim, manter posição ou traçar novos rumos.

Conforme Bokel, em panoramas como este, o otimista costuma ganhar dinheiro e o pessimista perder.

Os executivos da Arx conversaram com Luis Fernando Moran, Elias Wigers e Kleber Falchetti da EQI Investimentos. Os produtos da gestora podem ser analisados aqui e o bate papo abaixo.

Próximos dias

Bokel diz acreditar que o primeiro trimestre vai ser pouco impactado. “O segundo trimestre sofrerá mais. Este ano será complicado, mas ano que vem será melhor, com crescimento em torno de 3%”, projetou.

Os executivos fazem uma ressalva: “o governo injetou uma enxurrada de dinheiro na economia que pode gerar problema de inflação mais à frente. Essa retirada deverá ser muito bem executada”, disseram.

Quanto ao comportamento dos juros no Brasil, a estrutura de curva já está muito inclinada. Se reduzir, tende a envergar mais. Se aumentar, fará com que os agentes econômicos fiquem tomando empréstimo no curto prazo. Ou seja, o cenário está longe do ideal.

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MPEs

De acordo com Bokel todos sentem e sofrem com os efeitos da crise, mas as micro e pequenas empresas ainda mais. “São elas que mais empregam.”

Isso porque as grandes companhias aproveitaram o momento para se tornar mais eficiente enxugando quadros ou refinanciando dívidas. “Enquanto isso, as MPEs estavam vendendo o café para comprar o almoço”, disse.

Segundo Trova, as empresas grandes entraram nessa crise capitalizada, enquanto as pequenas já estavam com problema em performar, ou entregar resultados. Logo, a crise fez aumentar uma ferida que já estava aberta.