Vendas no varejo tombam 16,8%, pior resultado em 20 anos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

As vendas no comércio varejista tombaram 16,8% em abril, na comparação com o mês anterior, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com abril do ano passado, a queda também foi de 16,8%.

O resultado veio pior do que a projeção do mercado, que era por -11,5% e repercute os efeitos do isolamento social para contenção da pandemia de Covid-19. Em abril, houve quarentena durante todo o período.

Este é também o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, e a segunda queda consecutiva, acumulando uma perda de 18,6% no período.

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Fonte: IBGE

O recuo nas vendas ocorreu em todas as oito atividades pesquisadas. A maior queda foi em Tecidos, vestuário e calçados (-60,6%). Seguido de Livros, jornais, revistas e papelaria (-43,4%). E Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-29,5%).

Até mesmo itens considerados essenciais, e que mantinham a alta no início da quarentena, registraram baixas. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 11,8%. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos caíram 17%.

“Em março, podemos imaginar que essas atividades essenciais absorveram um pouco das vendas das outras atividades que tinham caído muito. Mas, neste mês, isso não foi possível. Tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%. Isto representa algo em torno de 7 bilhões de reais”, explica o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-29,5%), Móveis e eletrodomésticos (-20,1%) e Combustíveis e lubrificantes (-15,1%) completam o grupo das atividades que tiveram queda em abril.

Comércio varejista ampliado

As vendas do comércio varejista ampliado, que integra também as atividades de veículos, motos, partes e peças (-36,2%) e material de construção (-1,9%), caíram 17,5%.

“No caso do ampliado, ele já vinha numa queda intensa desde o mês passado (-13,7%). Especialmente devido ao recuo em veículos, motos partes e peças”, comenta Cristiano.

Queda em todos os estados

Em abril, a taxa média nacional de vendas caiu em todas as 27 unidades da federação. Destaque para Amapá (-33,7%), Rondônia (-21,8%) e Ceará (-20,2%).

No comércio varejista ampliado, a variação negativa também se deu nas 27 Unidades da Federação. Destaque para Amapá (-31,6%), Espírito Santo (-23,4%) e São Paulo (-23,3%).