Vendas no varejo registram em maio a maior alta em 20 anos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

As vendas no varejo registraram em maio seu maior aumento mensal em 20 anos de pesquisa. É o que aponta a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço foi de 13,90% sobre abril, bem acima do projetado pelo mercado, que era de 6%. Na pesquisa de abril, houve um recuo de 17,1% (com reajuste dos -16,8% anunciados anteriormente).

Apesar de bastante positiva, a alta nas vendas no varejo ainda não foi suficiente para recuperar as perdas registradas entre março e abril, piores meses para o comércio em decorrência das medidas de distanciamento social adotadas para contenção da pandemia de coronavírus.

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No acumulado do ano, as vendas no varejo registraram queda de 3,9%. Nos últimos 12 meses, a variação aponta estabilidade (0%). Na série sem ajuste sazonal, em relação a maio de 2019, o comércio varejista caiu 7,2%.

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas cresceu 19,6% em relação a abril. A média móvel foi -5,9%.

Em relação a maio de 2019, as vendas no varejo ampliado recuaram 14,9%. O acumulado no ano registrou queda de 8,6%, contra recuo de 6,9% no mês anterior. O acumulado nos últimos 12 meses foi de -1%.

vendas no varejo

Reprodução/IBGE

Vendas no varejo: recuperação acentuada após pior mês em abril

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explica que os números positivos aparecem após o pior mês da série histórica. “Foi um crescimento grande percentualmente, mas temos que ver que a base de comparação foi muito baixa. Se observamos apenas o indicador mensal, temos um cenário de crescimento. Mas ao olhar para os outros indicadores, como a comparação com o mesmo mês do ano anterior, vemos que o cenário é de queda”, analisa.

De todas as empresas consultadas na pesquisa, 18,1% relataram impacto do isolamento em suas receitas em maio. Em abril, esse número era 28,1%, o maior percentual desde o início da pandemia.

Avanço em todas as atividades

Todas as oito atividades observadas no comércio varejista tiveram alta:

  • Tecidos, vestuário e calçados (100,6%)
  • Móveis e eletrodomésticos (47,5%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (45,2%)
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (18,5%)
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (16,6%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,3%)
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,1%)
  • Combustíveis e lubrificantes (5,9%)

Vendas no varejo: resultado positivo em todos os estados

Em maio, as vendas aumentaram em todos os estados do país, com destaque para Rondônia (36,8%), Paraná (20,0%) e Goiás (19,4%). No comércio varejista ampliado, destaque para Rondônia (35,2%), Rio Grande do Sul (27,9%) e Espírito Santo (27,1%).

Tá, e aí?

Em relatório, o MUFG diz que o pano de fundo da recuperação acentuada do varejo em maio se baseou no “alívio gradual” das medidas de distanciamento social em alguns lugares.

Adicionalmente, o aumento do comércio eletrônico acabou mitigando um pouco o impacto negativo do fechamento das lojas.

“Considerando que as duas principais cidades (São Paulo e Rio de Janeiro) e outras cidades autorizaram uma reabertura gradual do comércio a partir de junho, poderemos ver uma recuperação adicional das vendas no varejo em junho”, escreveu em relatório.

“O aumento da confiança do consumidor e do comércio em junho, continuando assim a recuperação parcial iniciada em maio, é outro bom indicador antecedente que aponta para essa recuperação das vendas no varejo”, acrescentou.

Previsão segundo semestre

“Ao assumir um controle gradual da pandemia, há espaço para maior recuperação durante o segundo semestre desse ano”, pontuou o MUFG.

No entanto, o ritmo de recuperação tende a ser lento em meio às fracas condições do mercado de trabalho (alto número de pessoas desempregadas e trabalhadores desalentados) e às incertezas sobre as perspectivas econômicas, finalizou.