Vendas no varejo recuam 0,6% em março, projeção era de queda bem maior, de 7%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

As vendas no varejo recuaram 0,6% em março, ante queda de 0,5% em fevereiro. Este é o terceiro resultado negativo nos últimos quatro meses. Ainda assim, o resultado veio bem acima do projetado pelo mercado, que era um recuo de 7%. A expectativa era que as novas medidas restritivas, adotadas em março, impactassem mais o comércio.

O varejo, que em fevereiro se encontrava 0,3% acima do patamar pré-pandemia, em março ficou 0,3% abaixo dele.

Com o resultado de março, as vendas registram queda de 0,6% no primeiro trimestre e alta de 0,7% no acumulado dos 12 meses. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (7).

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Varejo: móveis e eletrodomésticos puxam queda

O recuo foi acompanhado por sete das oito atividades investigadas pela pesquisa. O principal impacto negativo veio do setor de móveis e eletrodomésticos, cujas vendas caíram 22,0% em março. Este setor havia sido muito favorecido no início da pandemia, com a população ficando mais em casa e investindo nestes produtos. Agora, tiveram uma queda que já era prevista pelo mercado.

As outras quedas na comparação com fevereiro foram registradas pelos setores de tecidos, vestuário e calçados (- 41,5%), livros, jornais, revistas e papelaria (-19,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-5,9%), combustíveis e lubrificantes (-5,3%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%).

O único setor que cresceu na comparação mensal foi o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,3%).

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No comércio varejista ampliado, as atividades veículos, motos, partes e peças caíram 20% e de material de construção -5,6%, totalizando -5,3% frente ao mês anterior. É o segundo mês com taxas negativas nos três primeiros meses do ano.

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Reprodução/IBGE

Em relação a março de 2020, vendas no varejo crescem 2,4%

Quando comparado a março do ano passado, o comércio varejista cresceu 2,4%, com as taxas positivas atingindo quatro das oito atividades pesquisadas.

Entre as atividades com crescimento estão outros artigos de uso pessoal e doméstico (30,0%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,1%), móveis e eletrodomésticos (11,9%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,0%).

Já livros, jornais, revistas e papelaria (-19,7%), tecidos, vestuário e calçados (-12,0%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,9%) e combustíveis e lubrificantes (-1,5%) pressionaram negativamente o setor na comparação anual.

Varejo tem queda em 22 unidades da federação

Em março, 22 das 27 unidades da federação refletiram a queda da média nacional frente ao mês anterior, com destaque para Ceará (-19,4%), Distrito Federal (-18,1%) e Amapá (-10,1%).

Por outro lado, os destaques com taxas positivas foram Amazonas (14,9%), Acre (11,2%) e Roraima (4,2%).