Vendas no varejo sobem 1,4% em maio, abaixo do consenso, mas acima do nível pré-pandemia

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Unsplash

As vendas no varejo subiram 1,4% em maio, após crescimento de 4,9% em abril, aponta o IBGE. O resultado veio abaixo do consenso das projeções, que era de alta de 2,4%, mas marca o segundo crescimento consecutivo do setor, que se encontra 3,9% acima do patamar pré-pandemia. No ano, a alta é de 6,8% no ano e, em 12 meses, de 5,4%.

Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (7) pelo IBGE.

vendas no varejo

Reprodução/IBGE

O aumento nas vendas foi acompanhado por sete das oito atividades investigadas pela pesquisa.

Entre elas, a maior variação foi em tecidos, vestuário e calçados (16,8%), seguida por combustíveis e lubrificantes (6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%). Livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,3%), hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%) foram as outras atividades que tiveram aumento das vendas em maio.

“Esses setores vêm de trajetórias diferentes. A atividade de tecidos, vestuário e calçados, que teve a maior variação, já havia crescido 6,2%, mas ainda está muito abaixo do que estava antes da pandemia. Além disso, esse setor sofreu outra queda em março deste ano. Então é uma recuperação, mas em cima de uma base de comparação muito baixa”, afirma o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

A única atividade a ter queda no volume de vendas em maio foi a de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,4%).

Vendas no varejo: desempenho por atividade

vendas no varejo

Reprodução/IBGE

Comércio varejista ampliado cresce 3,8%

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças (1,0%) e material de construção (5,0%), as vendas cresceram 3,8% na passagem de abril para maio. Também é o segundo mês consecutivo de alta.

“Esse aumento foi puxado principalmente pelo setor de veículos, que tem uma base de comparação muito baixa e também não está nos patamares pré-pandemia, mas desde abril vem se recuperando. Material de construção também cresceu pelo segundo mês consecutivo”, diz Santos.

O resultado de abril, divulgado no mês passado como 1,8%, foi revisado para 4,9% neste mês. O ajuste decorre da aplicação do algoritmo de dessazonalização, que busca calibrar os efeitos sazonais no volume de compras no comércio, como festas de Natal e Páscoa, por exemplo.

Varejo cresce 16,0% frente a maio de 2020

Quando comparadas a maio do ano passado, as vendas no varejo aumentaram 16,0%. Pelo terceiro mês consecutivo, houve aumento nesse indicador. O resultado positivo atingiu sete das oito atividades investigadas, com destaque para os setores de tecidos, vestuário e calçados (165,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (59,8%) e livros, jornais, revistas e papelaria (59,4%).

“Em relação a esse indicador, precisamos lembrar que a base de comparação era muito baixa. Era o recorde inferior da série histórica da pesquisa. Então podemos observar números bastante elevados, sobretudo no setor de tecidos, por causa da queda, especialmente, no período de março, abril e maio de 2020. Então ela reflete essa base muito baixa, assim como acontece com outros setores”, diz Cristiano.

Comércio avança em 26 unidades da federação

Na passagem de abril para maio, o comércio varejista cresceu em 26 das 27 unidades da federação. Entre os destaques estão Amapá (23,3%), Ceará (9,4%) e Minas Gerais (9,2%). Já Goiás (-0,3%) foi a única a ter retração no volume de vendas do varejo.