Sem impacto das novas restrições, vendas no varejo subiram 0,6% em fevereiro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Foto: Pixabay

As vendas no varejo voltaram a crescer no Brasil, depois de dois meses consecutivos com variações negativas.

Ainda sem o impacto das novas restrições de circulação de março, o comércio varejista cresceu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou pouco abaixo do consenso, de alta de 0,7%.

Agora, o varejo se encontra no mesmo patamar de setembro de 2020 e 0,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020). As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (13), pelo IBGE.

vendas no varejo

Reprodução/IBGE

Vendas no varejo: impacto do auxílio emergencial

Entre maio e outubro de 2020, o comércio havia mostrado forte crescimento. Porém, o cenário se reverteu em dezembro, com o fim do auxílio emergencial.

“O rendimento médio das famílias de baixa renda chegou a aumentar 130% com o auxílio emergencial e, por isso, o período de maio e outubro foi muito bom para o comércio varejista, que chegou a atingir patamar 6,5% acima do período pré-pandemia. Em dezembro, no entanto, o valor do auxílio diminuiu e, em janeiro, deixou de existir, e isso reduziu o consumo. Temos ainda impactando o varejo negativamente a inflação e outros fatores relacionados à pandemia, como as restrições locais ao desenvolvimento de algumas atividades”, avalia o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Ele também explica que janeiro é, tipicamente, um mês de contas extraordinárias, como IPTU e IPVA, então é comum um consumo menor no comércio.

Já em fevereiro, há a volta do orçamento mensal das famílias a uma maior normalidade e o retorno dos alunos às escolas, aquecendo as compras de material escolar.

Destaques positivos e negativos de fevereiro ante janeiro:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria (+15,4%),
  • Móveis e eletrodomésticos (+9,3%),
  • Tecidos, vestuário e calçados (+7,8%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%),
  • Combustíveis e lubrificantes (-0,4%).