Vendas no varejo despencam 6,1%; projeção era de queda de 0,5%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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As vendas no varejo despencaram 6,1% de novembro para dezembro de 2020, aponta o IBGE. Esta foi a queda mais intensa para um mês de dezembro em toda a série histórica. A projeção do mercado era por queda bem inferior, de 0,5%.

Em novembro, a queda havia sido de 0,1%.

Apesar do resultado, 2020 fechou com alta anual de 1,2%, a quarta consecutiva. Foi de 2,1% em 2017; 2,3% em 2018 e 1,8% em 2019. Com o recuo de dezembro, as vendas do varejo se igualaram ao patamar de fevereiro, período pré-pandemia.

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No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas em dezembro recuou 3,7% em relação a novembro e fechou o ano em queda de 1,5%, após três anos consecutivos de altas.

Em relação a dezembro de 2019, o crescimento foi 2,6%, sexta taxa positiva consecutiva nesta análise.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (10), pelo IBGE.

A média móvel trimestral do comércio varejista foi de -1,8%. Já no confronto entre dezembro de 2020 e dezembro de 2019, o resultado foi uma alta de 1,2%, sexta taxa positiva consecutiva neste tipo de comparação.

Para BTG, redução e retirada do auxílio emergencial impactaram resultado

Para o BTG Pactual (BPAC11), o resultado das vendas do varejo decepcionou e veio bem abaixo das expectativas do mercado.

O banco avalia que a redução do auxílio emergencial a partir de setembro e a extinção do mesmo em dezembro tiveram impacto significativo no indicador. Entretanto, ao que tudo indica, ele deve voltar a ser pago pelo governo, mas em novo formato, ainda a ser conhecido.

“Com a aceleração dos casos da covid-19 e a retomada de algumas medidas de restrição de mobilidade social, acreditamos que mais uma rodada do auxílio emergencial deve acontecer nas próximas semanas”, afirma o BTG.

vendas no varejo

Reprodução/IBGE

Vendas no varejo: pandemia impacta diretamente os resultados

O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, explica como a pandemia de Covid-19 impactou diretamente a trajetória de resultados da pesquisa ao longo do ano. “Os resultados da pesquisa costumam ter variações menores, mas com a pandemia, houve uma mudança deste cenário, já que tivemos dois meses (março e abril) de quedas muito grandes”, afirma.

Com a base de comparação muito baixa, o resultado do varejo foi de crescimento de maio até outubro, quando apresentou o maior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2001, e ultrapassou o patamar pré-pandemia, de fevereiro. “A queda em dezembro é um reposicionamento natural, já que o patamar estava muito alto com os resultados de outubro e novembro”, complementa o analista.

Inflação dos alimentos

Outro fator de influência para o resultado nos últimos meses do ano é a inflação dos alimentos. Segundo Cristiano, o comércio em hiper e supermercados têm um peso maior.

“O que acontece nos mercados influencia bastante a pesquisa. E, por conta dos resultados recentes do IPCA, o volume de vendas acabou sendo afetado”, justifica. O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, pesquisa mensal do IBGE que mede a inflação oficial do país.

O crescimento do comércio varejista no acumulado de 2020 veio após um primeiro semestre de queda (-3,2%) e um segundo semestre de alta (5,1%). O comércio varejista ampliado apresentou a mesma dinâmica (-7,7% e 4,2%, respectivamente) mas o resultado não foi suficiente para a o indicador fechar o ano com taxa positiva.

Vendas no varejo: todas as atividades tiveram queda no mês

Todas as dez atividades do comércio varejista, contando com varejo ampliado, fecharam dezembro com queda frente a novembro.

O grupo artigos de uso pessoal e doméstico caiu 13,8%, enquanto tecidos, vestuário e calçados recuou 13,3%. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,8%), móveis e eletrodomésticos (-3,7%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-2,7%), além de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,6%), combustíveis e lubrificantes (-1,5%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) completam o comércio varejista. No varejo ampliado, a queda em veículos, motos, partes e peças foi de 2,8% enquanto em material de construção, o recuo foi 1,8%.