Vendas do varejo crescem 3,4% em agosto sobre julho, aponta IBGE

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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O volume de vendas do varejo brasileiro teve alta de 3,4% na passagem de julho para agosto deste ano, divulgou o IBGE nesta quinta-feira (08). Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). 

Essa foi a quarta alta consecutiva do indicador no ano. Os maiores recuos foram de 2,4% em março e de 16,7% em abril. Conforme a instituição, o indicador alcançou o maior patamar da série histórica da PMC, iniciada em 2000. O indicador está 2,6% acima do recorde anterior, em outubro de 2014.

Na comparação com agosto de 2019, o comércio cresceu 6,1%, terceiro resultado positivo consecutivo. No acumulado do ano, o setor registrou menor ritmo de queda (-0,9%). Nos últimos 12 meses, acumulou crescimento de 0,5%, após três meses de estabilidade.

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“O varejo em abril teve o pior momento, com o indicador se situando 18,7% abaixo do nível de fevereiro, período pré-pandemia”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos. “Esses números foram sendo rebatidos nos meses seguintes, até que em agosto o setor ficou 8,2% acima de fevereiro”.

Análise dos resultados

De acordo com a análise do BTG Pactual, os dados divulgados pelo IBGE vieram acima da expectativa.

Considerando dados do varejo ampliado (que inclui veículos, motos e materiais de construção), o volume de vendas cresceu 4,6% em agosto sobre julho, acima do que do esperado pelo banco, que era 4,2%.

O relatório do banco destaca a alta em tecidos, vestuário e calçados (30,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,4%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,5%) e combustíveis e lubrificantes (1,3%).

Na outra ponta, houve recuo nas vendas de artigos farmacêuticos (-1,2%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios (-2,2%) e imprensa (-24,7%). Entretanto, apesar da queda em hiper e supermercados, o setor acumula ganhos de 12,3% em 2020.

Destaques

Para o BTG Pactual, no comércio varejista ampliado, o destaque foi para o setor de veículos, motos, partes e peças que cresceu 8,8% enquanto material de construção avançou 3,6%, após variações de 13,2% e 6,7% registradas no mês anterior.

Outro forte resultado em julho trouxe as vendas no varejo para um nível acima da época pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Enquanto isso, as vendas amplas estão apenas 1,8% menores. Conforme o BTG, com esse resultado, o volume de vendas no varejo atingiu o maior patamar da série histórica.

Perspectivas

Ademais o setor varejista foi o que demonstrou melhor recuperação da crise da Covid-19. Isso se deve a grande influência do auxílio emergencial e pelo crescimento exponencial das vendas online. O banco destacou que o Indicador de Confiança do Comércio (FGV), referente a setembro, também trouxe expectativas positivas.

O índice avançou 3 pontos passando de 96,6 para 99,6 pontos, a quinta alta mensal consecutiva. Por consequência, alcançou um nível observado antes da pandemia. A alta foi motivada pela melhora da percepção com o momento.

Por fim, o BTG acredita que, apesar do resultado sugerir uma percepção positiva, este vem de forma cautelosa. Com a proximidade do fim dos programas governamentais, que foram essenciais para a recuperação do setor, e pelo cenário desafiador do mercado de trabalho, os próximos meses devem trazer desaceleração.

Na mesma linha, a Guide Investimentos destacou que os números de agosto mostram ainda os efeitos do auxílio do governo sobre o consumo, principalmente de classes mais baixas. Contudo, o mês foi o último com o valor integral da ajuda de R$ 600. Isso reforça a ideia de que a recuperação pode perder tração nos próximos meses.

A casa avalia ainda que os resultados revelam também uma alteração na cesta dos consumidores brasileiros. Os itens com vendas no terreno positivo são os considerados essenciais, como alimentos, bebidas, produtos de saúde e itens para o domicílio. “Na ponta oposta, as vendas dos produtos relacionados à mobilidade e ao escritório penam para apresentar uma recuperação mais robusta”, diz o relatório.