Vendas de imóveis sobem 46% no primeiro semestre, CBIC espera alta nos preços

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Pixabay

O número de apartamentos novos vendidos no 1º semestre de 2021 foi 46,1% maior que o verificado no mesmo período de 2020. No total, foram 127.522 unidades residenciais vendidas. A alta das vendas 2TRI21 foi de 7,2% em relação ao primeiro e de 60,7% em relação ao 2TRI20.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira (23) pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A pesquisa de Indicadores Imobiliários Nacionais do 2TRI21, realizada desde 2016, também tem colaboração do Senai e Brain Inteligência Estratégica.

De acordo com a diretoria da CBIC, o resultado é efeito das taxas de juros ainda baixas. Por isso, financiamentos imobiliários atraem mais as pessoas físicas.

Além disso, os lançamentos de novas unidades também aumentaram. Conforme os dados, foram 100.184 apartamentos lançados no primeiro semestre, representando um crescimento de 57,2% ante mesmo período de 2020. No 2TRI21, em relação ao 1TRI21, a alta foi de 51,3%. Os maiores índices de crescimento se concentraram nas regiões Norte e Nordeste. Nestas regiões, o aumento foi de 162,9% e 127,5% nos lançamentos no segundo trimestre, respectivamente.

Os lançamentos de imóveis cresceram 114,6% no segundo trimestre, para 60.322 unidades. De acordo com a CBIC, as vendas tiveram expansão de 60,7%, para 65.975 unidades. A oferta final caiu 7,1%, para 180.007 unidades.

Sinais de preocupação da CBIC

Mesmo com os números positivos sobre o crescimento de vendas, o volume é maior do que o de lançamentos. Tal ocorrência aponta sinais preocupantes no setor.

“Os lançamentos não cresceram tanto quanto as vendas. É ruim para o mercado que tenhamos uma oferta de imóveis equivalente a 8,3 meses de venda, porque isso é muito pouco”, disse José Carlos Martins, presidente da CBIC, em entrevista coletiva.

Conforme os dados da CBIC, o número de unidades residenciais lançadas vinha acima do número de unidades vendidas desde 2017. As duas curvas se aproximaram em 2020 e no fim do primeiro semestre do ano passado, inverteram posições.

Ou seja, há pouco mais de um ano, as vendas superam os lançamentos. No acumulado de 12 meses até junho de 2021, haviam sido vendidas 261,4 mil unidades, contra 237,2 mil unidades lançadas.

De acordo com Martins, uma das razões para o menor número de lançamentos é a insegurança em relação aos preços. Os custos da construção civil dispararam no último ano, mas a renda dos brasileiros não.

Portanto, existe o medo de repassar dos custos para os preços e eles não conseguirem ser absorvidos pelos potenciais compradores de imóveis. Por isso as empresas têm repensado seus planos para novos empreendimentos.

“Os preços dos imóveis deram uma subidinha, mas nada perante o custo dos insumos. Será preciso recuperar isso. E é esse medo que faz com que muitas empresas reduzam lançamentos no momento”, afirmou Martins.

Ele ainda compara o setor imobiliário a uma “Ferrari com o freio de mão puxado”. “Temos empresas com empreendimentos prontos para serem lançados, mas a conta não para mais em pé”.

Espera do INCC

A combinação entre custos de produção elevados, demanda alta e lançamentos abaixo das vendas tende a ter efeitos explosivos sobre os preços dos imóveis aos consumidores.

“Temos um aumento dos preços já previsto em função do aumento dos custos de construção e do retardamento de lançamentos que pode estar havendo no país”, disse Celso Petrucci, vice-presidente da área de Indústria Imobiliária da CBIC. “Por mais que se equilibre o INCC (Índice Nacional da Construção Civil) do custo dos materiais, sofreremos ainda a pressão do INCC da mão de obra”.

Nos 12 meses até junho de 2021, o INCC acumulou alta de 16,8%. Olhando só para os materiais e equipamentos, o INCC do período foi de 34,3%, enquanto o avanço do INCC da mão de obra chegou a 6,8%.

Os dados de agosto do INCC-M, desenvolvidos e divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) estarão disponíveis na próxima quinta-feira (26).

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