Venda de reservas está no cardápio para reduzir dívidas, diz secretário

Karin Barros
Colaborador do Torcedores

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Waldery Rodrigues, secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, afirmou nesta sexta (20) que a venda de reservas internacionais para reduzir o endividamento público está no cardápio do governo, mas a decisão cabe ao Banco Central (BC). As informações são da Agência Brasil.

Ele ressaltou que o procedimento foi executado no ano passado e poderá ser repetido em 2021, caso haja intenção.

Rodrigues comentou declarações dadas na quinta (19) pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmando que seria possível ao governo queimar “um pouco” das reservas externas do país para diminuir a dívida bruta, que deve crescer para 96% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

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“A fala do ministro entrou no contexto de uma gestão macroeconômica mais integrada [entre o Ministério da Economia e do BC] e mais bem feita, mais bem desenhada”, disse Rodrigues.

“Sim, a posteriori, uma vez que o Banco Central decida tomar suas ações, há um impacto positivo [na venda de reservas], inclusive sobre o montante da dívida bruta”, acrescentou.

As reservas internacionais em dólar servem como um seguro para momentos de crise e garante que o país terá moeda estrangeira para cumprir suas obrigações com o resto do mundo.

Caso o Banco Central venda parte do montante que tem em dólar, o país terá mais moeda doméstica à sua disposição, e pode usar o recurso para comprar papéis da dívida pública brasileira, reduzindo a mesma

2019 também teve venda de reservas

Rodrigues lembrou que, no ano passado, o BC vendeu cerca de US$ 40 bilhões das reservas, ajudando a diminuir a dívida bruta sobre o PIB em quase 2 pontos percentuais.

As devoluções antecipadas de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o Tesouro ajudaram com mais 1,2 ponto no recuo.

“Lançamos mão desses mecanismos em 2019 e podemos fazê-lo, dadas as intenções, em 2021. Esses são itens que entram no nosso cardápio de ações”, explicou o secretário.

Ele, no entanto, lembrou que quem se expressa sobre a venda de reservas externas é o Banco Central.

Orçamento de 2021

O secretário deu as declarações em entrevista para explicar a revisão para baixo da projeção de déficit primário no orçamento de 2020Nacional.

Em relação a 2021, ele pediu colaboração da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda neste ano.

“A Comissão Mista de Orçamento deve ser constituída agora. Trabalhamos com essa hipótese. Há incentivos para o Congresso aprovar tanto o PLDO [projeto da LDO], quanto também caminhar para aprovação do PLOA [projeto da lei orçamentária]. Iremos aguardar”, declarou Rodrigues.

O secretário lembrou que, sem a votação da LDO e do Orçamento, as emendas parlamentares do próximo ano não poderão ser executadas.

Há várias semanas, as discussões na CMO estão paradas por causa da disputa entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e parlamentares do centrão em torno da indicação para a presidência da comissão.

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