Venda de carros a gasolina e diesel será proibida a partir de 2035 no Reino Unido

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: STEFAN ROUSSEAU DPA

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou nessa terça-feira (4) que o país vai proibir a venda de novos veículos movidos a gasolina e a diesel, incluindo os híbridos, a partir de 2035. A medida tem como objetivo alcançar a neutralidade de carbono.

O anúncio foi feito durante evento de apresentação da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática 2020, a COP26, que terá sede em Glasgow, na Escócia, em novembro: “a realização da COP26 é uma importante oportunidade para que o Reino Unido e as nações de todo mundo deem um passo adiante na luta contra a mudança climática”, disse o primeiro-ministro.

A COP25 se encerrou há pouco, em janeiro. Realizada em Madri, foi “uma oportunidade perdida” de mostrar maior ambição nas reduções de emissões de gases que causam o efeito estufa, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres. A resposta inglesa, que veio dias após o Brexit, é uma forma de amenizar as críticas ao governo de centro-direita e acenar para os países do bloco europeu que o Reino Unido está disposto a negociar com a UE em termos razoáveis.

Neutralidade

O país se comprometeu, por lei, a alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Segundo a Reuters, tal esforço “exigirá uma combinação de cortes nas emissões de gases do efeito estufa e medidas de compensação, como plantar mais árvores”.

A decisão de agora antecipa a anterior, que proibiria a venda apenas a partir de 2040, em cinco anos e inclui também os híbridos.

Johnson disse que “2020 deve ser o ano em que mudamos a tendência sobre o aquecimento global, será o ano em que escolhemos o futuro mais limpo e mais verde para todos”.

Em apoio, a indústria aeronáutica britânica também prometeu buscar a neutralidade de carbono até 2050, com projetos de aviões menos poluentes, que ainda não existem, e a polêmicos mecanismos de compensação, denunciados pelas ONGs como medidas cosméticas.

De acordo com informações da Reuters, “a organização Sustainable Aviation – que inclui, entre outros, o aeroporto londrino de Heathrow, as companhias aéreas British Airways e EasyJet, as fabricantes Airbus e Boeing e a fabricante de motores de avião Rolls-Royce – garantiu que pode cumprir a meta estabelecida pelo governo britânico, apesar do crescimento de 70% do tráfego aéreo previsto nos próximos 30 anos”.

Desafio

A proibição é um desafio que a indústria automobilística precisa enfrentar. O presidente da associação automobilística britânica AA, Edmund King, disse que se deve questionar se há “suprimento suficiente de veículos de zero emissão em menos de 15 anos”.

Paralelamente, pediu ao governo que faça sua parte, reduzindo a carga tributária sobre as vendas de veículos elétricos. É preciso torná-los mais acessíveis aos consumidores.

Entretanto, várias ONGs ambientalistas criticaram o anúncio. Uma delas foi a The Climate Group, cuja presidente Helen Clarskon disse que essa transição poderia ser feita “antes”. Já o Greenpeace pediu “atos”, não só “boas intenções”.

Os ativistas desconfiam das intenções dos governos, especialmente de Johnson. Para eles, “a COP26 está programada para ser um fracasso”, talvez na mesma medida que se mostrou a COP25.