Vários estudos investigam os efeitos da cloroquina; somente 3 estão finalizados

Jéssica De Paula Alves
Jornalista e produtora de conteúdo
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Crédito: Reprodução

Pelo menos 65 estudos científicos  estão sendo realizados para investigar os feitos da cloroquina contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Todavia, somente três foram finalizados, informou o Estadão. Dois deles foram na China e o terceiro na França. Todavia, os resultados são controversos.

Efeitos graves, como arritmia cardíaca e problema de visão, foram relatados. Mas mesmo assim, há médicos que usam drogas com cloroquina, especialmente nos pacientes em estado grave ou crítico da Covid-19.

O medicamento ganhou destaque depois de ser citado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, dos EUA. Eles ressaltaram como a solução possível para uma pandemia. Nas últimas semanas, governos e agências reguladoras e médicas autorizam ou usam o remédio para pacientes internados. Quando não há outra opção de tratamento.

Contudo, os profissionais ressaltam que, com poucos estudos finalizados até agora, o uso não é permitido em pacientes com problemas de saúde ausência de efeitos negativos.

Entidades médicas e de saúde tratam o tema com cautela. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os possíveis benefícios da cloroquina são mostrados nas pesquisas chinesas e francesas e afirmam estar preocupados com os relatos de isolados se automedicando com cloroquina e causando danos a si mesmos “.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também ressaltam a falta de alterações e desaconselham o uso mais amplo.

“Enquanto aguardamos a emergência de novos ensaios clínicos randomizados multicêntricos para avaliar os benefícios da contribuição da cloroquina / hidroxicloroquina no tratamento da covid-19.Esses medicamentos não devem ser prescritos de modo generalizado e indiscriminado nos casos de luz e ambulatoriais da doença”, disse a ASBAI

Divergências

De acordo com os pesquisadores, várias são as limitações e as falhas de pesquisas. E inclui  pequenas quantidades de pacientes, falta de um grupo de controle e falta de metodologia de duplo cego,. Ou seja, quando não são usadas nem pacientes sofrem estão recebendo o medicamento.

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A principal divergência entre o primeiro estudo chinês e a pesquisa francesa está no índice de pacientes que tiveram exclusão do vírus. No estudo francês, com amostra total de 42 pacientes, 70% dos que tomaram hidroxicloroquina tiveram perda de carga viral contra 12,5% do grupo controle.

Já no estudo chinês, feito com 30 pacientes, não foi encontrada diferença significativa entre os resultados dos dois grupo. O controle, inclusive, teve um índice de remissão viral maior do que o que tomou uma hidroxicloroquina (93,3% contra 86, 7%). Após 14 dias, os 30 pacientes apresentaram exame negativo. A pesquisa chinesa era randomizada, mas aberta.

O terceiro estudo, também chinês e com 62 participantes, mostrou que o uso da hidroxicloroquina propiciou melhorias no tempo da febre, da tosse e da imagem de pulmão na tomografia. Mas não mediu nem remissão viral nem o desfecho clínico final de cura. Ou alta, óbito ou menor tempo de internação em UTI ou de ventilação mecânica.