Varejo nos EUA despenca 16,4% em abril

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

As vendas no varejo nos EUA registraram queda de 16,4% em abril, segundo informação do Census Bureau, do Departamento de Comércio do país, nesta sexta-feira.

Excluindo a venda de carros e combustíveis, a queda foi de 16,2%. A expectativa do mercado era por uma queda bem menor, de 12%.

O tombo bate o recorde histórico já alcançado no mês anterior. E decorre das paralisações das atividades decorrentes das medidas para conter a pandemia de coronavírus.

O dado de março foi reajustado em -8,3%. Naquele mês, as vendas somaram US$ 483,5 bilhões. Em abril, foram US$ 403,9 bilhões.

Em relação a abril do ano passado, a queda registrada é de 21,6%.

No trimestre de fevereiro a abril, houve queda de 7,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

vendas no varejo

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Lojas de roupas registram maior queda

As lojas de roupas e acessórios registraram a maior queda anual: 89,3% na comparação de abril de 2020 com abril de 2019.

Na sequência, registraram quedas acentuadas eletrônicos (-64,8%), móveis e decoração (-66,5%), material esportivo, musical e livros (-48.9%).

Desemprego prejudica o varejo

Além das quarentenas, que afetam diretamente o consumo, os EUA enfrentam um cenário de mais de 36 milhões de pessoas em situação de desemprego, conforme registram os novos pedidos semanais de seguro-desemprego no país.

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, a última folha de pagamentos (payroll) oficial dos EUA, divulgada no dia 8 de maio, contabilizou 20,5 milhões de vagas a menos em abril (excluídas as vagas agrícolas que não entram na soma).

A taxa de desemprego subiu para 14,7%. Isto representa um aumento de 10,3 pontos porcentuais em relação a março. Esta é a taxa de desemprego mais alta da série histórica – a pesquisa é feita desde 1948.

Para o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, o total de desempregados pode ser uma subconta. Conforme afirmou à Bloomberg, ele acredita que muitos que perderam seus empregos não puderam buscar ativamente um novo posto de trabalho devido à quarentena adotada em muitos estados para conter a proliferação do vírus.

A taxa de desemprego real, que inclui trabalhadores que não procuram emprego e subempregados, subiu para 22,8%. E esta pode ser uma imagem mais precisa da situação atual.

Já para o Goldman Sachs, o desemprego deve bater os 25%, com retomada bastante lenta. A previsão é de taxa de desemprego próxima a 10% até o final do ano.

Vale recordar que, antes da crise, em fevereiro, o desemprego alcançava um mínimo histórico de 3,5%.

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