Crise faz varejo faturar 39% a menos em apenas cinco semanas

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus fez o comércio brasileiro perder R$ 86,4 bilhões no período entre 15 de março e 18 de abril, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O montante corresponde a uma redução de 39% no faturamento do varejo, em comparação com período anterior ao começo da crise do coronavírus.

No estudo, a entidade também projeta que a crise tem potencial para eliminar 28% dos postos formais de trabalho do setor, o equivalente a 2,2 milhões de vagas, em um intervalo de até três meses.

Para conter a propagação do vírus aproximadamente 80% dos estabelecimentos comerciais foram fechados, a partir da segunda quinzena de março, em diversas regiões, em decorrência de decretos estaduais e municipais.

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Isolamento social

Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, outro ponto determinante foi o isolamento social, medida que restringiu significativamente a movimentação dos consumidores nas lojas físicas do comércio.

“Embora a adoção de estratégias de venda por meio de canais digitais, como o e-commerce, e de serviços de entrega (delivery) tenha reduzido as perdas de receita por conta das restrições impostas às vendas presenciais, as quedas menos intensas a partir do fim de março podem ser atribuídas a um maior fluxo de consumidores nas ruas”, afirmou Tadros.

De acordo com a consultoria Inloco, que mede a movimentação de consumidores por meio do rastreamento de celulares, o Índice de Isolamento Social, que era próximo de 70% na segunda metade de março, caiu para cerca de 50% na segunda metade de abril.

Itens não essenciais

O Google Community Mobility Report observou, ao fim de março, uma elevação de 17% no fluxo de pessoas próximas a estabelecimentos comerciais focados na venda de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos, nas proximidades de estabelecimentos que comercializam produtos não essenciais. Esses estabelecimentos tiveram avanço de quase 30% no faturamento.

Segundo Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo, entre a terceira semana de março e a segunda semana de abril, os impactos mais significativos foram nos segmentos varejistas especializados na venda de itens não essenciais (R$ 78,27 bilhões).

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“As vendas de alimentos e medicamentos, segmentos que respondem por 37% do varejo brasileiro, acumularam perda de R$ 8,13 bilhões no período”, ressalta Bentes.

As regiões Sul e Sudeste concentraram 70% das perdas de receita do varejo no período.

Em números absolutos, São Paulo foi o estado que mais perdeu (R$ 26,58 bilhões). Seguido de Minas Gerais (R$ 6,90 bi), Rio Grande do Sul (R$ 6,63 bi), Rio de Janeiro (R$ 6,55 bi) e Santa Catarina (R$ 6,26 bi).

Em termos percentuais, as maiores quedas foram no Piauí (-49,6%), Ceará (-49,3%) e Santa Catarina (-46,8%).