Varejo de farmácias: dois IPOs no ano e perspectivas de crescimento

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Com o envelhecimento da população e com Covid-19 lembrando aos consumidores da necessidade de cuidados com a saúde e o bem-estar, o varejo farmacêutico tem amplo espaço de crescimento no Brasil.

Este ano, duas empresas do segmento estrearam na bolsa. Pague Menos (PGMN3) e d1000 (DVMF3) fizeram suas ofertas iniciais (IPOs na sigla em inglês) dentre as 24 já realizadas na B3 só em 2020.

Os papéis da Pague Menos estrearam dia 2 de setembro, com preço da ação dentro da faixa indicativa. No entanto, de lá até 16 de novembro, o papel sofreu desvalorização de 17%.

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Já os papéis da d1000 desvalorizaram 31% desde a estreia, em 10 de agosto.

Para efeito de comparação, a Raia Drogasil (RADL3), a maior do segmento, teve valorização de 17% de janeiro a 16 de novembro. A Profarma (PFRM3) acumula uma perda de 19% no mesmo período. E a Panvel (PNVL3) teve alta de 11%.

As razões para a desvalorização das estreantes na bolsa passam por excesso de oferta, depois de tantos IPOs, pelas incertezas trazidas pela crise do coronavírus e também pela atual realização de curto prazo na bolsa.

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Para quem adquiriu os papéis das empresas que fizeram IPO e apresentam queda no valor da ação, a dica é aguardar. A tendência é que a economia melhore pós-Covid e a retomada seja positiva para o setor.

Varejo farmacêutico: estreantes na bolsa, mas empresas já consolidadas

“Essa quantidade de IPOs, que é realmente expressiva no setor, vai ser interessante inclusive para observarmos o desenvolvimento setorial daqui para a frente”, aponta Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

“Faz tempo que a gente tem as grandes redes de farmácia, mas elas não tinham capital aberto. Isto quer dizer que são empresas de referência em seus locais de atuação, que já chegam com ampla presença e com know-how. E, agora, elas estão capitalizadas para se expandirem tanto fisicamente quanto digitalmente”, ele afirma.

E complementa: “Este é um dos setores com mais capacidade de crescimento orgânico. Além disso, as farmácias não são mais revendedores de remédio. Viraram mini centros de atenção à saúde e à beleza”.

Conheça as estreantes do varejo farmacêutico

A d1000 é uma rede de drogarias formada pelas aquisições das bandeiras Drogasmil, Farmalife, Drogarias Tamoio e Drogaria Rosário, com atuação no Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

A rede faz parte do Grupo Profarma, segunda maior distribuidora do país. E surgiu em 2013, quando os donos da Profarma decidiram verticalizar sua operação. Para isso, compraram farmácias pequenas de antigos clientes.

A d1000 teve lucro líquido de R$ 1,5 milhão no terceiro trimestre deste ano. A Profarma, por sua vez, teve lucro líquido de R$ 29,4 milhões no terceiro trimestre, sendo este o melhor resultado alcançado em oito anos.

Para a Eleven, a d1000 se encontra “mais objetiva, eficiente e com um plano traçado claro, exequível para os próximos anos”.

Os analistas da casa não enxergam motivos estruturais para a queda brusca da ação após o IPO. “Seguimos muito positivos com a tese de investimentos. Acreditamos que se a empresa reportar resultados consistentes conforme nossas estimativas, a confiança no papel deva vir rapidamente”, afirmam.

d1000 tem vantagem competitiva

O analista Luis Sales, da Guide Investimentos, destaca que o fato de a companhia pertencer ao grupo Profarma confere vantagens competitivas à d1000.

Entre elas estão uma maior periodicidade de entregas. Uma menor necessidade de capital de giro. Também um aproveitamento de sinergias administrativas. Utilização dos centros de distribuição da Profarma. E ainda poder de barganha com os fornecedores.

Ele também aponta como positivo para a valorização das ações o plano de expansão agressivo da empresa. Que tem aumento previsto de 100% de suas lojas em unidades por um período de cinco anos. O ponto negativo é que grande parte das lojas existentes do grupo se localiza em shoppings, setor que vem sendo fortemente impactado na pandemia.

Pague Menos

Já a Pague Menos é a terceira maior rede de drogarias do Brasil, com presença mais forte nas regiões Norte e Nordeste, onde possui 10,7% e 20,5% de participação de mercado, respectivamente.

A empresa possui no total 1.100 lojas, ou uma participação de mercado de 5,7%, sendo a maior parte inaugurada através do crescimento orgânico.

Dos recursos levantados com o IPO, 20% serão utilizados para pagamento antecipado de empréstimos. O que já estava previsto no prospecto da oferta de ações.

A agência de risco Fitch Ratings elevou o rating corporativo da companhia, de BBB+ para A, com perspectiva positiva. Além dela, alguns grandes bancos também iniciaram recomendação para o papel, como Credit Suisse e JPMorgan, também com visão positiva.

O Credit Suisse chegou a afirmar que a Pague Menos é “um dos melhores cases de investimento” de sua cobertura. E atua em um dos segmentos mais resilientes na crise. Disse ainda que a empresa está bem posicionada para ter um “forte crescimento pela frente”.

Veja também:

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