Varejo cai 2,5%; supermercados evitam tombo maior

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma queda no varejo de 2,5% em março. Segundo os pesquisadores, a queda só não foi maior graças à alta nas vendas dos supermercados.

De acordo com o relatório do estudo, apenas dois segmentos considerados essenciais durante o período de quarentena devido ao coronavírus não registraram perdas ante fevereiro.

É o caso da atividade de hipermercados e supermercados, que reúne produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 14,6%. E também de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 1,3%.

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“Março foi bastante impactado pela estratégia de isolamento social adotada em algumas das cidades a partir da segunda quinzena do mês. Essas cidades consideraram hiper e supermercados e produtos farmacêuticos como atividades essenciais. As demais atividades tiveram as portas fechadas nos comércios de rua e nos centros comerciais”, explica o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Do total de 36,7 mil empresas da amostra da pesquisa, 14,5% apontaram a pandemia de coronavírus como a principal razão para a queda nas vendas.

O setor de hiper e supermercados tinha um peso no índice, em fevereiro, abaixo de 50%. Em março, saltou para 55%. “O índice foi segurado por essa atividade”, avalia o pesquisador.

Em relação a março do ano passado, o volume de vendas do varejo recuou 1,2%. Esta foi a primeira queda após 11 meses consecutivos de altas.

No ano (janeiro a março), o varejo registrou aumento de 1,6%.

No acumulado de 12 meses, o setor passou de 1,9% em fevereiro para 2,1% em março. O IBGE também revisou a taxa de fevereiro, em relação a janeiro, de 1,2% para 0,5%.

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Varejo: desempenho por atividades

Seis das oito atividades pesquisadas registraram queda no volume de vendas do comércio varejista, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas.

Apresentaram resultados negativos:

  • Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%),
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%),
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%),
  • Móveis e eletrodomésticos (-25,9%),
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%),
  • Combustíveis e lubrificantes (-12,5%).

Tiveram altas:

  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,6%) e
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,3%).

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Corretora vê tombo maior em abril

Para os analistas da Guide, a pesquisa, além de apontar para os efeitos recessivos da pandemia, ilustra que o pior ainda está por vir.

“A leitura de abril deve piorar por capturar mais os impactos da quarentena”, afirmam em relatório. Para eles, as políticas implementadas até o momento não estão surtindo efeito. “Como agravante, membros do da Associação Brasileira de Lojistas e de Shopping (Alshop) já demonstram ter dificuldade para obter crédito, dificultando a sustentação dos negócios por um prazo maior de tempo”, complementam.

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