Como ações do setor varejista de moda devem se comportar em 2021

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
1

Crédito: Foto: Pixabay

Que a pandemia do coronavírus afetou diretamente o comércio não é novidade nenhuma. No entanto, o tombo das lojas varejistas de roupas parece ter sido um dos maiores.

A pesquisa sobre empresas varejistas de roupas Índice Zara, realizada pelo Banco BTG Pactual em janeiro, mostrou que a indústria da moda sofreu queda de 95% dos lucros em 2020.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, saiba quais são as melhores atitudes e aplicações para multiplicá-lo

Além disso, na comparação entre países, o Brasil ficou como sétimo país mais caro do mundo para se comprar roupas. Comparando os preços de 12 produtos de vestuário em lojas Zara de 50 diferentes países, ficamos atrás apenas de África do Sul, Rússia, Índia, Turquia, Tailândia e Vietnã.

Brasil está mais competitivo no setor varejistas de roupas

O real foi a moeda que mais perdeu valor frente ao dólar no ano passado (-24% acumulado no ano) devido à turbulência resultante da Covid-19 e da aversão ao risco global. Apesar disso, a discrepância entre os valor dos nossos produtos têxteis em relação aos norte-americanos tem diminuído.

Os produtos da Zara são agora 4% mais caros no Brasil do que nos Estados Unidos, frente aos 6% apurados no último senso, que levou em consideração os valores de 2019. Em 2014, essa diferença era ainda maior, de  21.5%.

Além dos preços, a indústria da moda brasileira tem se transformado nos últimos anos. Adotou fortemente o segmento de e-commerce e também já vemos o crescimento das tendências ESG. A C&A, por exemplo, já é reconhecida pelos seus projetos de sustentabilidade, o que fortaleceu significativamente a marca nos últimos anos.

“Enquanto a mudança digital é um legado que permanecerá muito depois do fim da pandemia, com lojas de marca como zonas de descoberta, também há uma tendência mais ampla: os compradores mais jovens desejam
empresas com as quais gastam dinheiro para refletir seus valores: seja um desejo de ética e produtos de origem local, ou aqueles que são mais sustentáveis ​​do ponto de vista ambiental”, enfatiza o relatório do BTG.

Mesmo assim, o impacto da pandemia nas vendas das varejistas de roupas é inegável. O dividend yield acompanha isso mantendo-se baixo no setor.

Cabe ao investidor então ponderar o investimento nestas ações, decidindo quais marcas têm potencial para se recuperar agora em 2021 e ainda mantém a cotação baixa neste momento, o que pode gerar boa valorização no futuro.

Renner (LREN3) é a maior na indústria da moda brasileira

A Renner é a maior empresa de lojas varejistas de roupas que existe no Brasil. Ela está no 1º lugar no ranking de escolha do consumidor na pesquisa anual do UBS divulgada recentemente.

O preço-alvo das ações LREN3 aumentou em 2,4%, passando de R$ 41 para R$ 42 agora em janeiro. O índice de preço sobre lucro (P/L), no entanto, é de 24,14. A liquidez média diária é de R$304.184.677,96 e dividend yield de 0,79%.

Embora as vendas no negócio de varejo (-15%) e o lucro bruto (-25%) tenham sido fracos no terceiro trimestre de 2020, a administração da Renner disse que está vendo um cenário muito diferente para este ano.

Hering (HGTX3) não está bem vista pelos consumidores

A Hering apresentou melhora sequencial em sua pontuação no índice de percepção dos consumidores. No entanto, ela ainda tem uma permanece inferior na classificação geral. Há uma grande lacuna em relação às concorrentes da indústria da moda, especialmente nas métricas de acessibilidade.

“O nível de serviço da Hering ainda não compensa a percepção dos consumidores sobre seus preços altos e mercadorias fora de moda. Isso adiciona riscos de troca ao caso”, disseram os analistas da UBS. Além disso, o fraco índice de lealdade da marca na visão dos consumidores gera baixas expectativas de compras futuras.

Seu dividend yield é de 2,56 % e sua desvalorização é de -28,04% nos últimos 12 meses.  A liquidez média diária é de R$ 42.749.976,23.

O preço-alvo das ações HGTX3 tiveram a projeção mantida em R$ 15. O índice de preço sobre lucro (P/L) está em 17,12.

C&A (CEAB3) acelerou iniciativas digitais

Da mesma forma que a Lojas Renner, a C&A, apesar do momento desafiador para o varejo de vestuário no Brasil, tem sido capaz de navegar pela crise e acelerar importantes iniciativas digitais.

A empresa tem preço-alvo de cota a R$11,83, e acumula desvalorização de -24,12% nos últimos 12 meses. O preço sobre lucro (P/L) estava em 2,62 em 2020. Hoje, o dividend yield está negativo e a liquidez média diária é de R$ 28.307.893,04.

De acordo com a Ágora, consultada em um balanço do final do ano passado, a C&A continua a investir em iniciativas de cadeia de suprimentos, um pilar fundamental do IPO do ano passado, embora este seja um plano de longo prazo de vários anos que mostrará resultados graduais em vez de imediatos.

A corretora considera que, em 2021, com investidores preocupados com a ressaca do programa de estímulo do governo, a indústria da moda não é um segmento ruim para se posicionar no setor de varejo, dado o menor impacto positivo na comparação com outras categorias este ano.

Arezzo (ARZZ3) é resiliente

Segundo análise do BTG feita no final de 2020, o Grupo Arezzo é resiliente e tem espaço para crescimento. A empresa tem expandido no comércio local, principalmente com o crescimento do e-commerce.

Além disso, fez nova aquisições, comprando marcas como Vans e Reserva. Também têm os resultados mais saudáveis ​​na operação nos EUA, com base em canais de atacado e comércio eletrônico.

O valor atual das ações ARZZ3 é de R$ 75,05, com preço sobre lucro (P/L) em 10,84. O dividend yield é de 0,71% e a valorização é de 26,73% nos últimos 12 meses. A varejista de vestuário tem liquidez média diária de R$ 47.759.161,42.

Riachuelo (GUAR3) também aposta no e-commerce

A Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, assim com suas rivais varejistas de roupas, aposta no e-commerce para superar a crise do Covid-19.

No final do ano passado, em teleconferência com analistas, o presidente da varejista, Oswaldo Nunes, disse que a tecnologia representou 75% dos investimentos no acumulado do ano até setembro. Número esse que inclui omnichannel, superaplicativo, inteligência artificial, segurança e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A exemplo das concorrentes, a companhia prevê a continuidade de expansão do comércio eletrônico. No entanto, também investe em novos formatos de loja física. A Carter’s, de roupa infantil, marca norte-americana que era vendida nas lojas por meio de um contrato de licença. E tem ainda a recém-lançada Casa Riachuelo, com itens para casa e decoração.

O valor de sua cota está em R$ 14,70, com preço sobre lucro (P/L) de 8,26. Seu dividend yield é de 2,76 % e valorização de -47,42% nos últimos 12 meses. A liquidez média diária é de R$ 13.676.124,27.

Planilha de Ativos

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.