Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e CSN (CSNA3) estão mais expostas ao coronavírus, diz Santander

Omar Salles
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Relatório do Banco Santander Brasil (SANB11) indica que as ações das empresas de commodities, siderurgia e papel e celulose, como Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e CSN (CSNA3), estão entre as mais expostas à economia chinesa.

Dessa forma, os investidores dessas empresas devem acompanhar de perto as notícias sobre o coronavírus na China, já que os valores de seus ativos podem variar conforme a situação piore ou melhore por lá.

Grandes frigoríficos, como Minerva (BEEF3) e BRF (BRFS3) também têm exposição, embora menor, à China.

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O que você verá neste artigo:

Exposição

No caso da Vale, a exposição à China é de 50%; Suzano, a exposição é de 37% em relação à Ásia, não apenas à China; CSN tem exposição de 30% em relação à Ásia.

A exposição de Minerva à China é de 13%; da BRF, de 10% (China e Hong Kong); da Marfrig (MRFG3), de 9% (China e Hong Kong); da JBS (JBSS3) é de 6% à China.

SARS e MERS

O relatório compara os efeitos do coronavírus com as outras epidemias que atingiram o mundo desde 2002-2003, como a SARS (Síndrome Respiratória Aguda, de 2002-03); gripe aviária (do vírus H5N1, em 2011); e a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio, de 2013-14).

Em todos os casos, menos na MERS, o mercado de capitais na América Latina cresceu em média 9% após o surto inicial.  No caso do Brasil, também cresceu em todos os cenários, menos na MERS; vale notar que o surto da MERS não chegou à América Latina.

“Historicamente, os mercados acionários são impactados inicialmente por epidemias a curto prazo, mas recompensam aqueles que vêem esses surtos como oportunidades de compra. Com exceção da MERS em 2013, os retornos foram positivos, em média, alguns meses após o início dos surtos, de acordo com a nossa análise”, avalia o Santander Brasil.

Segurança

O banco recomenda que o investidor mantenha três  papéis considerados mais seguros em um cenário global de rusco: Yduqs (YDUQ3), Multiplan (MULT3) e seguradora IRB Brasil RE (IRBR3).

“Embora acreditemos que o surto do coronavírus tenha implicações levemente negativas para a América Latina, e por consequência para o Brasil, o sentimento temporário de aversão ao risco não inviabiliza nossa perspectiva cautelosamente otimista para 2020”, avalia o Santander.

O relatório do Santander foi elaborado durante a 24 Conferência anual da América Latina do banco, em meados de janeiro.

“Os riscos mais mapeados pelos investidores estrangeiros para a América Latina ainda estão relacionados a questões políticas”, informa o relatório.

Para 50% dos investidores entrevistados, os riscos políticos são os maiores para a região.

Mortes

O surto da MERS, que começou no final de 2012 na Arábia Saudita e na Jordânia, matou 790 pessoas, dos 2.200 casos identificados.

O vírus da MERS não chegou ao Brasil e América Latina, mas chegou a países europeus (França, Itália, Alemanha), aos Estados Unidos e à Coreia do Sul, onde matou 35 pessoas em 2015.

A letalidade da MERS, também provocada por um coronavírus, é de 35%, portanto maior que a SARS (10%) e o coronavírus chinês (ao redor de 1%).